Decisão sobre novo tesoureiro e fim de doações de empresas estão no foco do PT

Por Anderson Passos , iG São Paulo |

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Diretório nacional faz reunião nesta sexta para tentar exorcizar noticiário negativo provocado pela prisão de Vaccari

Vaccari, que foi preso no início da semana em São Paulo
MARCELO CAMARGO/AGÊNCIA BRASIL

O diretório nacional do PT se reúne nesta sexta-feira (17), em São Paulo, e trabalha em duas frentes para aplacar o noticiário negativo que voltou a assombrar a legenda com a prisão do tesoureiro João Vaccari Neto, na última quarta-feira (15).

O diretório tem um quórum total de 81 integrantes e dois suplentes e avaliará três proposições. Além de chancelar a escolha de um substituto para Vaccari Neto na diretoria financeira e de planejamento, dois itens serão apresentados pela corrente Mensagem ao Partido: que o PT abra mão de receber doações partidárias oriundas de empresas e que integrantes do partido que sejam alvo de investigações no judiciário sejam preventivamente afastadas de suas funções.

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O objetivo é dar uma resposta à oposição de que o PT está lambendo suas feridas, cortando na própria carne e cobrando seus pares e fazer o mesmo. Isto porque, segundo lideranças como o líder na Câmara, Sibá Machado, "o dinheiro vem da mesma fonte. Por que só o PT é investigado?".

O líder faz coro ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva que, na última terça-feira, em evento da CUT em Guarulhos, disse que o PSDB não buscava dinheiro "na quermesse" e sim nas grandes empresas, como todos os partidos.

Ainda não há consenso sobre o nome que pode ser alçado à tesouraria. Citado pelo jornal "Folha de S.Paulo", o deputado estadual e Secretário Nacional de Comunicação José Américo esquivou-se de qualquer favoritismo, mas deixou em aberto a pergunta se aceitaria ou não a função.

Para a Mensagem ao Partido, duas condicionantes são essenciais: que seja um quadro "acima de qualquer suspeita" e que desde logo apoie a iniciativa do grupo de não receber recursos de pessoas jurídicas, tema caro ao partido desde o mensalão de 2005 e agora na Lava Jato.

O nome a ser sugerido deve ser oriundo do grupo que tem maior presença no Diretório e na Executiva nacionais - a corrente Partido que Muda o Brasil.

Dinheiro "sujo" e embate à vista
Um tema que deve ser aprovado sem maiores problemas é a proposta em torno do fim de doações ao PT que tenham origem em empresas uma vez que a proposta vai de encontro a uma bandeira adotada pelo partido depois do mensalão: o fim do financiamento privado de campanhas eleitorais.

Carlos Henrique Árabe, da Mensagem ao Partido, não soube responder como o PT se sustentaria sem as contribuições empresariais para custear, por exemplo, dívidas de campanhas eleitorais. Num primeiro momento, sugeriu que os filiados do PT deveriam ajudar financeiramente a legenda.

Só a campanha de Alexandre Padilha ao governo do Estado de São Paulo deixou um saldo devedor de R$ 32 milhões em 2014.

Outra proposta que a Mensagem vai apresentar é o afastamento de petistas investigados pela Justiça. A iniciativa tende a perder força já que a prisão de Vaccari Neto, alvo principal do projeto, acabou ocorrendo antes de qualquer decisão na esfera partidária.

Quem está na mesma situação é o líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE). "É muito difícil essa medida atingir o senador porque além de ser líder do partido no Senado, ele também tem assento no Diretório", admitiu uma fonte da Mensagem ao Partido.

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