Segundo a revista "Época", ex-ministro da Casa Civil recebeu R$ 12 milhões de empresas em 2010, quando coordenou campanha de Dilma, incluindo R$ 2 mi do escritório de Bastos

Em nota divulgada neste domingo (19), o Grupo Pão de Açúcar afirma que um comitê de auditoria investigará os supostos pagamentos feitos ao escritório de Márcio Thomaz Bastos e, consequentemente, ao ex-ministro da Casa Civil Antonio Palocci em 2010, elencados em reportagem da revista "Época" desta semana.

O ex-ministro-chefe da Casa Civil: um dos políticos acusados de envolvimento em ilícitos pela PF
Antonio Cruz/Agência Brasil
O ex-ministro-chefe da Casa Civil: um dos políticos acusados de envolvimento em ilícitos pela PF

Segundo a publicação, Palocci teria recebido R$ 12 milhões de empresas, incluindo do Grupo Pão de Açúcar, durante a campanha para a presidência de Dilma Rousseff, em 2010, além de outros R$ 2 milhões do escritório de advocacia do ex-ministro da Justiça, morto em 2014, que teriam sido repassados pela companhia. 

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Palocci teria trabalhado como arrecadador formal da campanha na ocasião, ao lado de João Vaccari Neto, tesoureiro afastado do PT após ser preso na Operação Lava Jato, na semana passada. De acordo com a denúncia do Ministério Público Federal, Palocci recebeu R$ 1 milhão de Bastos ao ser escolhido como ministro-chefe da Casa Civil, em dezembro de 2010.

O montante teria sido repassado para Palocci ajudar o Grupo Pão de Açúcar na fusão com as Casas Bahia, ocorrida em 2012. Pagamentos suspeitos teriam sido feitos ao ex-ministro também pela JBS e pela concessionária Caoa. Ao jornal "O Globo", ele confirmou ter prestado, desde 2011, serviço às três empresas, "em procedimento próprio, que se reveste de caráter sigiloso e em nada a ver com a Operação Lava Jato". A investigação, no entanto, diz que não existe comprovação dos serviços prestados, já que os pagamentos foram feitos sem contrato.

Palocci é um dos políticos apontados por irregularidades na investigação da Lava Jato.

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Leia a íntegra da nota divulgada pelo Grupo Pão de Açúcar neste domingo (19):

A Companhia Brasileira de Distribuição (CBD), diante da matéria veiculada na "Revista Época" na edição nº 880, sobre pagamentos supostamente efetuados pelo Grupo Pão de Açúcar, em 2010, ao escritório de advocacia Márcio Thomaz Bastos, vem informar o seguinte:

(i) até a publicação da matéria o Conselho de Administração não tinha informação sobre a existência dos pagamentos nela referidos, que teriam sido efetuados antes da aquisição do controle da Companhia pelo Grupo Casino, ocorrida em julho de 2012;

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(ii) em razão disso, o Conselho de Administração reuniu-se nesta data e deliberou por unanimidade solicitar ao Comitê de Auditoria que dê início a uma investigação sobre (i) a suposta existência e a origem dos pagamentos realizados; caso se verifique que ocorreram, (ii) os serviços que a eles corresponderam, e (iii) a cadeia de aprovações de tais pagamentos.

Uma vez encerrada a análise dos fatos a Companhia Brasileira de Distribuição voltará a informar ao mercado e, se for o caso, às autoridades.

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