PSDB paulista se antecipa e pode ter nome à sucessão de Haddad neste ano

Por Anderson Passos - iG São Paulo |

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Em São Paulo, projeto é antecipar escolha do nome do candidato tucano e assim dar mais visibilidade à candidatura

O diretório estadual do PSDB de São Paulo pode apresentar ainda em 2015 ao eleitorado da capital paulista o nome do partido à sucessão de Fernando Haddad (PT). Este é um dos projetos do vereador Mario Covas Neto, que tentará a presidência do diretório municipal paulistano dos tucanos e, até este momento, é o único a apresentar seu nome para o posto.

Zuzinha, como é conhecido, explicou ao iG que os tucanos escolherão os zonais do município no próximo dia 9 de maio "e naturalmente mais nomes podem aparecer". No entanto, o filho do ex-governador Mário Covas vem entabulando negociações.
"Já conversei com os candidatos que participaram das prévias em 2012 [o suplente ao Senado José Aníbal, os deputados federais Ricardo Trípoli e Bruno Covas e o vereador Andrea Matarazzo] e eles já me deram seu apoio. O que é muito importante porque nós temos que sair ainda mais fortalecidos nesse processo", destaca Mario Covas Neto.

Andrea Matarazzo, que reforçou sua intenção de concorrer à prefeitura de São Paulo no ano que vem, completou que assim que soube das pretensões do colega de bancada na Câmara paulistana, antecipou seu apoio. "Não apenas eu como os demais participantes da prévia em 2012", enfatizou.

"Dentre esses nomes", explicou Zuzinha, "sairá o nome do nosso candidato a prefeito. Eu vou trabalhar, sei que é muito difícil, mas vou trabalhar para que o PSDB de São Paulo apresente o seu candidato à prefeitura ainda em 2015". Ainda segundo ele, "da década de 1990 para cá o PSDB só apresentou as candidaturas de Serra e de Alckmin em revezamento à prefeitura. Precisaremos de tempo para trabalhar outros nomes porque certamente ele vai começar lá debaixo [nas pesquisas]. E quanto mais tempo tivermos, melhor o resultado", avalia Mario Covas Neto.

Sobre ter consultado o senador e ex-governador de São Paulo, José Serra, Zuzinha explicou que não o fez por "exclusão, mas conversei com pessoas do círculo dele e do Aloysio Nunes, que reconheceram seu apoio". Outro que estaria aprovando a iniciativa é o próprio governador Geraldo Alckmin.

Prévias e Marta Suplicy

Em 2012, o processo de prévias foi pra lá de acidentado no ninho tucano. Nomes como o então deputado federal José Aníbal, do colega de bancada Ricardo Trípoli, além do deputado estadual Bruno Covas e do vereador paulistano Andrea Mattarazo foram surpreendidos pela atitude do ex-governador José Serra, que participou das prévias – ele foi inscrito após o prazo estipulado pelo partido.

"Ele [Serra] pressionou para não ter prévia. Mas no PSDB partido é uma coisa e governo e outra. Ele foi a voto como tinha de ser e isso foi um marco importante", revelou uma fonte tucana minimizando o desgaste.

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Na época, atendendo a apelos do governador Geraldo Alckmin, Matarazzo e Covas retiraram seus nomes da disputa enquanto Aníbal e Trípoli mantiveram suas pretensões e foram derrotados. Serra foi escolhido por 52% dos votantes na convenção. O partido acabou indo rachado para a disputa eleitoral e o petista Fernando Haddad foi eleito no segundo turno contra um Serra combalido.

Sobre a desistência de 2012, Matarazzo disse que para 2016 não haverá recuo: "Eu estou nesse projeto de candidatura há muito tempo e vou seguir nele".

A migração da senadora Marta Suplicy, hoje no PT, para o aliado PSB no plano estadual não trará nenhum mpacto às pretensões tucanas de voltar ao paço municipal paulistano. Mario Covas Neto descartou de pronto qualquer possibilidade de o PSDB apoiar a senadora.

"Isso não teria sentido nenhum. O PSDB sempre teve candidatura própria em São Paulo e não será diferente agora", cravou. "Temos de pensar nessa perspectiva só num cenário de segundo turno", avalia.

"Seria um absurdo [apoiar a Marta]", completa outro dirigente. "Eu trabalhar para mobilizar toda a nossa militância e acontecer isso? Nunca".

Num tom mais ameno, outro tucano completou que os partidos aliados ao governo Alckmin tem o direito de lançar seus nomes até para reforçar o arco da oposição ao PT. Todos os entrevistas são enfáticos: a oposição nunca esteve tão perto de voltar ao Palácio 9 de Julho – sede do governo municipal.

"Parece que não há planejamento. Se fazem quilômetros de corredores de ônibus e o trânsito da cidade continua caótico. Aqui mesmo na Câmara a gente recebe demandas de pessoas que eram da base do PT e que estão decepcionadas", aponta Mario Covas Neto.

Outro dirigente tucano minimiza. "Eu não acredito que o Haddad seja ladrão. As pessoas que estão mais próximas dele são da academia e não necessariamente do partido. Mas ele pode acabar engolfado pela crise que o PT está atravessando no âmbito nacional", prevê.

Serristas x Alckmistas

"Essa divisão foi muito mais visível em 2008 do que agora. Hoje você não percebe isso claramente. Já imaginou José Aníbal e José Serra juntos numa chapa ao Senado? Essa foi uma das grandes conquistas do PSDB em 2014", disse ao iG um cacique tucano sobre a briga entre seguidores do senador José Serra e do governador paulista Geraldo Alckmin.
A dualidade Serra/Alckmin ganhou visibilidade quando o grupo de Serra, então governador do estado, quis apoiar a eleição de Gilberto Kassab, à época no DEM, à prefeitura de São Paulo contra Marta Suplicy (PT). Parte do PSDB bancou a candidatura de Alckmin, que naufragou no primeiro turno. Kassab seria eleito.

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