PMDB se blinda e desvia foco da Lava Jato para o PT

Por Luciana Lima -iG Brasília |

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Partido tenta barrar depoimentos de nomes que têm relação com peemedebistas na CPI da Petrobras, jogando os holofotes para nomes como o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto

Embora a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras tenha sido instalada pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), um dos primeiros atos depois de sua posse, o PMDB se movimenta para não deixar que as investigações alcancem seus filiados, listados no inquérito aberto pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Bancada do PMDB reunida; Calheiros aparece ao fundo à direita (arquivo)
Jonas Pereira/Agência Senado
Bancada do PMDB reunida; Calheiros aparece ao fundo à direita (arquivo)

Uma das ações de blindagem é não permitir a convocação de empresários e lobistas ligados ao partido. Neste rol de nomes estão o empresário Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano; o ex-diretor da Transpetro Sérgio Machado, também investigado como parte do esquema de propina; o do ex-policial federal Jayme Alves de Oliveira Filho, conhecido como Careca, apontado como o responsável pelo transporte das malas de dinheiro proveniente de propina paga pelas empresas aos políticos, além do empresário Júlio Camargo, executivo da Toyo Setal.

Baiano é apontado pelo Ministério Público Federal (MPF) e pela Polícia Federal como operador do PMDB no esquema. Ele também é acusado de pagar propina a deputados para obstruir a CPI da Petrobras ocorrida no Congresso Nacional entre 2009 e 2010.

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Careca é o principal acusador de Cunha. Ele é acusado pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal de transportar o dinheiro de propinas de Youssef. De acordo com as investigações, Careca teria entregado entre 2011 e 2012 pelo menos R$ 16,7 milhões em dinheiro vivo, de acordo com a contabilidade informal feita pelo doleiro e apreendida pela polícia. Afastado da Polícia Federal por determinação do juiz da 13ª Vara Federal do Paraná, Sérgio Moro, Careca é o principal acusador de Eduardo Cunha e do senador Antonio Anastasia (PSDB-MG). Ele aponta os dois políticos como beneficiários do dinheiro que entregava.

Já o ex-diretor da Transpetro Nelson Machado representa a ligação de Renan com a investigação. Investigado esquema, Machado ocupou a direção da subsidiária da Petrobras por indicação de Renan.

Júlio Camargo é considerado um operador do dinheiro desviado, de acordo com as investigações. A empresa representada por ele teria contratos de cerca de R$ 4 bilhões com a estatal.

Manobra

As críticas de blindagem partem dos próprios integrantes da CPI.  Os petistas acusam o PMDB de tentar jogar o foco das investigações sobre o PT e contar com o apoio do PSDB para isso, já que aos tucanos não interessa a convocação do ex-policial que também acusa do senador Antonio Anastasia (PSDB-MG) como receptor do dinheiro de Youssef.

A manobra, de acordo com o deputado Ivan Valente (PSOL-SP), teria ficado evidente diante da aprovação da convocação do tesoureiro do partido, João Vaccari Neto.

“Não faz nenhum sentido convocar o Vaccari e não convocar o Fernando Baiano”, contestou Valente, que junto com o deputado Júlio Delgado (PSB-MG), tem forçado a aprovação das convocações.

“Não querem convocar os empresários, nem o Fernando Baiano, nem Nelson Machado, nem ninguém que tem algo a contribuir com as investigações da forma que ela tem que ser feita”, reclamou Delgado.

O ritmo dos trabalhos imposto pelo presidente Hugo Mota (PMDB-PB), ligado a Eduardo Cunha, também é alvo de críticas. “Como passar um dia inteiro ouvindo a ex-presidente da Petrobras Graça Foster, em seu quinto depoimento no Congresso? Isso só tem um objetivo: gastar o tempo da CPI e não ouvir quem tem algo a dizer”, considerou Ivan Valente.

Outro exemplo de procrastinação apontado pelos parlamentares foi a discussão que durou toda tarde de terça-feira sobre a convocação dos “representantes legais” das empresas envolvidas, apresentados pelo líder do PSC, deputado André Moura (PSC-SE), também ligado a Cunha.

“Representante legal não tem nada a ver com o esquema. O presidente gastou um dia de trabalho discutindo esses requerimentos até começar a Ordem do Dia. Assim não tinha mais como votar os requerimentos que pedem o depoimento de pessoas que contribuiriam realmente com as investigações”, considerou Ivan Valente.

Também tem irritado os deputados de outros partidos o fato de que, apesar dos apelos, Mota não convocou sessão da CPI para a próxima terça-feira (31).

As ações de blindagem na CPI tiveram início antes do início dos trabalhos, quando Cunha, investigado no esquema, interferiu diretamente na escolha do presidente da comissão e do relator, Luiz Sérgio (PT-RJ), que contou com o aval de Cunha. O presidente da Câmara tratou de ocupar, com a ajuda de deputados féis, todos os postos-chave da CPI.

Para garantir maior controle do relatório, que seria de responsabilidade exclusiva de Luiz Sérgio, o próprio presidente da Câmara tratou de dividir, entre deputados aliados, a relatoria, e escolheu quatro sub-relatores, aliados de primeira hora de Cunha.

Quem são os políticos envolvidos na Operação Lava Jato:

Antes de aparecer na lista de Janot, Renan Calheiros disse que não conhecia Youssef ou envolvidos na Lava Jato. Foto: Câmara dos Deputados/Gustavo LimaO ex-presidente e senador pelo PTB de Alagoas, Fernando Collor, é acusado de ter recebido dinheiro de Yousseff. Foto: ReproduçãoPresidente da Câmara, Eduardo Cunha está entre os que serão investigados na Lava Jato. Foto: Gustavo Lima / Câmara dos DeputadosSenador pelo PMDB do Maranhão e ex-ministro das Minas e Energia de Dilma, Edison Lobão é investigado em inquérito que envolve a ex-governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB). Foto: CÉLIO AZEVEDO/AGÊNCIA SENADO - 15.5.2007Senadora pelo PT do Paraná ex-ministra da Casa Civil de Dilma, Gleisi Hoffman foi citada em delação premiada da Lava Jato. Foto: FacebookAlvo de inqúerito, Antônio Anastasia é senador pelo PSDB de Minas Gerais,  ex-governador do Estado e foi coordenador de campanha de Aécio à Presidência. Foto: daniel de cerqueira - 7.11.2014Senador pelo PP do Piauí, Ciro Nogueira teve dois inquéritos arquivados, mas é alvo de um terceiro, que envolve outras 36 pessoas. Foto: Agência BrasilLindberg Farias, senador pelo PT do RJ, é suspeito de ter pedido dinheiro a Paulo Roberto Costa. Foto: Futura PressEx-governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB) é citada também no inquérito contra o senador Edison Lobão (PMDB-MA). Foto: BETO BARATA/AGência ESTADO - 4.1.2011Deputado pelo PP da Paraíba, Aguinaldo Ribeiro fio ministro das Cidades durante o governo Dilma. Foto: DivulgaçãoVilson Covatti foi deputado federal pelo PP do Rio Grande do Sul até janeiro de 2015. Foto: Facebook/ReproduçãoDeputado federal pelo PT de São Paulo e ex-líder do governo Lula, Cândido Vaccarezza teria recebido R$ 400 mil em propina. Foto: Agência BrasilAlvo de inquérito, Humberto Costa é senador pelo PT de Pernambuco e foi ministro da Saúde durante o governo Lula. Foto: DivulgaçãoSenador pelo PMDB de Roraima, Romero Jucá foi líder dos governos FHC e Lula. Foto: Agência SenadoSenador pelo PMDB de Rondônia, Valdir Raupp foi governador de Rondônia e líder do partido. Foto: DivulgaçãoEx-ministro da Casa Civil de Dilma Rousseff, Antônio Palocci terá suas condutas investigadas pela Polícia Federal no Paraná, para onde o STF mandou o inquérito. Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil - 2.1.11Tesoureiro do PT, João Vaccari Neto é alvo do processo que envolve 37 pessoas. Foto: Agência BrasilDeputado federal pelo PP de Mato Grosso, Pedro Henry foi condenado no processo do mensalão. Foto: Agência BrasilDeputado federal pelo PMDB do Ceará, Aníbal Gomes é investigado no inquérito que envolve 37 pessoas. Foto: Divulgação/Governo Municipal de AcaraúDeputado federal pelo PP do Rio de Janeiro, Simão Sessim ocupa o cargo desde a década de 1970. Foto: Agência CâmaraEx-deputado federal pelo PP de Pernambuco, teve seu mandato cassado na esteira do escândalo do mensalão. Foto: Agência BrasilDeputado federal pelo Solidariedade da Bahia, Luiz Argôlo chegou a ter sua cassação aprovada pelo Conselho de Ética da Câmara. Foto: Agência CâmaraDeputado federal pelo PP do Paraná, Nelson Meurer é presidente do partido no Estado. Foto: Agência CâmaraDeputado pelo PP do Acre, Gladson Cameli é investigado no inquérito que envolve 37 pessoas. Foto: Agência CâmaraDeputado federal pelo PP de Goiás, Roberto Balestra é investigado no maior inquérito, que envolve 37 pessoas. Foto: DivulgaçãoDeputado federal pelo PP de Goiás, Sandes Júnior, é alvo do maior inquérito da Operação, com 37 investigados. Foto: DivulgaçãoDeputado federal pelo PT do Mato Grosso, Vander Loubet é investigado em inquérito que inclui o deputado Cândido Vaccarezaa (PT-SP). Foto: DivulgaçãoSenador pelo PP do Piauí, Ciro Nogueira teve dois inquéritos arquivados, mas é alvo de um terceiro, que envolve outras 36 pessoas. Foto: DivulgaçãoDeputada federal pelo PP de São Paulo, Aline Corrêa consta da lista de 37 investigados de um dos inquéritos da Lava Jato. Foto: Agência CâmaraSenador pelo PP de Alagoas, Benedito de Lira iniciou sua carreira política no extinto Arena, que apoiava a ditadura militar. Foto: DivulgaçãoDeputado federal pelo PT de São Paulo, José Mentor foi líder estudantil contrário à ditadura militar. Foto: DivulgaçãoDeputado federal pelo PP do Rio Grande do Sul, José Otávio Germano é alvo de dois pedidos de instauração de inquérito. Foto: DivulgaçãoDeputado federal pelo PP do Ceará, José Linhares Ponte foi padre e usa a experiência de sacerdócio nas campanhas eleitorais. Foto: ReproduçãoDeputado federal pelo PP de Pernambuco até janeiro  de 2015, Roberto Teixeira é investigado no inquérito que envolve 37 pessoas. Foto: DivulgaçãoDeputado federal pelo PP de Santa Catarina até janeiro de 2015, João Alberto Pizzolatti Junior é alvo do inquérito que envolve outras 36 pessoas. Foto: Facebook/ReproduçãoDeputado federal pelo PP da Bahia até janeiro de 2015, Mário Negromonte foi ministro das Cidades durante o governo Dilma. Foto: WikimediaDeputado pelo PP do Maranhão, Waldir Maranhão é investigado no inquérito que envolve outras 36 pessoas. Foto: Facebook/ReproduçãoVice-governador da Bahia, comandada por Rui Costa (PT), João Leão foi deputado federal pelo PP do Estado. Foto: ReproduçãoDeputado federal pelo PP de Rondônia até janeiro de 2015, Carlos Magno Ramos foi secretário da Casa Civil do ex-governador  e hoje senador Ivo Cassol (PP). Foto: DivulgaçãoDeputado federal pelo PP da Bahia, Roberto Britto é investigado no inquérito que envolve outras 37 pessoas. Foto: Facebook/ReproduçãoDeputado federal pelo PP do Rio Grande do Sul, Renato Molling é investigado no inquérito que envolve 37 pessoas. Foto: Facebook/ReproduçãoDeputado federal pelo PP do Rio Grande do Sul, Luis Carlos Heinze é investigado no inquérito que envolve 37 pessoas. Foto: Facebook/ReproduçãoDeputado federal pelo PP do Tocantins, Lázaro Botelho é investigado no inquerito que envolve 37 pessoas. Foto: Facebook/ReproduçãoDeputado federal pelo PP de São Paulo, José Olímpio se apresenta como missionário da Igreja Mundial do Poder de Deus. Foto: Facebook/ReproduçãoDeputado federal pelo PP do Rio Grande do Sul, Afonso Hamm é investigado no inquérito que envolve outras 37 pessoas. Foto: Facebook/ReproduçãoDeputado federal pelo PP, Jerônimo Goergen foi vice-líder da bancada do PP na Câmara dos Deputados. Foto: Facebook/ReproduçãoDeputado federal pelo PP do Paraná, Dilceu Sperafico é investigado no inquérito que envolve outras 37 pessoas. Foto: Twitter/ReproduçãoDeputado federal pelo PP de Alagoas, Arthur Lira é filho de Benedito de Lira, também investigado na Lava Jato. Foto: Twitter/ReproduçãoDeputado pelo PP de Minas Gerais, Luiz Fernando Faria é investigado no inquérito que envolve 37 pessoas. Foto: ReproduçãoDeputado federal pelo PP de Pernambuco, Eduardo da Fonte foi segundo vice-presidente da Câmara e líder do PP na Casa. Foto: Divulgação


 

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