Tesoureiro do PT, João Vaccari Neto foi preso na manhã desta quarta-feira (15) pela PF em nova etapa da Operação Lava Jato

O tesoureiro do PT João Vaccari Neto foi preso na manhã desta quarta-feira (15) pela Polícia Federal na 12ª fase da Operação Lava Jato. Vaccari foi detido no momento em que saía de casa para fazer uma caminhada em São Paulo.

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Vaccari é acusado de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, com base em depoimentos de delatores da operação. Eles afirmam que o tesoureiro intermediou doações de propina em contratos com fornecedores da Petrobras e que o dinheiro foi usado para financiar campanhas políticas.

Para o Ministério Público Federal, Vaccari tinha papel semelhante ao do doleiro Alberto Youssef, como uma espécie de operador do esquema de fraudes em contratos da Petrobras e de empresas de publicidade com órgãos públicos. “A posição de João Vaccari é muito semelhante no sentido de que ele aparece como operador, representante de um esquema político-partidário dentro da Petrobras”, disse o procurador.

Vaccari foi citado como intermediário de pagamento de propinas oriundas de contratos superfaturados da Petrobras pelos ex-diretores da estatal Paulo Roberto Costa e Pedro Barusco, pelo doleiro Alberto Youssef, pelo empreiteiro Júlio Camargo, e pelo executivo da empresa Toyo Setal Augusto Mendonça.

Segundo as investigações, essas empresas eram forçadas a emitir notas fiscais falsas para dar legalidade a pagamento de altos valores. “Verificamos o pagamento para uma gráfica com a ausência da prestação de serviço. Isso nós já temos comprovado. São notas bem genéricas, em que constam apenas serviços gráficos”, explicou o procurador Carlos Santos Lima.

Em entrevista coletiva, o procurador de Justiça Carlos Fernandes Santos Lima afirmou que foi descoberta uma série de depósitos "não identificados" em contas de parentes do tesoureiro do PT. Ele disse que há prova documental contra Vaccari, de um pagamento feito a uma gráfica por serviços não prestados. Ao longo de três anos foram encontrados depósitos de mais de R$ 300 mil.

Segundo o delegado da Polícia Federal Igor de Paula, os dados que envolveriam Vaccari no esquema de corrupção ainda estão sendo recolhidos, mas o que se sabe até agora já justifica a prisão preventiva. Ainda de acordo com o delegado, a característica de reiteração criminosa dele é bem clara, até num tom de desafio as instituições. “Nem uma ação penal da Justiça de São Paulo, em 2010, o intimidou em nada”, frisou. 

A mulher de Vaccari, Giselda Rose Lima, e a cunhada dele, Marice Correia Lima, também foram alvos da 12ª fase da Lava Jato. Contra a mulher de Vaccari foi expedido mandado de condução coercitiva. Contudo, ela foi ouvida pelos agentes em casa. Em relação a Marice Correia Lima, o juiz federal Sérgio Moro, responsável pelos processos decorrentes da Lava Jato, expediu mandato de prisão temporária. Ela ainda não foi localizada pela Polícia Federal.

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