Anunciada ao iG pelo líder do movimento “Vem Pra Rua”, a união exclui grupos favoráveis a intervenção militar

No dia em que voltou a reunir milhares de pessoas em protesto contra o governo na Avenida Paulista (uma concentração menor de participantes do que se viu no ato de 15 de março), os movimentos anti-Dilma Rousseff anunciaram uma aliança com o objetivo de fortalecer suas demandas.

Rogério Chequer, líder do
David Shalom/iG São Paulo
Rogério Chequer, líder do "Vem Pra Rua", no protesto desse domingo (12)

Encabeçada pelos principais movimentos organizadores dos atos, Chequer afirma que a aliança será composta por mais de 50 grupos.

"A aliança dos grupos está melhorando muito. Cada vez mais o povo vê que nosso pedido de mudar a realidade atual é legitima", diz ao iG Rogerio Chequer, líder do "Vem Pra Rua, no caminhão do movimento, neste domingo (12), em São Paulo. "Vamos fazer várias ações além de convocar milhares às ruas. Panelaços, palestras, entre outras coisas." 

Entre os grupos que fariam parte da aliança, Chequer incluiu a adesão do "Movimento Brasil Livre", o que foi negado por Kim Kataguiri, um dos líderes do MBL. "Acho que nem existem 50 grupos", diverte-se Kataguiri.

A adesão às manifestações contra Dilma Rousseff neste domingo foi menor que a dos protestos de 15 de março . Em São Paulo, os grupos reuniram 275 mil manifestantes neste domingo, de acordo com a PM. O número é 72,5% menor que a estimativa da polícia no último dia 15 de março, que era de 1 milhão de manifestantes. 

Ainda assim, o MBL anunciou que fará uma marcha a Brasília no próximo dia 17 de abril, saindo da Praça Panamericana, em São Paulo. 

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Racha na pauta

A aliança é anunciada pouco mais de uma semana depois de o iG mostrar em reportagem que a divergência de pautas vinha gerando um racha entre os grupos anti-Dilma. Até a última segunda-feira (6), o “Vem Pra Rua” se dizia um movimento contra a corrupção, sem assumir a bandeira pró-impeachment. Lideranças do “MBL” e dos “Revoltados Online” chegaram a afirmar que, devido a isso, o grupo vinha sendo prejudicial aos protestos, colaborando até para esvaziá-los futuramente por falta de unidade.

"Eles conseguem ser tão negativos para nós quanto os favoráveis à intervenção militar", afirmou na ocasião Kim Kataguiri, um dos coordenadores do “MBL”.

Há poucos dias, no entanto, o “MBL” abraçou a pauta "fora Dilma", aproximando os críticos que já pediam isso ao grupo de Chequer há tempos.  

"Já chegou a hora do Congresso começar a analisar o impeachment ou mesmo ações comuns contra a Dilma. A população exige isso e é preciso investigar, queremos isso, exigimos isso. Se os membros do Congresso, ministros e a presidente fizeram coisas errada eles têm de ser investigados. O nosso "Fora Dilma" é baseado no fato de que, com o que já analisamos, é possível pedir a saída legitima da presidente.”, finalizou Chequer.

Sobre a aliança com os outros movimentos, Renan, do “MBL”, afirmou: "Somos todos aliados. Estamos em 180 cidades, quem defende o impeachment está com a gente. Todas as capitais estão se manifestando. Até no Acre. Cidades pequenas no Norte e Nordeste. O movimento anti-pt se espalhou no Brasil. A gente pode dizer que o PT uniu o Brasil. Porque todo mundo odeia ele.", finalizou.

Apenas para democráticos

A aliança não abrange todos os grupos que participaram dos mais recentes atos contra a presidente. Comandado por Renato Tamaio, o “SOS Forças Armadas”, está vetado de se unir aos outros grupos, assim como qualquer movimento em prol de "intervenção, golpismo ou separatismo", pontua Chequer.

O descontentamento com a pauta pro-militares chegou a levar o “MBL” a entrar com uma ação na Justiça para impedir o “SOS Forças Armadas” de participar do ato deste domingo. O grupo, no entanto, marcou presença, mas bem distante dos principais movimentos que pedem a saída da presidente do poder.

"São ridículos que não somam em nada aos protestos e, pior, acabam os prejudicando", resume Marcello Reis, do “Revoltados Online”.

“Quarta-feira tivemos reunião no comando da Polícia Militar, COPOM, e o grupo “S.O.S Forças Armadas” assumiu o compromisso de ficar na Al. Campinas, a cerca de 400 metros de nós. Assim, nossa ação atingiu o objetivo de assegurar nossa livre manifestação. Importante lembrar que respeitamos o direito deles de manifestar desde que não frustrem nosso direito”, disse o advogado Rubens Alberto Nunes, coordenador jurídico do “MBL”.

Apoio ao movimento

Para o líder do movimento "Vem Pra Rua", a manifestação deste domingo (12) é gigante: "É o segundo protesto gigantesco contra esse governo. Pra mim, tem tanta gente quanto no dia 15", disse Chequer.

"Temos milhares de voluntários no Brasil inteiro, de empresários à trabalhadores, que trabalham com a gente sem cobrar um tostão pra ajudar a unir tanta gente. Os brasileiros estão indignados e estão doando de boa vontade, querem doar dinheiro pra nos ajudar nesta luta". Segundo Chequer, dois caminhões foram alugados por cerca de 20 mil reais. 


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