Em Brasília, Dilma é alvo principal, mas divide hostilidade com outros políticos

Por Marcel Frota - iG Brasília | - Atualizada às

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Manifestantes protestam também contra parlamentares, o vice-presidente da República e contra ministros do Supremo

“Pede para sair”, “Perda Total” e “A culpa é das estrelas” foram os adesivos mais comuns usados pelos manifestantes que ocuparam parte da Esplanada dos Ministérios para protestar contra a presidente Dilma Rousseff (PT). Os adesivos adornavam as camisetas da seleção brasileira de futebol e davam uma nova roupagem ao uniforme da Confederação Brasileira de Futebol que nos tempos atuais é usada como ferramenta de protesto.

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Em Brasília, embora tenham sido o alvo preferencial, Dilma e o PT não foram os únicos a ser hostilizados pelos manifestantes. O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o vice-presidente, Michel Temer (PMDB), e o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Dias Toffoli, e o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, também foram lembrados. 

Além do leque diverso de xingamentos, a manifestação esteve longe de ser uma massa homogênea com uma pauta comum. Alguns não tiveram vergonha de defender um golpe militar para depor a presidente. O discurso foi camuflado sob a roupagem de “intervenção militar constitucional”. Não foi defendido pela maioria e seus partidários acabaram, por diversas vezes, discutindo com outros manifestantes. A maioria defendeu a tese de impeachment baseado em dois eixos principais: Dilma estaria mentindo sobre o que de fato saberia sobre a corrupção na Petrobrás e a presidente teria mentido durante a campanha, prometendo uma plataforma contrária ao que estaria aplicando neste segundo mandato. 

“(O Impeachment) é um pedido legítimo, mas não acho que isso vá de fato acontecer”, afirmou o servidor público Leonardo Martins, 36 anos. Ele veio ao protesto junto com a família e diz que se pudesse sintetizar seu protesto faria com contra o Foro de São Paulo, organização que reúne governos e partidos de esquerda. “Eles tentam tomar o poder e prevalecer no poder contra a própria moral”, afirma. Ele critica a corrupção e reconhece que o problema não é novo. “Acho que tinha antes, mas o PT levou isso a níveis nunca vistos. E se fosse o PSDB que estivesse no poder agora, estaria aqui do mesmo jeito”, declara ele.

Impechament x intervenção militar

O grupo mais radical, que pedia “intervenção militar constitucional” acabou tendo seu argumento rejeitado por diversos manifestantes que sinalizavam negativamente ao discurso. Houve troca de insultos e enquanto os radicais acusavam os que não aceitavam suas teses de “petistas infiltrados” os segundo grupo os classificava de oportunistas. Embora tenham batido boca em diversos momentos da passeata pela Esplanada, não houve agressão. 

Esse grupo mais radical gritava, do alto de um dos três carros de som presentes à manifestação palavras de baixo calão contra políticos diversos. Dilma e o PT eram os alvos mais frequentes, mas muitos outros políticos foram lembrados, como Cunha, Renan Calheiros (PMDB-RN) e Temer. Esse segmento rejeita a tese de impeachment pregando a ruptura com o sistema e os modelos atuais. Indignado, o engenheiro Sergio Pimentel, 60 anos, foi um dos que peitou os radicais. “Isso é um bando de oportunistas querendo intervenção militar. O Brasil já passou por essa m… Forças Armadas no Brasil não protege nada, só mama nas tetas da nação, como os políticos”, criticou ele. 

“Isso é um movimento da sociedade. Não tem partido, não tem político. Político que se vende presidente que mente… temos de mudar isso. Aí vêm esses oportunistas aqui pedindo intervenção militar e se dizendo parte do movimento. Não são e não tem nenhuma legitimidade de estar aqui”, acrescenta Pimentel, que diz defender um processo de impeachment contra a presidente, mas com o amplo direito a defesa dela durante esse processo.  

Rogério Figueiredo da Silva, servidor público, 41 anos, trouxe os filhos para o protesto e também criticou o radicalismo. “Intervenção militar nunca”, diz ele. “Acho que são jovens malucos que não sabem o que estão pedindo. É melhor o PT no poder do que intervenção militar, ainda que eu seja totalmente avesso ao PT, sou anti-PT”, declara Silva. Ele conta que esteve na última manifestação com a mulher e os dois filhos. Perguntado sobre o tamanho da passeata deste domingo em relação ao anterior, disse achar que a de agora foi menor. “Acho que marcaram muito em cima uma manifestação da outra, mas acho que a indignação é a mesma de antes”, avalia. 

Juca Chaves e esposa em manifestação contra Dilma em São Paulo. Foto: AGNews-SPJuca Chaves e esposa em manifestação contra Dilma em São Paulo. Foto: AGNews-SP Movimento Brasil Livre faz manifestação na Esplanada dos Ministérios em Brasília. Foto: ALAN SAMPAIO/iG BRASILIA Movimento Brasil Livre faz manifestação na Esplanada dos Ministérios em Brasília. Foto: ALAN SAMPAIO/iG BRASILIA Movimento Brasil Livre faz manifestação na Esplanada dos Ministérios em Brasília. Foto: ALAN SAMPAIO/iG BRASILIA Movimento Brasil Livre faz manifestação na Esplanada dos Ministérios em Brasília. Foto: ALAN SAMPAIO/iG BRASILIA Movimento Brasil Livre faz manifestação na Esplanada dos Ministérios em Brasília. Foto: ALAN SAMPAIO/iG BRASILIA Movimento Brasil Livre faz manifestação na Esplanada dos Ministérios em Brasília. Foto: ALAN SAMPAIO/iG BRASILIA Movimento Brasil Livre faz manifestação na Esplanada dos Ministérios em Brasília. Foto: ALAN SAMPAIO/iG BRASILIA Movimento Brasil Livre faz manifestação na Esplanada dos Ministérios em Brasília. Foto: ALAN SAMPAIO/iG BRASILIAManifestação contra o governo na Avenida Paulista, São Paulo
. Foto: David Shalom/iG São PauloDeputado Bolsonaro é ovacionado por manifestantes em São Paulo. Foto: Maíra Teixeira/iGManifestação contra o governo na Avenida Paulista, São Paulo
. Foto: David Shalom/iG São PauloManifestação contra o governo na Avenida Paulista, São Paulo
. Foto: Paulo Pinto/ Fotos PúblicasManifestação contra o governo na Avenida Paulista, São Paulo
. Foto: Paulo Pinto/ Fotos PúblicasManifestação contra o governo na Avenida Paulista, São Paulo
. Foto: Paulo Pinto/ Fotos PúblicasManifestação contra o governo na Avenida Paulista, São Paulo
. Foto: Paulo Pinto/ Fotos PúblicasManifestação contra o governo na Avenida Paulista, São Paulo
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. Foto: Paulo Pinto/ Fotos PúblicasDiversos grupos protestam contra o governo na praia de Copacabana, zona sul do Rio. Foto: Tomaz Silva/Agência BrasilDiversos grupos protestam contra o governo na praia de Copacabana, zona sul do Rio. Foto: Tomaz Silva/Agência BrasilManifestação contra o governo na Avenida Paulista, São Paulo . Foto: David Shalom/iG São PauloManifestação contra o governo na Avenida Paulista, São Paulo . Foto: David Shalom/iG São PauloManifestação contra o governo na Avenida Paulista, São Paulo . Foto: David Shalom/iG São PauloManifestação contra o governo na Avenida Paulista, São Paulo . Foto: David Shalom/iG São PauloCom diária de R$ 8 mil, caminhão de som foi pago por cerca de 40 integrantes do Revoltados Online. Foto: Maíra Teixeira/iGCaixão com bandeira do Brasil é levado por manifestante, durante protesto na Praça da Bíblia, em Goiânia. Foto: Reprodução/InstagramFoto de Francieli Juliani mostra as manifestações em Brasília. Foto: Reprodução/InstagramMovimento #TôNaRua acompanha os protestos em Brasília. Foto: Reprodução/InstagramMulher exibe cartaz durantes as manifestações de 12 de abril. Foto: Reprodução/InstagramFoto de Helena Verônica Drabzi mostra os protestos em Copacabana, Rio de Janeiro. Foto: Reprodução/InstagramManifestação contra o governo na Avenida Paulista, São Paulo
. Foto:  Paulo Pinto/ Fotos PúblicasManifestação contra o governo na Avenida Paulista, São Paulo
. Foto:  Paulo Pinto/ Fotos PúblicasManifestação contra o governo na Avenida Paulista, São Paulo
. Foto:  Paulo Pinto/ Fotos PúblicasManifestação contra o governo na Avenida Paulista, São Paulo
. Foto:  Paulo Pinto/ Fotos PúblicasApesar do sol forte, os manifestantes aderiram ao protesto deste domingo (12) em Brasília. Foto: Alan Sampaio / iG BrasíliaBrasília: como se viu no protesto de 15 de março, os manifestantes adoraram o verde e o amarelo. Foto: ALAN SAMPAIO/iG BRASILIAEm Brasília, o acesso dos manifestantes à Praça dos Três Poderes foi bloqueado pela polícia. Foto: Alan Sampaio / iG BrasíliaFaixas e cartazes contra o governo foram o principal acessório dos manifestantes em Brasília. Foto: Alan Sampaio / iG BrasíliaEm Brasília, manifestantes se reuniram na Esplanada dos Ministérios. Foto: Alan Sampaio / iG BrasíliaEm Brasília, a segurança do protesto contra o governo foi reforçada com cerca de 2 mil policiais. Foto: Alan Sampaio / iG BrasíliaBrasília: roupas nas cores nacionais e o Hino do Brasil fizeram parte da manifestação. Foto: Alan Sampaio / iG BrasíliaEm Brasília, os manifestantes partiram da Praça do Museu em direção a Esplanada dos Ministérios. Foto: Alan Sampaio / iG BrasíliaAldeia antiga no México está encoberta por seis metros de lava
. Foto: INAHBrasília: maioria pediu a saída de Dilma e o fim da corrupção. Foto: ALAN SAMPAIO/iG BRASILIAAo todo, 3 mil militares foram mobilizados para acompanhar as manifestações em Brasília. Foto: Valter Campanato/Agência BrasilO ato organizado pelas redes sociais transcorre em clima pacífico, com muito pais acompanhados dos filhos também em Brasília. Foto: Valter Campanato/ABrA população de todo o Brasil sai as ruas, pela segunda vez, para protestar contra o governo federal. Em Brasília, protesto começou pela manhã. Foto: Valter Campanato/ Agência BrasilCerca de mil  pessoas, segundo a Polícia Militar do Distrito Federal, se concentram na manhã deste domingo (12) na Praça do Museu, região central de Brasília. Foto: Rafaela Felicciano/JBrprotestos fora dilma 12 de abril bahia. Foto: iG Bahiaprotestos fora dilma 12 de abril bahia. Foto: iG Bahiaprotestos fora dilma 12 de abril bahia. Foto: iG Bahiaprotestos fora dilma 12 de abril bahia. Foto: iG Bahiaprotestos fora dilma 12 de abril bahia. Foto: iG Bahiaprotestos fora dilma 12 de abril bahia. Foto: iG Bahiaprotestos fora dilma 12 de abril bahia. Foto: iG BahiaUm mini trio elétrico chegou ao local da manifestação, em Salvador, por volta das 9h30. Foto: iG BahiaEm Salvador, na Bahia, os manifestantes começaram a chegar por volta das 9h. Foto: iG BahiaNa Bahia, manifestantes seguram cartazes contra Dilma Rousseff e o ministro Dias Toffoli, do STF. Foto: iG BahiaNo Farol da Barra, em Salvador, a faixa inclui o PT e a prefeita de Dias D'Ávila, entre os criticados. Foto: iG BahiaNa segunda manifestação em Salvador, na Bahia, é maior o número de pessoas com cartazes. Foto: iG Bahia

Urnas adulteradas 

Toffoli foi acusado pelos manifestantes de manipular a eleição para manter Dilma no poder. Muito pediam sua cabeça, junto com a da presidente. Os radicais o acusaram diversas vezes de ter manipulado a eleição e adulterado urnas. Toffoli foi lembrado em diversos cartazes de manifestantes que pediam sua saída. Edgar era um deles. Servidor público, não quis dar seu sobrenome, mas criticou o presidente do TSE. “Não concordo com o a ascensão dele e nem com a forma como é feita a contagem dos votos. Acho que tem manipulação. Além disso, ele deveria ser impedido de estar na posição que está já que já foi advogado do PT”, afirmou ele, que disse ser contrário a intervenção militar. 

Gilmar Mendes foi cobrado por um pequeno grupo a respeito do pedido de vistas da Ação Direta de Inconstitucionalidade que trata da doação de empresas em campanhas eleitorais. Matematicamente, este julgamento já está definido e significará o fim das doações de empresas para candidatos, mas enquanto Mendes não liberar o pedido de vistas, o julgamento não poderá ser concluído. “É um avanço barrar as doações de empresas, só que o Gilmar (Mendes) sumiu com a Adi. Queremos que ele devolva. Acho que o fim das doações de empresas não resolve tudo, mas é um duro golpe na corrupção. Não acabaria, mas sagraria os corruptos”, defende Lucas Barros, 38 anos, empregado público. 

Barros criticou os pedidos de intervenção militar e também a tese de impeachment. “Acho que as pessoas estão meio atordoadas com o que tem acontecido e estão perdendo o nexo com a realidade”, disse ele. “Não concordo com impeachment de maneira nenhuma”, resumiu ele, que perguntado sobre intervenção militar ironizou a ideia. “Eles assinam acordos sociais com bala de fuzil”, afirmou. Por volta do meio-dia, a manifestação, que começou às 9h, começou a perder fôlego, com grande parte do público presente em frente ao Congresso Nacional, deixando o local.

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