Confronto ocorreu devido à divergência entre os grupos presentes em relação ao PL que regulamenta a terceirização de trabalhadores no Brasil, cuja votação deve ocorrer nesta terça

Policiais usam gás de pimenta contra manifestantes na cidade de Brasília: tensão na capital federal
Wilson Dias/Agência Brasil
Policiais usam gás de pimenta contra manifestantes na cidade de Brasília: tensão na capital federal

Um protesto de centrais sindicais e movimentos sociais foi marcado por um grande confronto entre manifestantes e policiais, na tarde desta terça-feira (7), em Brasília. Assim como no mês passado, o ato ocorreu dias antes do grande protesto marcado para pedir a saída de Dilma Rousseff da presidência, marcado para este domingo (12), em dezenas de cidades no Brasil.

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Entre as várias reivindicações dos grupos envolvidos – capitaneados pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) e União Nacional dos Estudantes (UNE) –, a principal foi em relação à votação do projeto de lei que regulariza o trabalho de funcionários terceirizados de empresas, marcada para esta terça-feira (7), na Câmara dos Deputados.

As centrais sindicais têm se unido com regularidade em atos e manifestações contras as medidas provisórias que alteram direitos trabalhistas e previdenciários, como o seguro-desemprego, abono salarial e pensão por morte. No entanto, desta vez, teve de tudo, menos união.

Isso porque, dentre os grupos presentes, estavam aqueles que são contra e os que são a favor do Projeto de Lei 4330. Foi o que ocorreu entre as duas maiores centrais sindicais presentes, a Central Única do Trabalhador (CUT) e a Força Sindical, atualmetne em lados opostos na discussão: a primeira, contra a PL, a segunda, a favor. 

A Polícia Militar afirma que o confronto começou justamente devido a esse confronto de ideias. Militantes de um e do outro lado teriam começado a brigar, quando agentes da corporação tentaram afastá-los por "meio da força necessária", conforme a corporação divulgou. Foi usado spray de pimenta e bombas de efeito moral para dispersar os brigões.

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Segundo a Polícia Militar, cerca de 2 mil pessoas estiveram presentes no protesto em frente ao Congresso Nacional. Ao menos três civis e um policial ficaram feridos e precisaram ser atendidos pelo Departamento Médico da Câmara. Um deles tinha ferimentos na cabeça. O deputado Vicentinho (PT-SP) também foi atendido após ser atingido por spray de pimenta. 

O protesto terminou no final da tarde desta terça-feira sem novos confrontos.

Pró-Dilma/contra Dilma
Além da divergência de opiniões em relação ao projeto, que, para a CUT, prejudica os trabalhadores e protege empresários empregadores, os manifestantes também se mostravam opostos sobre outras pautas já abraçadas pelos sindicalistas no último dia 13 de março, às vésperas do protesto anti-Dilma. 

As principais delas foram a defesa à Petrobras, ao Partido dos Trabalhadores (PT) e ao governo Dilma Rousseff, e a oposição ao ajuste fiscal anunciado pela presidente, que, para os manifestantes, prejudica a população mais pobre do País. 

A Central Sindical Popular – Conlutas, mais independente das maiores brasileiras – também promoveu manifestações contra o PL 4330 em São José dos Campos (SP), Natal (RN), Fortaleza (CE), Rio de Janeiro e em Belém (PA). A CUT e a Conlutas fizeram protestos conjuntos em São Paulo e em Brasília contra o projeto de lei.

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