PT vai às redes sociais para amenizar desgaste provocado pela Operação Lava Jato

Por Luciana Lima e Mel Bleil Gallo , iG Brasília |

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Após a prisão do tesoureiro Vaccari, partido intensifica ação na internet e mobilização da militância para gerar contraponto aos ataques motivado por denúncias de corrupção

A prisão do tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, acusado de participação no esquema de corrupção investigado pela Operação Lava Jato, impactou os planos do partido de reverter sua própria crise de imagem com a utilização intensa das redes sociais e de programas de TV. Na última semana, o PT havia experimentado vitórias nas redes sobre as mobilizações contrárias ao governo da presidente Dilma Rousseff e ao próprio partido. Agora o trabalho é de tentar minimizar o estrago de ter seu tesoureiro preso pela Polícia Federal devido às suspeitas de corrupção.

O ex-secretário de Finanças do Partido dos Trabalhadores, João Vaccari Neto: atrás das grades
Fotos Públicas
O ex-secretário de Finanças do Partido dos Trabalhadores, João Vaccari Neto: atrás das grades

Para alguns petistas, o episódio significou um jato de agua fria na reação que começava a se desenhar nas redes sociais com o objetivo de mobilizar a militância na defesa da legenda. Além de gerar desgaste, a prisão de Vaccari também acabou intensificando divergências internas em relação à comunicação e a postura da cúpula do partido sobre o afastamento de Vaccari da tesouraria do partido.

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Até mesmo a nota divulgada na quarta-feira pela presidência do PT foi alvo de críticas de alguns petistas que se mostraram insatisfeitos com o tom adotado no comunicado. A grande queixa é de que a presidência deveria “defender o partido” e não “defender Vaccari”, que é réu no processo que apura o esquema de pagamento de propina supostamente instalado na Petrobras.

Durante a semana, integrantes de grupos como a Mensagem ao Partido intensificaram as queixas pelo desgaste gerado por Kassab. Esta ala conta com figuras importantes da legenda como o ex-governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, além dos deputados Alessandro Molon (RJ) e Paulo Teixeira (SP). Antes da prisão, o grupo já havia incluído o pedido de afastamento de Vaccari no documento da tendência a ser entregue na reunião. “Nós somos partidários da tese de que Vaccari deveria ter se licenciado antes, agora fica até difícil fazer alguma coisa após o fato consumado. Houve um equívoco do partido em mantê-lo no cargo”, comentou Paulo Teixeira.

Passada a crise imediata da prisão de Vaccari, o partido se volta para a estratégia de redes sociais com a repetição da ideia lançada na campanha da presidente Dilma Rousseff no ano passado de que a corrupção aparece por causa da autonomia das investigações viabilizada pelos governos petistas. Agora, integrantes da corrente majoritária do partido, que saiu na defesa de Vaccari, buscam se desvencilhar da exigência de “cortar na própria carne” imposta por outras alas.

Além disso, a prisão de Vaccari impacta diretamente a temática da corrupção, que tem capacidade forte de mobilização de setores da sociedade contrários ao PT. O partido havia optado por repetir exaustivamente a tese de que nunca se apurou os malfeitos como agora e que a explicitação dos escândalos seria um resultado do fortalecimento de instituições como a Polícia Federal pelo próprio PT. Pelo menos nesta semana, o tema da corrupção deverá ficar em compasso de espera para não suscitar mais ataques contra o partido.

Veja os políticos acusados de envolvimento na Lava Jato:

Antes de aparecer na lista de Janot, Renan Calheiros disse que não conhecia Youssef ou envolvidos na Lava Jato. Foto: Câmara dos Deputados/Gustavo LimaO ex-presidente e senador pelo PTB de Alagoas, Fernando Collor, é acusado de ter recebido dinheiro de Yousseff. Foto: ReproduçãoPresidente da Câmara, Eduardo Cunha está entre os que serão investigados na Lava Jato. Foto: Gustavo Lima / Câmara dos DeputadosSenador pelo PMDB do Maranhão e ex-ministro das Minas e Energia de Dilma, Edison Lobão é investigado em inquérito que envolve a ex-governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB). Foto: CÉLIO AZEVEDO/AGÊNCIA SENADO - 15.5.2007Senadora pelo PT do Paraná ex-ministra da Casa Civil de Dilma, Gleisi Hoffman foi citada em delação premiada da Lava Jato. Foto: FacebookAlvo de inqúerito, Antônio Anastasia é senador pelo PSDB de Minas Gerais,  ex-governador do Estado e foi coordenador de campanha de Aécio à Presidência. Foto: daniel de cerqueira - 7.11.2014Senador pelo PP do Piauí, Ciro Nogueira teve dois inquéritos arquivados, mas é alvo de um terceiro, que envolve outras 36 pessoas. Foto: Agência BrasilLindberg Farias, senador pelo PT do RJ, é suspeito de ter pedido dinheiro a Paulo Roberto Costa. Foto: Futura PressEx-governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB) é citada também no inquérito contra o senador Edison Lobão (PMDB-MA). Foto: BETO BARATA/AGência ESTADO - 4.1.2011Deputado pelo PP da Paraíba, Aguinaldo Ribeiro fio ministro das Cidades durante o governo Dilma. Foto: DivulgaçãoVilson Covatti foi deputado federal pelo PP do Rio Grande do Sul até janeiro de 2015. Foto: Facebook/ReproduçãoDeputado federal pelo PT de São Paulo e ex-líder do governo Lula, Cândido Vaccarezza teria recebido R$ 400 mil em propina. Foto: Agência BrasilAlvo de inquérito, Humberto Costa é senador pelo PT de Pernambuco e foi ministro da Saúde durante o governo Lula. Foto: DivulgaçãoSenador pelo PMDB de Roraima, Romero Jucá foi líder dos governos FHC e Lula. Foto: Agência SenadoSenador pelo PMDB de Rondônia, Valdir Raupp foi governador de Rondônia e líder do partido. Foto: DivulgaçãoEx-ministro da Casa Civil de Dilma Rousseff, Antônio Palocci terá suas condutas investigadas pela Polícia Federal no Paraná, para onde o STF mandou o inquérito. Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil - 2.1.11Tesoureiro do PT, João Vaccari Neto é alvo do processo que envolve 37 pessoas. Foto: Agência BrasilDeputado federal pelo PP de Mato Grosso, Pedro Henry foi condenado no processo do mensalão. Foto: Agência BrasilDeputado federal pelo PMDB do Ceará, Aníbal Gomes é investigado no inquérito que envolve 37 pessoas. Foto: Divulgação/Governo Municipal de AcaraúDeputado federal pelo PP do Rio de Janeiro, Simão Sessim ocupa o cargo desde a década de 1970. Foto: Agência CâmaraEx-deputado federal pelo PP de Pernambuco, teve seu mandato cassado na esteira do escândalo do mensalão. Foto: Agência BrasilDeputado federal pelo Solidariedade da Bahia, Luiz Argôlo chegou a ter sua cassação aprovada pelo Conselho de Ética da Câmara. Foto: Agência CâmaraDeputado federal pelo PP do Paraná, Nelson Meurer é presidente do partido no Estado. Foto: Agência CâmaraDeputado pelo PP do Acre, Gladson Cameli é investigado no inquérito que envolve 37 pessoas. Foto: Agência CâmaraDeputado federal pelo PP de Goiás, Roberto Balestra é investigado no maior inquérito, que envolve 37 pessoas. Foto: DivulgaçãoDeputado federal pelo PP de Goiás, Sandes Júnior, é alvo do maior inquérito da Operação, com 37 investigados. Foto: DivulgaçãoDeputado federal pelo PT do Mato Grosso, Vander Loubet é investigado em inquérito que inclui o deputado Cândido Vaccarezaa (PT-SP). Foto: DivulgaçãoSenador pelo PP do Piauí, Ciro Nogueira teve dois inquéritos arquivados, mas é alvo de um terceiro, que envolve outras 36 pessoas. Foto: DivulgaçãoDeputada federal pelo PP de São Paulo, Aline Corrêa consta da lista de 37 investigados de um dos inquéritos da Lava Jato. Foto: Agência CâmaraSenador pelo PP de Alagoas, Benedito de Lira iniciou sua carreira política no extinto Arena, que apoiava a ditadura militar. Foto: DivulgaçãoDeputado federal pelo PT de São Paulo, José Mentor foi líder estudantil contrário à ditadura militar. Foto: DivulgaçãoDeputado federal pelo PP do Rio Grande do Sul, José Otávio Germano é alvo de dois pedidos de instauração de inquérito. Foto: DivulgaçãoDeputado federal pelo PP do Ceará, José Linhares Ponte foi padre e usa a experiência de sacerdócio nas campanhas eleitorais. Foto: ReproduçãoDeputado federal pelo PP de Pernambuco até janeiro  de 2015, Roberto Teixeira é investigado no inquérito que envolve 37 pessoas. Foto: DivulgaçãoDeputado federal pelo PP de Santa Catarina até janeiro de 2015, João Alberto Pizzolatti Junior é alvo do inquérito que envolve outras 36 pessoas. Foto: Facebook/ReproduçãoDeputado federal pelo PP da Bahia até janeiro de 2015, Mário Negromonte foi ministro das Cidades durante o governo Dilma. Foto: WikimediaDeputado pelo PP do Maranhão, Waldir Maranhão é investigado no inquérito que envolve outras 36 pessoas. Foto: Facebook/ReproduçãoVice-governador da Bahia, comandada por Rui Costa (PT), João Leão foi deputado federal pelo PP do Estado. Foto: ReproduçãoDeputado federal pelo PP de Rondônia até janeiro de 2015, Carlos Magno Ramos foi secretário da Casa Civil do ex-governador  e hoje senador Ivo Cassol (PP). Foto: DivulgaçãoDeputado federal pelo PP da Bahia, Roberto Britto é investigado no inquérito que envolve outras 37 pessoas. Foto: Facebook/ReproduçãoDeputado federal pelo PP do Rio Grande do Sul, Renato Molling é investigado no inquérito que envolve 37 pessoas. Foto: Facebook/ReproduçãoDeputado federal pelo PP do Rio Grande do Sul, Luis Carlos Heinze é investigado no inquérito que envolve 37 pessoas. Foto: Facebook/ReproduçãoDeputado federal pelo PP do Tocantins, Lázaro Botelho é investigado no inquerito que envolve 37 pessoas. Foto: Facebook/ReproduçãoDeputado federal pelo PP de São Paulo, José Olímpio se apresenta como missionário da Igreja Mundial do Poder de Deus. Foto: Facebook/ReproduçãoDeputado federal pelo PP do Rio Grande do Sul, Afonso Hamm é investigado no inquérito que envolve outras 37 pessoas. Foto: Facebook/ReproduçãoDeputado federal pelo PP, Jerônimo Goergen foi vice-líder da bancada do PP na Câmara dos Deputados. Foto: Facebook/ReproduçãoDeputado federal pelo PP do Paraná, Dilceu Sperafico é investigado no inquérito que envolve outras 37 pessoas. Foto: Twitter/ReproduçãoDeputado federal pelo PP de Alagoas, Arthur Lira é filho de Benedito de Lira, também investigado na Lava Jato. Foto: Twitter/ReproduçãoDeputado pelo PP de Minas Gerais, Luiz Fernando Faria é investigado no inquérito que envolve 37 pessoas. Foto: ReproduçãoDeputado federal pelo PP de Pernambuco, Eduardo da Fonte foi segundo vice-presidente da Câmara e líder do PP na Casa. Foto: Divulgação

Alvo
Para dirigentes, o partido é “alvo do ódio” dos insatisfeitos com o governo que se manifestam nas ruas e, principalmente, nas redes sociais. Daí a ideia de se travar o debate virtual de forma mais intensa e investir em programas de TV que destacam mais as ideias que seus integrantes mais expressivos, ou seja, Lula e a presidente Dilma Rousseff.

No último fim de semana, antes de Vaccari ser preso, o partido comemorava o sucesso alcançado pela hashtag #AceitaDilmavez diante das manifestações contra o governo, que se mostraram mais arrefecidas. Durante duas horas no domingo, a expressão liderou o ranking dos assuntos mais comentados do Twitter, conhecido como trending topics, com 150 citações. A expressão chegou a alcançar o 2º lugar mundial na rede social.

“Foi uma grande vitória. A #AceitaDilmaVez teve o objetivo de demonstrar a força de nossa militância e mostrou. Garanto que não tinha robô. Até porque, se tivesse, com a raiva que a gente provocou na oposição, com certeza, isso já teria sido investigado e descoberto”, considera Alberto Cantalice, que comanda toda comunicação nas redes do PT.

Enquanto isso, também no fim de semana, o PT comemorou a queda nas citações contrárias. Levantamento da consultoria digital Bites demonstrou que até às 18h30 do último domingo, em comparação com o domingo, dia 15 de março, houve queda nas citações de expressões como “Manifestações” e “Impeachment”. Considerando as expressões manifestação, manifestações, protesto e protestos, o volume de citações caiu de 715.469 no dia 15 de março para 132.413 no dia 12 de abril (queda de 81,5%”. No caso da expressão “Impeachment”, o volume de citações caiu 78,6%. Passou de 107. 717 citações para 15.202.

“A batalha na rede social é importantíssima neste momento em que ela é usada como principal veículo de difusão aos ataques contra o governo e contra o PT, que vem de todos os lados. A gente não pode prescindir de ter um protagonismo na rede, já que temos uma militância muito numerosa e muito ativa”, justifica Cantalice. “Esta é uma concepção que já vinha sendo utilizada, funcionou durante a campanha e hoje, aliada à televisão, é a ferramenta mais importante para contestar esta mistificação que fazem do nosso partido”.

Programa de TV
Para enfrentar o desgaste provocado pela Lava Jato, o PT também fez mudanças significativas em sua comunicação pela TV. A começar pelo marqueteiro. Com João Santana, que comandou a campanha de Dilma, se dedicando a campanha presidencial na Argentina, cuja eleição está marcada para outubro, Maurício Carvalho assumiu o marketing petista na TV. Carvalho já foi diretor de criação na Polis, empresa de Santana, e hoje é dono da Malagueta.

O resultado da troca já pode ser observada nas inserções ocorridas no sábado último. “Fizemos mesmo um comercial, não vendemos um produto, vendemos nossa posição política”, disse Cantalice, sobre o programa que não colocou Dilma e Lula como protagonistas, como ocorreu no passado. “Não tinha deputados, senadores, não tinha Dilma. Não tinha Lula. Nós defendemos o governo, na medida em que falamos dos programas implantados”. Justificou.

Temas
Embora o tema da corrupção coloque o partido neste momento como alvo de ataques, o partido pretende seguir na ideia de lançar novas mobilizações virtuais e escolhe temas com potencial para empolgar os “simpatizantes”. Os assuntos mais mobilizadores elegidos pelo partido são os que combatem a chamada pauta conservadora imposta pelo Congresso. Já foram eleitos temas como as mobilizações contra a proposta que determina regras para a terceirização, em processo de votação na Câmara, a redução da maioridade penal, pautada também na Câmara. “Estes são assuntos que realmente mobilizam bastante nossos filiados e simpatizantes”, comentou Cantalice.

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Nas redes, a ordem é seguir a ideia de reaproximação com movimentos sociais e bater de frente com as “ideias conservadoras”. Neste contexto, o combate e a criminalização da homofobia é outra pauta considerada prioritária nas redes pelo PT. Para os coordenadores da comunicação do partido, o assunto faz os setores considerados conservadores reagirem imediatamente provocando um contraponto importante com as ideias defendidas institucionalmente pelo PT. “Faz os conservadores saírem do armário”, insistiu Cantalice.

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