FHC critica "rolha na imprensa" e falta de condução política no ajuste econômico

Por Paula Pacheco - de Comandatuba (BA)* | - Atualizada às

compartilhe

Tamanho do texto

Líder tucano defende regulação da maconha em evento com empresários, políticos e ex-presidentes latino-americanos

FHC sobre acordos comerciais: 'Temos deixado de ser grandes na América Latina
Agência Câmara
FHC sobre acordos comerciais: 'Temos deixado de ser grandes na América Latina"

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) garantiu que não vai permitir que se "coloque uma rolha na imprensa". A afirmação foi feita durante o 14º Fórum de Comandatuba, organizado pelo Lide (Fórum de Líderes Empresariais).

FHC fez o comentário ao ser perguntado sobre a regulação da mídia, um tema que está na pauta do governo. "Isso não vai acontecer porque nós não vamos deixar. A liberdade de imprensa é a vida da democracia", disse.

FHC também criticou a paralisia brasileira em relação aos acordos comerciais. Para o líder tucano, "temos deixado de ser grande até na América Latina. Assim não dá".

Leia também:

FHC diz que Lula e Dilma são responsáveis por escândalos na Petrobras

"Dilma entregou a chave do cofre a alguém que pensa o oposto", diz FHC

FHC posa com cédula de real e ironiza Dilma: "Eu que fiz"

O ex-presidente usou como exemplo as relações comerciais com o México e com os Estados Unidos. "O Brasil está de costas para o que acontece no México. E não deve ter medo de negociar com os Estados Unidos", afirmou.

Na avaliação do ex-presidente, o Brasil poderia "ter aberto há muito tempo as fronteiras com a América Latina" e investido na ampliação do Mercosul para uma zona de livre comércio.

Para FHC, que apontou fragilidades na política externa da presidente Dilma Rousseff (PT), Brasil se isolou e está no "lusco-fusco. Se está havendo prisão arbitrária na Venezuela, temos de protestar. Se estão cortando cabeças, temos de protestar".

Falta de condução política

Perguntado por um dos participantes do fórum empresarial sobre como resolveria o atual cenário recessivo brasileiro, FHC citou a forma como foi conduzido o Plano Real na época em que ele era o ministro da Fazenda. Para o ex-presidente, foi importante naquele momento que o governo apresentasse uma solução coerente e com credibilidade.

Hoje, segundo FHC, falta a condução política e uma boa comunicação sobre as consequêcias de um ajuste econômico.

"A voz do economista não pode ser solitária. Tem de haver uma condução política. Na época do Plano Real nossa estratégia foi oposta. Fomos à TV para expor ao País o que aconteceria com a URV [Unidade Real de Valor, índice usado na transição entre o cruzeiro real e o real]. Demos a liberdade de se negociar os contratos de trabalho. Os tecnocratas são bons no que fazem, mas não pode faltar a condução econômica."

Liberação da maconha

Luis Alberto Lacalle, presidente do Uruguai entre 1990 e 1995, opinou sobre a política para a maconha adotada pelo colega José Mujica, que deixou o cargo neste ano. Favorável à regulação do consumo da droga, o político argumentou que essa pode ser a forma de enfraquecer a atividade de traficantes.

FHC, conhecido defensor da regulação da maconha, disse que, com a proibição, "florescem o mercado negro e a bandidagem. A proibição não resolve, o que resolve são campanhas para a redução do consumo", disse o ex-presidente. Não há uma receita. Tem de regular [o consumo da maconha]. O consumidor contumaz e o consumo têm de ser regulado", defendeu.

*a jornalista viajou a convite do Lide

Leia tudo sobre: lidefhcfórum de comandatuba

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas