Relembre as principais prisões da operação Lava Jato

Por BBC | - Atualizada às

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Operação tem surpreendido o mundo jurídico e o país em geral pelo alcance de suas prisões, decretadas pelo juiz Sergio Moro

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O pesadelo da Operação Lava Jato para o PT atingiu nova dimensão nesta quarta-feira, com a prisão do secretário nacional de Finanças do partido, João Vaccari Neto.

À noite, o PT anunciou seu afastamento do cargo, após solictação do próprio tesoureiro devido a impossibilidade prática de exercer sua função da prisão.

Vaccari já é réu em processo na Justiça Federal do Paraná que investiga as denúncias da Lava Jato. Ele é suspeito de ter recebido propina em esquema de corrupção que desviou recursos da Petrobras.

A Operação Lava Jato tem surpreendido o mundo jurídico e o país em geral pelo alcance de suas prisões, decretadas pelo juiz Sergio Moro, titular da 13ª Vara Criminal de Curitiba.

Foram mais de 70 mandados de prisão preventiva ou temporária expedidos em pouco mais de um ano de operação – Polícia Federal e Ministério Público Federal não sabem precisar o total e quantos seguem presos.

Advogados de defesa têm acusado o magistrado de abuso no uso desses instrumentos, com objetivo de pressionar os suspeitos para colaborar nas investigações. Por exemplo, defensores dos executivos questionam o argumento de que seus clientes poderiam cometer novos crimes, pois a Petrobras suspendeu os contratos com as empresas suspeitas de participar do esquema.

Em um recurso ao STJ, a defesa do ex-diretor de Engenharia e Serviços da Petrobras Renato Duque argumentou que a prisão é uma "medida excepcional" e que a Justiça está "invertendo a regra do jogo para torturar, de maneira psicológica, jurisdicionados presumidamente inocentes". Ele foi solto na ocasião, mas teve nova prisão decretada um mês depois.

Em artigo publicado no ano passado no jornal Folha de S.Paulo, Moro defendeu o uso das prisões antes de julgamentos: "Presentes evidências claras de crimes de corrupção, não se deve permitir o apelo em liberdade do condenado, salvo se o produto do crime tiver sido integralmente recuperado. Não é antecipação da pena, mas reflexão razoável de que, se o condenado mantém escondida fortuna amealhada com o malfeito, o risco de fuga ou de nova ocultação do produto do crime é claro e atual".

Relembre as principais prisões da Operação Lava Jato até o momento.

17 de março de 2014 - doleiro Alberto Youssef
A Operação Lava Jato teve início com objetivo de apurar um megaesquema de lavagem de dinheiro associado a crimes como tráfico de drogas, contrabando de pedras preciosas, desvio de dinheiro público e corrupção. Em sua primeira fase, foram decretados 18 mandados de prisão preventiva e dez mandados de prisão temporária que tinham como alvo "importantes personagens do mercado clandestino de câmbio no Brasil".

Neste primeiro momento, foi preso o doleiro Alberto Youssef, que se revelou um dos atores centrais do escândalo da Petrobras. Em setembro, ele deixou a prisão após fechar acordo de delação premiada – instrumento que o acusado aceita colaborar nas investigações em troca de punições mais brandas.

Youssef deixou a prisão em Curitiba em setembro do ano passado
Agencia Brasil/reprodução
Youssef deixou a prisão em Curitiba em setembro do ano passado

20 de março de 2014 – ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa

Três dias após as primeiras prisões, é a vez de Paulo Roberto Costa, ex-diretor de abastecimento da Petrobras, ser preso sob a suspeita de destruir e ocultar documentos.

Em março ele havia ganhado um carro de luxo de Youssef e, por isso, virou alvo da operação Lava Jato. Costa já era investigado pelo Ministério Público Federal no Rio de Janeiro por suspeitas de irregularidades na compra da refinaria de Pasadena, no Texas, em 2006, pela Petrobras.

Costa é solto no dia 19 de maio por decisão do ministro do STF Teori Zavascki, mas volta a ter sua prisão decretada em 11 de junho, sob a justificativa de que ocultou que controlava contas na Suíça com saldo de US$ 23 milhões.

Em agosto, deixa novamente a prisão após aceita um acordo de delação premiada.

Costa foi diretor da Petrobras entre de 2004 a 2012 por indicação do PP, partido que, até o momento, tem maior número de políticos acusados de envolvimento no esquema.

14 de novembro de 2014 - executivos de empreiteiras e o ex-diretor da Petrobras Renato Duque

Em novembro, as prisões voltam a surpreesder o país ao atingirem executivos de grandes empresas. Foram 27 mandados de prisão, contra pessoas graduadas de 27 empresas, incluindo o presidente da OAS, José Aldemário Pinheiro Filho; o diretor-superintendente para a área de petróleo e gás da empreiteira, Agenor Mendeiros; o presidente da UTC/Constran, Ricardo Pessoa; o vice da Engevix, Gerson Almada; o diretor técnico da mesma, Newton Prado Júnior; um integrante do conselho de administração da Camargo Corrêa, João Auler; e seu vice-presidente, Eduardo Leite. No mesmo dia, foi detido também o ex-diretor de Engenharia e Serviços da Petrobras Renato Duque – ele foi acusado por Costa, em sua delação premiada, de ter sido beneficiado pelo esquema de suborno. Duque chegou a ser solto posteriormente, mas foi novamente preso em fevereiro. Apontado como operador do PMDB no esquema da Petrobras, Fernando Soares, o Fernando Baiano, também teve sua prisão decretada em 14 de novembro e se entregou quatro dias depois.

14 de janeiro de 2015 - ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró

O ex-diretor da área internacional da Petrobras Nestor Cerveró foi preso ao desembarcar de um voo de Londres no aeroporto do Galeão no Rio. Ele já havia sido denunciado pelo Ministério Públio de ter cobrado propinas para fechar contratos da estatal.

Sua prisão foi justificada porque haveria indícios de que ele continuava a cometer crimes e teria transferido bens (como recursos e imóveis) para parentes seus.

Durante o período que Cerveró foi diretor da área internacional Petrobras, entre 2003 e 2008, a estatal comprou a refinaria de Pasadena, no Texas, em 2006, negócio que hoje é alvo de investigações.

10 de abril de 2015 - três ex-deputados

Na última sexta-feira, foram presos três ex-deputados acusados de se beneficiar do esquema de corrupção na Petrobras: André Vargas (ex-parlamentar do PT), Luiz Argôlo (SDD-BA) e Pedro Corrêa (PP-PE).

Vargas e Argôlo perderam seus mandatos após as denúncias da Lava Jato. Corrêa já foi condenado no processo do Mensalão e cumpria pena em regime semiaberto em Pernambuco, tendo sido tranferido para a carceragem da PF em Curitiba.

15 de abril de 2015 – tesoureiro do PT, João Vaccari Neto

A crise atinge ainda mais fundo o PT com a prisão do secretário nacional de finanças do partido, João Vaccari Neto.

O tesoureio já é réu em uma ação aberta em decorrência das investigações da Lava jato.

O ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco – que fechou um acordo de delação premiada e não chegou a ser preso por isso - disse que se reuniu com Vaccari para tratar do pagamento de propina ao PT no esquema de desvio de dinheiro.

Segundo Barusco, o partido teria recebido entre US$ 150 milhões e US$ 200 milhões entre 2003 e 2013 de propina retirada dos 90 maiores contratos da Petrobras.

Vaccari nega que as doações de empresas ao partido sejam ilegais.

Veja os políticos que estão na lista da Operação Lava Jato

Antes de aparecer na lista de Janot, Renan Calheiros disse que não conhecia Youssef ou envolvidos na Lava Jato. Foto: Câmara dos Deputados/Gustavo LimaO ex-presidente e senador pelo PTB de Alagoas, Fernando Collor, é acusado de ter recebido dinheiro de Yousseff. Foto: ReproduçãoPresidente da Câmara, Eduardo Cunha está entre os que serão investigados na Lava Jato. Foto: Gustavo Lima / Câmara dos DeputadosSenador pelo PMDB do Maranhão e ex-ministro das Minas e Energia de Dilma, Edison Lobão é investigado em inquérito que envolve a ex-governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB). Foto: CÉLIO AZEVEDO/AGÊNCIA SENADO - 15.5.2007Senadora pelo PT do Paraná ex-ministra da Casa Civil de Dilma, Gleisi Hoffman foi citada em delação premiada da Lava Jato. Foto: FacebookAlvo de inqúerito, Antônio Anastasia é senador pelo PSDB de Minas Gerais,  ex-governador do Estado e foi coordenador de campanha de Aécio à Presidência. Foto: daniel de cerqueira - 7.11.2014Senador pelo PP do Piauí, Ciro Nogueira teve dois inquéritos arquivados, mas é alvo de um terceiro, que envolve outras 36 pessoas. Foto: Agência BrasilLindberg Farias, senador pelo PT do RJ, é suspeito de ter pedido dinheiro a Paulo Roberto Costa. Foto: Futura PressEx-governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB) é citada também no inquérito contra o senador Edison Lobão (PMDB-MA). Foto: BETO BARATA/AGência ESTADO - 4.1.2011Deputado pelo PP da Paraíba, Aguinaldo Ribeiro fio ministro das Cidades durante o governo Dilma. Foto: DivulgaçãoVilson Covatti foi deputado federal pelo PP do Rio Grande do Sul até janeiro de 2015. Foto: Facebook/ReproduçãoDeputado federal pelo PT de São Paulo e ex-líder do governo Lula, Cândido Vaccarezza teria recebido R$ 400 mil em propina. Foto: Agência BrasilAlvo de inquérito, Humberto Costa é senador pelo PT de Pernambuco e foi ministro da Saúde durante o governo Lula. Foto: DivulgaçãoSenador pelo PMDB de Roraima, Romero Jucá foi líder dos governos FHC e Lula. Foto: Agência SenadoSenador pelo PMDB de Rondônia, Valdir Raupp foi governador de Rondônia e líder do partido. Foto: DivulgaçãoEx-ministro da Casa Civil de Dilma Rousseff, Antônio Palocci terá suas condutas investigadas pela Polícia Federal no Paraná, para onde o STF mandou o inquérito. Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil - 2.1.11Tesoureiro do PT, João Vaccari Neto é alvo do processo que envolve 37 pessoas. Foto: Agência BrasilDeputado federal pelo PP de Mato Grosso, Pedro Henry foi condenado no processo do mensalão. Foto: Agência BrasilDeputado federal pelo PMDB do Ceará, Aníbal Gomes é investigado no inquérito que envolve 37 pessoas. Foto: Divulgação/Governo Municipal de AcaraúDeputado federal pelo PP do Rio de Janeiro, Simão Sessim ocupa o cargo desde a década de 1970. Foto: Agência CâmaraEx-deputado federal pelo PP de Pernambuco, teve seu mandato cassado na esteira do escândalo do mensalão. Foto: Agência BrasilDeputado federal pelo Solidariedade da Bahia, Luiz Argôlo chegou a ter sua cassação aprovada pelo Conselho de Ética da Câmara. Foto: Agência CâmaraDeputado federal pelo PP do Paraná, Nelson Meurer é presidente do partido no Estado. Foto: Agência CâmaraDeputado pelo PP do Acre, Gladson Cameli é investigado no inquérito que envolve 37 pessoas. Foto: Agência CâmaraDeputado federal pelo PP de Goiás, Roberto Balestra é investigado no maior inquérito, que envolve 37 pessoas. Foto: DivulgaçãoDeputado federal pelo PP de Goiás, Sandes Júnior, é alvo do maior inquérito da Operação, com 37 investigados. Foto: DivulgaçãoDeputado federal pelo PT do Mato Grosso, Vander Loubet é investigado em inquérito que inclui o deputado Cândido Vaccarezaa (PT-SP). Foto: DivulgaçãoSenador pelo PP do Piauí, Ciro Nogueira teve dois inquéritos arquivados, mas é alvo de um terceiro, que envolve outras 36 pessoas. Foto: DivulgaçãoDeputada federal pelo PP de São Paulo, Aline Corrêa consta da lista de 37 investigados de um dos inquéritos da Lava Jato. Foto: Agência CâmaraSenador pelo PP de Alagoas, Benedito de Lira iniciou sua carreira política no extinto Arena, que apoiava a ditadura militar. Foto: DivulgaçãoDeputado federal pelo PT de São Paulo, José Mentor foi líder estudantil contrário à ditadura militar. Foto: DivulgaçãoDeputado federal pelo PP do Rio Grande do Sul, José Otávio Germano é alvo de dois pedidos de instauração de inquérito. Foto: DivulgaçãoDeputado federal pelo PP do Ceará, José Linhares Ponte foi padre e usa a experiência de sacerdócio nas campanhas eleitorais. Foto: ReproduçãoDeputado federal pelo PP de Pernambuco até janeiro  de 2015, Roberto Teixeira é investigado no inquérito que envolve 37 pessoas. Foto: DivulgaçãoDeputado federal pelo PP de Santa Catarina até janeiro de 2015, João Alberto Pizzolatti Junior é alvo do inquérito que envolve outras 36 pessoas. Foto: Facebook/ReproduçãoDeputado federal pelo PP da Bahia até janeiro de 2015, Mário Negromonte foi ministro das Cidades durante o governo Dilma. Foto: WikimediaDeputado pelo PP do Maranhão, Waldir Maranhão é investigado no inquérito que envolve outras 36 pessoas. Foto: Facebook/ReproduçãoVice-governador da Bahia, comandada por Rui Costa (PT), João Leão foi deputado federal pelo PP do Estado. Foto: ReproduçãoDeputado federal pelo PP de Rondônia até janeiro de 2015, Carlos Magno Ramos foi secretário da Casa Civil do ex-governador  e hoje senador Ivo Cassol (PP). Foto: DivulgaçãoDeputado federal pelo PP da Bahia, Roberto Britto é investigado no inquérito que envolve outras 37 pessoas. Foto: Facebook/ReproduçãoDeputado federal pelo PP do Rio Grande do Sul, Renato Molling é investigado no inquérito que envolve 37 pessoas. Foto: Facebook/ReproduçãoDeputado federal pelo PP do Rio Grande do Sul, Luis Carlos Heinze é investigado no inquérito que envolve 37 pessoas. Foto: Facebook/ReproduçãoDeputado federal pelo PP do Tocantins, Lázaro Botelho é investigado no inquerito que envolve 37 pessoas. Foto: Facebook/ReproduçãoDeputado federal pelo PP de São Paulo, José Olímpio se apresenta como missionário da Igreja Mundial do Poder de Deus. Foto: Facebook/ReproduçãoDeputado federal pelo PP do Rio Grande do Sul, Afonso Hamm é investigado no inquérito que envolve outras 37 pessoas. Foto: Facebook/ReproduçãoDeputado federal pelo PP, Jerônimo Goergen foi vice-líder da bancada do PP na Câmara dos Deputados. Foto: Facebook/ReproduçãoDeputado federal pelo PP do Paraná, Dilceu Sperafico é investigado no inquérito que envolve outras 37 pessoas. Foto: Twitter/ReproduçãoDeputado federal pelo PP de Alagoas, Arthur Lira é filho de Benedito de Lira, também investigado na Lava Jato. Foto: Twitter/ReproduçãoDeputado pelo PP de Minas Gerais, Luiz Fernando Faria é investigado no inquérito que envolve 37 pessoas. Foto: ReproduçãoDeputado federal pelo PP de Pernambuco, Eduardo da Fonte foi segundo vice-presidente da Câmara e líder do PP na Casa. Foto: Divulgação


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