Em longo documento, Rui Falcão ataca adversários do PT

Por Anderson Passos , iG São Paulo | - Atualizada às

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Presidente nacional do partido disse que assumirá todas as responsabilidades sobre o texto que foi produzido durante reunião do diretório nacional da sigla, nesta sexta-feira (17)

O presidente nacional do PT, Rui Falcão, divulgou, nesta sexta-feira (17), um documento produzido por ele e por outros dirigentes do partido no qual fez duros ataques à oposição e exaltou conquistas dos governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.

Rui Falcão fala à imprensa após reunião com integrantes da cúpula do diretório nacional petista
Anderson Passos/iG São Paulo
Rui Falcão fala à imprensa após reunião com integrantes da cúpula do diretório nacional petista

No texto, de sete páginas, Falcão assegura que assume todas as responsabilidades sobre ele e faz duros ataques à oposição, enfatizando, num primeiro momento, que o PT não se tornou alvo por seus erros e, sim, pelas políticas sociais que criou durante os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e de Dilma Rousseff. Ao mesmo tempo, no entanto, admite que o momento requer que se faça uma autocrítica, pois o PT se igualou a seus pares.

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"Não podemos ignorar que nossas falhas e insuficiências políticas também contribuíram para desgastar a imagem do partido, que passou a ser visto por muitos como uma legenda igual às outras, em descompasso com a sua história profundamente inovadora e com as expectativas que sempre despertamos na sociedade", diz o texto. "Para corrigir tais falhas sem abrir mão das enormes conquistas sociais que obtivemos e continuar impulsionando o País no rumo da prosperidade e da Justiça, é preciso fazer uma reflexão autocrítica e enfrentar com humildade e coragem os desafios atuais – como o PT sempre foi capaz de fazer ao longo de sua caminhada."

O documento ainda sustenta que o PT, desde que foi alçado ao poder em 2002, enfrenta uma campanha dos maiores veículos de imprensa do País, citando o Mensalão, em 2005, como exemplo.

“Nenhum outro partido sofreu uma campanha de desmoralização tão furiosa quanto a que se fez contra o PT ao longo daquela ação penal. Nada se fez, minimamente comparável, em relação a escândalos como a corrupção nas obras do Metrô nos governos do PSDB de São Paulo, ou do desvio de dinheiro público para campanhas eleitorais do PSDB e do DEM na Lista de Furnas e nos chamados mensalões de Minas e do Distrito Federal”, protesta o escrito.

Mais tarde, quando o tema corrupção é abordado, os petistas defendem que os mecanismos de combate à corrupção tiveram autonomia nos governos petistas, o que não ocorreu na Era Fernando Henrique Cardoso.

“Nosso compromisso de combater a corrupção nunca foi abstrato. Afirmamos, na prática, o princípio constitucional da autonomia do Ministério Público, respeitando as indicações para o cargo de Procurador-Geral da República definidas nas eleições da Associação Nacional do Ministério Público. Recorde-se que o procurador-geral do governo do PSDB arquivou 217 inquéritos criminais envolvendo autoridades e engavetou outros 242, de um total de 626 denúncias recebidas. Por isso era chamado, com toda razão, de engavetador-geral da República”.

Raiz do mal e a Lava Jato
O texto trata as doações de campanha feitas por empresas aos partidos como a raiz dos problemas de corrupção do País, da qual só o PT vem sendo criminalizado.

“A raiz do mal já poderia ter sido extirpada, desde 2014, se tivesse sido respeitada a vontade dos seis ministros do Supremo Tribunal Federal que votaram pela inconstitucionalidade do financiamento empresarial, em ação proposta pela Ordem dos Advogados do Brasil. O entendimento da maioria, no entanto, foi sobrestado pelo pedido de vistas de um único ministro, que vem manobrando declaradamente há mais de um ano para manter o status quo”,diz o texto numa crítica ao ministro do Supremo Gilmar Mendes, que há mais de um ano ainda não definiu o voto vista sobre a questão.

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Sem ter tido sucesso para implementar o financiamento público de campanhas eleitorais, o texto defende que o “o PT praticou, nos últimos anos, o que a legislação permite. Recebemos contribuições de empresas, dentro da lei, e fizemos campanhas caras, tão caras quanto as dos demais partidos, que nos criticam de maneira hipócrita”.

Num paralelo com os tucanos, o escrito afirma que nas eleições de 2014, o conjunto de 16 empresas citadas na Operação Lava Jato “fez contribuições a 19 partidos diferentes, no valor total de R$ 222 milhões. Os valores destinados ao PT e ao PSDB são muito semelhantes: R$ 56 milhões e R$ 54 milhões, respectivamente”.         

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