CPI da Petrobras antecipa para 9 de abril depoimento do tesoureiro do PT

Por Agência Câmara |

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João Vaccari Neto está sendo processado pelo MPF por lavagem de dinheiro e é apontado como arrecadador de propinas de empresas contratadas pela petroleira

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João Vaccari Neto, tesoureiro do PT, vai depor na CPI na próxima semana
Agência Brasil
João Vaccari Neto, tesoureiro do PT, vai depor na CPI na próxima semana

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras antecipou para o dia 9 de abril o depoimento do tesoureiro do PT, João Vaccari Neto. Vaccari está sendo processado por lavagem de dinheiro pelo Ministério Público Federal e é apontado por delatores do esquema de desvio de dinheiro da Petrobras como arrecadador de propinas de empresas contratadas pela estatal. A data original que havia sido acertada entre o relator da CPI, deputado Luiz Sérgio (PT-RJ), e o presidente da comissão, deputado Hugo Motta (PMDB-PB), era o dia 23 de abril.

A mudança foi anunciada pelo vice-presidente da CPI, deputado Antônio Imbassahy (PSDB-BA). “A meu ver, o presidente em exercício está fazendo uma mudança para pior”, reagiu Luiz Sérgio. “Vamos ouvir o tesoureiro do PT antes de ouvir algum empresário”, disse. Luiz Sérgio disse que isso é uma manobra para fazer “propaganda” de uma manifestação contra o governo marcada para o dia 12 de abril.

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Luiz Sergio havia anunciado que o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, será ouvido no dia 16 de abril. O BNDES financiou a criação da empresa Setebrasil, formada para construir sondas de perfuração do pré-sal.

Propinas
Segundo o ex-gerente de Tecnologia da empresa, Pedro Barusco, Vaccari teria recebido algo entre 150 e 200 milhões de dólares, dinheiro que seria destinado ao PT. Vaccari nega qualquer envolvimento, assim como o PT.

Nos depoimentos que prestou à Justiça Federal, Barusco disse que metade da propina recebida das empresas era destinada a ele e a Renato Duque, ex-diretor da Petrobras ao qual ele era subordinado, e a outra metade ficava com Vaccari.

Barusco apresentou à Polícia Federal planilhas que ele identificou como sendo de propinas pagas. Em planilhas relativas a propinas pagas pelos estaleiros Jurong e Kepel Fels, Vaccari é identificado com a sigla “Moch”, que, segundo Barusco, significa “mochila” – já que Barusco viu Vaccari com mochilas diversas vezes. De acordo com os depoimentos do ex-gerente, Vaccari teria recebido do estaleiro Kepel Fels 4,5 milhões de dólares até março de 2013.

O ex-gerente de Serviços da Petrobras saiu da estatal em 2011 para ser diretor da empresa Setebrasil, criada para construir sondas de perfuração do pré-sal. Segundo ele, o esquema de pagamento de propinas continuou nos mais de 20 contratos entre a Petrobras e a Setebrasil, que contratou estaleiros para a construção das sondas.

Ainda de acordo com os depoimentos de Barusco, havia um acordo de pagamento de propina de 1% para os contratos entre a Setebrasil e os estaleiros – percentual reduzido depois para 0,9%. Essa combinação teria sido feita entre Barusco, João Vaccari Neto e os estaleiros.

A propina seria distribuída da seguinte maneira: 2/3 para Vaccari e 1/3 para a “Casa” – ou seja, para os diretores da Setebrasil: Barusco, João Carlos de Medeiros Ferraz (presidente da Setebrasil) e Eduardo Musa (diretor de Participações). A propina destinada a Vaccari teria origem, segundo ele, nos contratos firmados entre a Setebrasil e os estaleiros Atlântico Sul, Enseada do Paraguaçu, Rio Grande e Kepel Fels.

Campanha presidencial
Em depoimento à CPI, Barusco disse que a propina paga a Vaccari em 2010 foi destinada à campanha presidencial. Ele se referia à quantia de 300 mil dólares que teria sido paga a Vaccari pelo empresário Júlio Faerman, representante da empresa holandesa SBM Offshore, como “reforço” de campanha eleitoral.

Vaccari também foi apontado pelo doleiro Alberto Youssef, outro delator do esquema, como destinatário de propinas de empresas contratadas pela Petrobras. Vaccari, por meio de seus advogados, negou todas as acusações. O PT, por meio de nota oficial, nega que qualquer recurso ilegal tenha sido repassado ao partido.

A reunião da CPI, em que foi ouvido o ex-gerente geral da refinaria Abreu e Lima Glauco Legattino, já foi encerrada.

Veja quem são os políticos relacionados ao escândalo da Operação Lava Jato:

Antes de aparecer na lista de Janot, Renan Calheiros disse que não conhecia Youssef ou envolvidos na Lava Jato. Foto: Câmara dos Deputados/Gustavo LimaO ex-presidente e senador pelo PTB de Alagoas, Fernando Collor, é acusado de ter recebido dinheiro de Yousseff. Foto: ReproduçãoPresidente da Câmara, Eduardo Cunha está entre os que serão investigados na Lava Jato. Foto: Gustavo Lima / Câmara dos DeputadosSenador pelo PMDB do Maranhão e ex-ministro das Minas e Energia de Dilma, Edison Lobão é investigado em inquérito que envolve a ex-governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB). Foto: CÉLIO AZEVEDO/AGÊNCIA SENADO - 15.5.2007Senadora pelo PT do Paraná ex-ministra da Casa Civil de Dilma, Gleisi Hoffman foi citada em delação premiada da Lava Jato. Foto: FacebookAlvo de inqúerito, Antônio Anastasia é senador pelo PSDB de Minas Gerais,  ex-governador do Estado e foi coordenador de campanha de Aécio à Presidência. Foto: daniel de cerqueira - 7.11.2014Senador pelo PP do Piauí, Ciro Nogueira teve dois inquéritos arquivados, mas é alvo de um terceiro, que envolve outras 36 pessoas. Foto: Agência BrasilLindberg Farias, senador pelo PT do RJ, é suspeito de ter pedido dinheiro a Paulo Roberto Costa. Foto: Futura PressEx-governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB) é citada também no inquérito contra o senador Edison Lobão (PMDB-MA). Foto: BETO BARATA/AGência ESTADO - 4.1.2011Deputado pelo PP da Paraíba, Aguinaldo Ribeiro fio ministro das Cidades durante o governo Dilma. Foto: DivulgaçãoVilson Covatti foi deputado federal pelo PP do Rio Grande do Sul até janeiro de 2015. Foto: Facebook/ReproduçãoDeputado federal pelo PT de São Paulo e ex-líder do governo Lula, Cândido Vaccarezza teria recebido R$ 400 mil em propina. Foto: Agência BrasilAlvo de inquérito, Humberto Costa é senador pelo PT de Pernambuco e foi ministro da Saúde durante o governo Lula. Foto: DivulgaçãoSenador pelo PMDB de Roraima, Romero Jucá foi líder dos governos FHC e Lula. Foto: Agência SenadoSenador pelo PMDB de Rondônia, Valdir Raupp foi governador de Rondônia e líder do partido. Foto: DivulgaçãoEx-ministro da Casa Civil de Dilma Rousseff, Antônio Palocci terá suas condutas investigadas pela Polícia Federal no Paraná, para onde o STF mandou o inquérito. Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil - 2.1.11Tesoureiro do PT, João Vaccari Neto é alvo do processo que envolve 37 pessoas. Foto: Agência BrasilDeputado federal pelo PP de Mato Grosso, Pedro Henry foi condenado no processo do mensalão. Foto: Agência BrasilDeputado federal pelo PMDB do Ceará, Aníbal Gomes é investigado no inquérito que envolve 37 pessoas. Foto: Divulgação/Governo Municipal de AcaraúDeputado federal pelo PP do Rio de Janeiro, Simão Sessim ocupa o cargo desde a década de 1970. Foto: Agência CâmaraEx-deputado federal pelo PP de Pernambuco, teve seu mandato cassado na esteira do escândalo do mensalão. Foto: Agência BrasilDeputado federal pelo Solidariedade da Bahia, Luiz Argôlo chegou a ter sua cassação aprovada pelo Conselho de Ética da Câmara. Foto: Agência CâmaraDeputado federal pelo PP do Paraná, Nelson Meurer é presidente do partido no Estado. Foto: Agência CâmaraDeputado pelo PP do Acre, Gladson Cameli é investigado no inquérito que envolve 37 pessoas. Foto: Agência CâmaraDeputado federal pelo PP de Goiás, Roberto Balestra é investigado no maior inquérito, que envolve 37 pessoas. Foto: DivulgaçãoDeputado federal pelo PP de Goiás, Sandes Júnior, é alvo do maior inquérito da Operação, com 37 investigados. Foto: DivulgaçãoDeputado federal pelo PT do Mato Grosso, Vander Loubet é investigado em inquérito que inclui o deputado Cândido Vaccarezaa (PT-SP). Foto: DivulgaçãoSenador pelo PP do Piauí, Ciro Nogueira teve dois inquéritos arquivados, mas é alvo de um terceiro, que envolve outras 36 pessoas. Foto: DivulgaçãoDeputada federal pelo PP de São Paulo, Aline Corrêa consta da lista de 37 investigados de um dos inquéritos da Lava Jato. Foto: Agência CâmaraSenador pelo PP de Alagoas, Benedito de Lira iniciou sua carreira política no extinto Arena, que apoiava a ditadura militar. Foto: DivulgaçãoDeputado federal pelo PT de São Paulo, José Mentor foi líder estudantil contrário à ditadura militar. Foto: DivulgaçãoDeputado federal pelo PP do Rio Grande do Sul, José Otávio Germano é alvo de dois pedidos de instauração de inquérito. Foto: DivulgaçãoDeputado federal pelo PP do Ceará, José Linhares Ponte foi padre e usa a experiência de sacerdócio nas campanhas eleitorais. Foto: ReproduçãoDeputado federal pelo PP de Pernambuco até janeiro  de 2015, Roberto Teixeira é investigado no inquérito que envolve 37 pessoas. Foto: DivulgaçãoDeputado federal pelo PP de Santa Catarina até janeiro de 2015, João Alberto Pizzolatti Junior é alvo do inquérito que envolve outras 36 pessoas. Foto: Facebook/ReproduçãoDeputado federal pelo PP da Bahia até janeiro de 2015, Mário Negromonte foi ministro das Cidades durante o governo Dilma. Foto: WikimediaDeputado pelo PP do Maranhão, Waldir Maranhão é investigado no inquérito que envolve outras 36 pessoas. Foto: Facebook/ReproduçãoVice-governador da Bahia, comandada por Rui Costa (PT), João Leão foi deputado federal pelo PP do Estado. Foto: ReproduçãoDeputado federal pelo PP de Rondônia até janeiro de 2015, Carlos Magno Ramos foi secretário da Casa Civil do ex-governador  e hoje senador Ivo Cassol (PP). Foto: DivulgaçãoDeputado federal pelo PP da Bahia, Roberto Britto é investigado no inquérito que envolve outras 37 pessoas. Foto: Facebook/ReproduçãoDeputado federal pelo PP do Rio Grande do Sul, Renato Molling é investigado no inquérito que envolve 37 pessoas. Foto: Facebook/ReproduçãoDeputado federal pelo PP do Rio Grande do Sul, Luis Carlos Heinze é investigado no inquérito que envolve 37 pessoas. Foto: Facebook/ReproduçãoDeputado federal pelo PP do Tocantins, Lázaro Botelho é investigado no inquerito que envolve 37 pessoas. Foto: Facebook/ReproduçãoDeputado federal pelo PP de São Paulo, José Olímpio se apresenta como missionário da Igreja Mundial do Poder de Deus. Foto: Facebook/ReproduçãoDeputado federal pelo PP do Rio Grande do Sul, Afonso Hamm é investigado no inquérito que envolve outras 37 pessoas. Foto: Facebook/ReproduçãoDeputado federal pelo PP, Jerônimo Goergen foi vice-líder da bancada do PP na Câmara dos Deputados. Foto: Facebook/ReproduçãoDeputado federal pelo PP do Paraná, Dilceu Sperafico é investigado no inquérito que envolve outras 37 pessoas. Foto: Twitter/ReproduçãoDeputado federal pelo PP de Alagoas, Arthur Lira é filho de Benedito de Lira, também investigado na Lava Jato. Foto: Twitter/ReproduçãoDeputado pelo PP de Minas Gerais, Luiz Fernando Faria é investigado no inquérito que envolve 37 pessoas. Foto: ReproduçãoDeputado federal pelo PP de Pernambuco, Eduardo da Fonte foi segundo vice-presidente da Câmara e líder do PP na Casa. Foto: Divulgação


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