Grupo anti-Dilma só permite cristãos na liderança do movimento

Por David Shalom |

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Criador do Revoltados Online, mais popular grupo anti-Dilma nas redes sociais, rechaça presença de ateus em coordenadoria e afirma que "com Deus na nossa frente grupo é imbatível"

As quase 800 mil curtidas da página do Revoltados Online no Facebook mostram um claro apoio de alguns setores da sociedade à principal bandeira do grupo: o impeachment de Dilma Rousseff. No entanto, se houver alguém com interesse real em se juntar às lideranças do movimento, terá de respeitar algumas regras criadas por seu fundador, Marcello Reis, de 40 anos.

Marcello Reis, o líder do Revoltados Online:
Bárbara Libório/iG São Paulo
Marcello Reis, o líder do Revoltados Online: "Com Deus na nossa frente somos imbatíveis"

Para se tornar coordenador do grupo são necessárias três características primordiais: naturalmente, ter como objetivo a derrubada da chefe do Executivo; não ser filiado a nenhum partido político, já que o movimento se define como apartidário; e, por fim, seguir o cristianismo. Os outros protagonistas dos atos recentes – Vem Pra Rua e Movimento Brasil Livre – afirmam não ter regras específicas para filiação.

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"Nunca vou colocar um ateu dentro do Revoltados Online. Afinal, por que eu daria uma função importante para uma pessoa que não acredita no que acredito?", diz Reis em entrevista ao iG, realizada na sede do grupo que fundou em 2004, localizada na região central de São Paulo. "Pregamos o lema 'juntos, somos mais fortes, e com Deus na nossa frente, somos imbatíveis. E é assim que agimos."

A ligação de Reis e seus seguidores com a religião cristã fica patente a qualquer pessoa que permaneça por mais de alguns minutos em um ato do grupo. Em meio à execução da canção "Impeachment", da banda parceira Os Reaças, e do Hino Nacional Brasileiro, o Revoltados Online reza sempre o "Pai Nosso". A prece costuma ser puxada pelo próprio Reis, com a mão direita sobre os olhos e o braço esquerdo erguido para o ar.

"Não estamos preocupados se o budista ou seguidores de outras religiões que estarão no protestos rezarão o 'Pai Nosso'. Ninguém é obrigado a seguir nossa fé. Mas nós servimos a Deus e se a pessoa que está lá não o segue não sei o que elá está fazendo no nosso protesto", afirma ele, cujos textos postados nas redes sociais não raro vêm acompanhados de citações de salmos da Bíblia. 

Veja fotos dos protestos do último dia 15 de março:

Jovem posa em protesto contra Dilma Rousseff, neste domingo (15), em São Paulo. Foto: David Shalom/iG São PauloManifestante exibe cartaz, durante ato contra governo Dilma. Foto: Orlando kissner/ Fotos PúblicasAlgumas mulheres se destacaram na manifestação em São Paulo pelo visual. Foto: Paulo Lopes/Futura PressNa onda do panelaço do domingo (8), manifestante foi para a Avenida Paulista neste dia 15 com panela de pressão. Foto: Uriel Punk/Futura PressA revista "Veja" também serviu de inspiração para um dos cartazes da manifestação deste domingo, dia 15. Foto: Vilmar Bannach/Futura PressA tampa da caixa de pizza (uma alusão a impunidades?) virou cartaz para um dos manifestantes de São Paulo. Foto: Vilmar Bannach/Futura PressMuitos manifestantes carregaram cartazes para a manifestação paulistana. Foto: Vilmar Bannach/Futura PressPelo menos 15 integrantes do grupo Carecas do Subúrbio foram presos na manifestação de São Paulo porque carregavam fogos e soco inglês (15/03/2015). Foto: Paulo Lopes/Futura PressVuvuzelas foram distribuídas pelos organizadores da manifestação em São Paulo. Foto: Alberto Wu/Futura PressManifestantes seguram cartaz durante ato neste domingo (15). Foto: Barbara Liborio/iGManifestantes ocupam prédio do Masp, na Avenida Paulista, em São Paulo. Foto: Robson Fernandjes/ Fotos PúblicasEm Brasília, manifestantes penduram bonecos representando a presidente Dilma e o ex-presidente Lula. Na placa no pescoço de um dos bonecos lê-se "Eu não sei de nada". Foto: AP Photo/Eraldo PeresEm Brasília, uma mulher pedala sua bicicleta de camiseta do Brasil e um cartaz com os dizeres "Fora Dilma, Impeachment já". Foto: AP Photo/Eraldo PeresMãe e filho participam de protesto vestido verde e amarelo em Brasília neste domingo dia 15 de março. Foto: AP Photo/Eraldo PeresEm Brasília, uma homem segura um cartaz em inglês durante o protesto. "Sem mais corrupção no Brasil", diz o cartaz, que sublinha as letras do PT, partido da presidente. Foto: AP Photo/Eraldo PeresNo Rio de Janeiro, manifestantes tomaram a praia de Copacabana para reclamar do governo federal. Foto: AP Photo/Felipe DanaCrianças pintam cartaz em manifestação em São Paulo, no domingo (15). Foto: Barbara Liborio/iGManifestantes levam cruz com nome de Dilma no protesto deste domingo (15), em São Paulo. Foto: Bárbara Libório/iG São PauloAmbulantes aproveitam movimento para vender artigos verde amarelos. Foto: Ana Flávia Oliveira/iG São PauloAmbulantes vendem artigos na avenida Paulista. Foto: Ana Flávia Oliveira/iG São PauloManifestantes saindo do metrô. Foto: Ana Flávia Oliveira/iG São PauloProtestantes vestidos com as cores da bandeira. Foto: Ana Flávia Oliveira/iG São PauloProtestantes escolheu o metrô como meio de locomoção. Foto: Bárbara Libório/iG São PauloProtestantes pedem a saída da presidente Dilma Rousseff. Foto: David Shalom/iG São PauloManifestação em São Paulo neste domingo (15). Foto: David Shalom/iG São Paulomanifestação. Foto: David Shalom/iG São PauloManifestantes contra o governo Dilma se reúnem em frente ao Masp, em São Paulo. Foto: Ricardo ChisteManifestantes contra o governo Dilma se reúnem em frente ao Masp, em São Paulo. Foto: Ricardo ChistePolícia faz cordão de isolamento durante protestos na Avenida Paulista, em São Paulo. Foto: Ricardo ChisteManifestante ergue cartaz, durante protestos contra o governo Dilma, na Avenida Paulista, em São Paulo. Foto: Robson Fernandjes/ Fotos PúblicasManifestantes contra o governo Dilma se reúnem em frente ao Masp, em São Paulo. Foto: Ricardo ChisteManifestação contra o governo Dilma enche a Avenida Paulista, em São Paulo. Foto: Robson Fernandjes/ Fotos PúblicasManifestação contra o governo Dilma enche a Avenida Paulista, em São Paulo. Foto: Robson Fernandjes/ Fotos PúblicasMarcelo Madureira, ex-Casseta & Planeta, participa do protesto anti-Dilma, em Copacabana, Rio de Janeiro. Foto: Marcello Sá Barretto / AgNewsManifestantes pedem o impeachment da presidente Dilma Rousseff, em Copacabana, Rio de Janeiro
. Foto: Tasso Marcelo/ Fotos PúblicasMarcelo Madureira, ex-Casseta & Planeta, participa do protesto anti-Dilma, em Copacabana, Rio de Janeiro. Foto: Marcello Sá Barretto / AgNewsManifestantes pedem o impeachment da presidente Dilma Rousseff, em Copacabana, Rio de Janeiro
. Foto: Tasso Marcelo/ Fotos PúblicasManifestante ergue cartaz, durante protesto contra o governo Dilma, em Copacabana, Rio de Janeiro. Foto: Marcello Sá Barretto / AgNewsManifestante levou faixa com suástica desenhada em protesto no Rio de Janeiro. Foto: Reprodução/Globo NewsAtivista José Júnior postou imagem da orla da Maceió (AL). Foto: Reprodução/Facebook José JúniorFamosos vão para as ruas em manifestações pelo Brasil. Foto: Reprodução/InstagramFamosos vão para as ruas em manifestações pelo Brasil. Foto: Reprodução/InstagramFamosos vão para as ruas em manifestações pelo Brasil. Foto: Reprodução/InstagramFamosos vão para as ruas em manifestações pelo Brasil. Foto: Reprodução/InstagramFamosos vão para as ruas em manifestações pelo Brasil. Foto: Reprodução/InstagramFamosos vão para as ruas em manifestações pelo Brasil. Foto: Reprodução/InstagramFamosos vão para as ruas em manifestações pelo Brasil. Foto: Reprodução/InstagramFamosos vão para as ruas em manifestações pelo Brasil. Foto: Reprodução/InstagramManifestação contra o governo Dilma e corrupção na Petrobras, enche a praça da liberdade, em Belo Horizonte. Foto: Marcelo Sant Anna/Fotos PúblicasManifestação contra o governo Dilma e corrupção na Petrobras, enche a praça da liberdade, em Belo Horizonte. Foto: Marcelo Sant Anna/Fotos PúblicasManifestação contra o governo Dilma e corrupção na Petrobras, enche a praça da liberdade, em Belo Horizonte. Foto: Marcelo Sant Anna/Fotos PúblicasManifestação contra o governo Dilma e corrupção na Petrobras, enche a praça da liberdade, em Belo Horizonte. Foto: Marcelo Sant Anna/Fotos PúblicasManifestação contra o governo Dilma e corrupção na Petrobras, enche a praça da liberdade, em Belo Horizonte. Foto: Marcelo Sant Anna/Fotos PúblicasManifestação contra o governo Dilma e corrupção na Petrobras, enche a praça da liberdade, em Belo Horizonte. Foto: Marcelo Sant Anna/Fotos PúblicasManifestação contra o governo Dilma e corrupção na Petrobras, enche a praça da liberdade, em Belo Horizonte. Foto: Marcelo Sant Anna/Fotos PúblicasManifestação contra o governo Dilma e corrupção na Petrobras, enche a praça da liberdade, em Belo Horizonte. Foto: Marcelo Sant Anna/Fotos PúblicasManifestação contra o governo Dilma e corrupção na Petrobras, enche a praça da liberdade, em Belo Horizonte. Foto: Marcelo Sant Anna/Fotos PúblicasManifestações nas ruas do Recife pedem impeachment da presidente Dilma Rousseff. Foto: Rodrigo Lôbo / Fotos PúblicasManifestações nas ruas do Recife pedem impeachment da presidente Dilma Rousseff. Foto: Rodrigo Lôbo / Fotos PúblicasManifestações nas ruas do Recife pedem impeachment da presidente Dilma Rousseff. Foto: Rodrigo Lôbo / Fotos PúblicasManifestações nas ruas do Recife pedem impeachment da presidente Dilma Rousseff. Foto: Rodrigo Lôbo / Fotos PúblicasNo Recife, a manifestação do dia 15 não registrou incidentes. Foto:  Rodrigo Lôbo/ Fotos PúblicasManifestante engrossa pauta da manifestação no Rio de Janeiro. Foto: Reprodução FacebookEm Salvador, manifestantes pediram o impeachment da presidente Dilma. Foto: João Alvarez/ Fotos PúblicasManifestantes pedem a saída da presidente Dilma no posto 5, em Copacabana, no Rio de Janeiro. Foto: Nina Ramos/iG Rio de JaneiroManifestantes pedem a saída da presidente Dilma no posto 5, em Copacabana, no Rio de Janeiro. Foto: Nina Ramos/iG Rio de JaneiroBelém (PA) também registrou manifestações em protesto contra a presidente Dilma. Foto: Igor Mota/Futura PressRio de Janeiro também se mobilizou nesta manhã de domingo (15) para protestar contra o governo e cobrar o impeachment de Dilma Rousseff. Foto: Nina Ramos/iG RioEm Salvador, a concentração do protesto aconteceu no Farol da Barra. Foto: iG BahiaRio de Janeiro também se mobilizou nesta manhã de domingo (15) para protestar contra o governo e cobrar o impeachment de Dilma Rousseff. Foto: Nina Ramos/iG RioRio de Janeiro também se mobilizou nesta manhã de domingo (15) para protestar contra o governo e cobrar o impeachment de Dilma Rousseff. Foto: Nina Ramos/iG RioNo Rio, assim como em outras cidades onde ocorreu o protesto deste domingo (15), o amarelo predominou nas roupas dos manifestantes. Foto: Nina Ramos/iG RioManifestantes começam a se concentrar em Brasília neste domingo (15) para pedir afastamento da presidente Dilma. Foto: CHARLES SHOLL/FUTURA PRESSManifestantes se concentram em Brasília a espera do protesto em defesa do afastamento da presidente Dilma Rousseff do cargo. Foto: CHARLES SHOLL/FUTURA PRESS

"Aceitamos todos os cristãos: católicos, evangélicos, espíritas. Deus é um só. Eu mesmo não sou religioso. Fico até preocupado com os títulos de cada vertente, que chegam a parecer partidos políticos. Mas acredito que, se você servir a Deus, seguir a Deus, amar a Deus, você se vira com Deus. Não acho que se eu for a uma igreja 'x' serei mais abençoado do que na 'y'. Se eu mantiver o caráter e os passos limpos, dobrando o meu joelho e praticando minha fé, dormirei tranquilo."

Marcha da família com Deus pela Liberdade
Os valores abraçados pelo Revoltados Online em muito lembram aqueles usados pelas manifestações que ficaram conhecidas como "Marcha da família com Deus pela Liberdade", realizadas pelo País na década de 1960 em resposta à suposta "ameaça comunista" do governo de João Goulart, derrubado pelos militares com a justificativa de temor de golpe em 1964.

O discurso de temor ao comunismo, compartilhado entre outros dos organizadores dos protestos do dia 15 de março, segue vivo no movimento. Reis tem a certeza de que o governo do PT vai aos poucos tentando transformar o Brasil em uma ditadura comunista, nos moldes da destacada na Venezuela, como um "regime bolivariano". 

O ativista também é defensor do conservadorismo nos lares. Garante que não tem nada contra homossexuais, "mas, sim, contra as instituições que querem impantar nas nossas crianças o estilo de vida que elas têm". "Por exemplo, o 'kit gay' [elaborado pelo Ministério da Educação com o objetivo de combater a homofobia], para crianças de 6 a 12 anos. Não compactuo com isso. O governo não tem de se meter na educação das famílias. Quem educa é pai e mãe e, a partir do momento em que governantes começam a interferir na educação dos lares, já podemos dizer que estamos em uma ditadura comunista", diz Reis.

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Apesar das críticas a certas práticas, o líder do Revoltados evita maiores polêmicas e afirma que a presença de homossexuais entre suas lideranças é bem-vinda, desde que não vá de encontro às três normas do grupo. "Todos podem fazer parte do Revoltados. Só não venham tentar mexer no que acreditamos. Aí, que se juntem a outros."

Caça a pedófilos
Se é de longe o mais antigo dos grupos protagonistas dos protestos contra a presidente, o Revoltados Online pode também ser considerado o menos constante deles. Diferente do Vem Pra Rua e do MBL, por exemplo, o movimento de Reis sequer foi iniciado com foco na política.

Fundado em 2004, o Revoltados começou como uma organização de sete voluntários responsável por rastrear anonimamente pedófilos na internet, especialmente nas redes sociais, para denunciá-los à Polícia Federal. Posts de anos atrás do grupo no Facebook, onde o movimento entrou em 2010, mostram séries de dicas de como realizar as denúncias, além de links para notícias sobre prisões de praticantes de pedofilia, denúncias de maus tratos contra animais, de drogas, de violência contra a mulher. Logo, no entanto, ganhou cunho político.

"É um trabalho concentrado principalmente na madrugada e não é difícil de encontrar esses crápulas. Fazemos isso até hoje", explica Reis. "Temos uns perfis em que fingimos ser crianças, adolescentes, e isso nos facilita para encontrá-los."

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