Divergência de pautas expõe racha entre grupos anti-Dilma Rousseff

Por David Shalom , iG São Paulo | - Atualizada às

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Movimentos pró-impeachment criticam Vem Pra Rua por não exigir queda de Dilma; MBL diz que considera impedir grupos pró-militares de estarem nos atos do próximo dia 12 de abril

Apesar de terem parecido homogêneos pela prevalência de camisas verde-amarelas e cartazes contra a chefe do Poder Executivo brasileiro, os protestos que se espalharam pelo Brasil no último dia 15 de março se mostraram bem distantes disso. E a divergência de pautas de seus protagonistas começa, aos poucos, a gerar o início de um racha entre os grupos já confirmados para participar do próximo protesto contra Dilma, marcado para 12 de abril em São Paulo e em outras dezenas de cidades do País.

O co-fundador do Movimento Brasil Livre, Kim Kataguiri, no ato do dia 15, na Avenida Paulista
David Shalom/iG São Paulo
O co-fundador do Movimento Brasil Livre, Kim Kataguiri, no ato do dia 15, na Avenida Paulista


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A divergência de ideias ficou explícita na Avenida Paulista já durante o protesto de 15 de março. Enquanto um trio elétrico emitia de suas caixas de som discursos de ódio contra o PT e em prol do impeachment de Dilma, um outro veículo, comandado por homens com roupas camufladas, pedia intervenção militar com o Hino Nacional ao fundo. Ao mesmo tempo, manifestantes rezavam o Pai Nosso logo ao lado, e outros, 200 metros à frente, bradavam músicas do pop nacional e gritavam contra a corrupção.

São dois os pontos que vêm desagradando o Movimento Brasil Livre (MBL), grupo de jovens responsável pelo agendamento dos protestos, e o Revoltados Online, ambos pró-impeachment. Primeiro, a presença de manifestantes defensores da intervenção militar no governo federal, encabeçados pelo SOS Forças Armadas, vistos por ambos como indesejados. Segundo, o fato de a organização que mais vem recebendo atenção midiática nos últimos dias, o Vem Pra Rua, não levantar a bandeira pela queda de Dilma Rousseff, o que vai de encontro à ideia central proposta pelos atos.

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"Para nós, o Vem Pra Rua tem se mostrado quase tão contraproducente quanto os militaristas nos protestos", diz ao iG Kim Kataguiri, de 19 anos, co-fundador do MBL. "O nosso manifesto é por impeachment", concorda Marcello Reis, de 40 anos, líder do Revoltados Online.

"E aí surgem pessoas que querem aproveitar a oportunidade, que chamamos de oportunistas, para também levar suas causas aos atos que organizamos – o que deixamos, desde que não nos atrapalhem. E é justamente o que o Vem pra Rua tem feito. Enquanto pedimos impeachment, eles só pedem o fim da corrupção. Isso não faz sentido para nós."

"Esvaziamento das manifestações"
A insatisfação com o que chamam de "apropriação dos atos" que organizaram vem na semana em que o fundador do grupo Vem Pra Rua, Rogerio Chequer, passou a ser apontado por alguns veículos midiáticos como o principal líder dos protestos contra Dilma. No último fim de semana, a revista "Veja" publicou na seção "Páginas Amarelas" uma entrevista de três páginas com o empresário de 46 anos. Dias depois, na segunda-feira (23), Chequer foi o entrevistado da semana no tradicional "Roda Viva", da TV Cultura.

Tanto o MBL quanto o Revoltados evitam usar nomes, mas deixam claro que, para eles, tanta atenção seria consequência de um suposto envolvimento do Vem pra Rua, de Chequer, com o PSDB. "Todos os grupos no Brasil, e isso está muito claro para nós, estão pedindo impeachment. Agora, existe um grupo com uma pauta muito similar à do maior partido de oposição do País e que possui uma relação de grande amizade com as principais lideranças do partido. E me parece que ele ajuda a criar nestes atos um simulacro de 2013, que é justamente o desejo da Dilma", comenta Renan Santos, de 31 anos, um dos líderes do MBL.

Jovem posa em protesto contra Dilma Rousseff, neste domingo (15), em São Paulo. Foto: David Shalom/iG São PauloManifestante exibe cartaz, durante ato contra governo Dilma. Foto: Orlando kissner/ Fotos PúblicasAlgumas mulheres se destacaram na manifestação em São Paulo pelo visual. Foto: Paulo Lopes/Futura PressNa onda do panelaço do domingo (8), manifestante foi para a Avenida Paulista neste dia 15 com panela de pressão. Foto: Uriel Punk/Futura PressA revista "Veja" também serviu de inspiração para um dos cartazes da manifestação deste domingo, dia 15. Foto: Vilmar Bannach/Futura PressA tampa da caixa de pizza (uma alusão a impunidades?) virou cartaz para um dos manifestantes de São Paulo. Foto: Vilmar Bannach/Futura PressMuitos manifestantes carregaram cartazes para a manifestação paulistana. Foto: Vilmar Bannach/Futura PressPelo menos 15 integrantes do grupo Carecas do Subúrbio foram presos na manifestação de São Paulo porque carregavam fogos e soco inglês (15/03/2015). Foto: Paulo Lopes/Futura PressVuvuzelas foram distribuídas pelos organizadores da manifestação em São Paulo. Foto: Alberto Wu/Futura PressManifestantes seguram cartaz durante ato neste domingo (15). Foto: Barbara Liborio/iGManifestantes ocupam prédio do Masp, na Avenida Paulista, em São Paulo. Foto: Robson Fernandjes/ Fotos PúblicasEm Brasília, manifestantes penduram bonecos representando a presidente Dilma e o ex-presidente Lula. Na placa no pescoço de um dos bonecos lê-se "Eu não sei de nada". Foto: AP Photo/Eraldo PeresEm Brasília, uma mulher pedala sua bicicleta de camiseta do Brasil e um cartaz com os dizeres "Fora Dilma, Impeachment já". Foto: AP Photo/Eraldo PeresMãe e filho participam de protesto vestido verde e amarelo em Brasília neste domingo dia 15 de março. Foto: AP Photo/Eraldo PeresEm Brasília, uma homem segura um cartaz em inglês durante o protesto. "Sem mais corrupção no Brasil", diz o cartaz, que sublinha as letras do PT, partido da presidente. Foto: AP Photo/Eraldo PeresNo Rio de Janeiro, manifestantes tomaram a praia de Copacabana para reclamar do governo federal. Foto: AP Photo/Felipe DanaCrianças pintam cartaz em manifestação em São Paulo, no domingo (15). Foto: Barbara Liborio/iGManifestantes levam cruz com nome de Dilma no protesto deste domingo (15), em São Paulo. Foto: Bárbara Libório/iG São PauloAmbulantes aproveitam movimento para vender artigos verde amarelos. Foto: Ana Flávia Oliveira/iG São PauloAmbulantes vendem artigos na avenida Paulista. Foto: Ana Flávia Oliveira/iG São PauloManifestantes saindo do metrô. Foto: Ana Flávia Oliveira/iG São PauloProtestantes vestidos com as cores da bandeira. Foto: Ana Flávia Oliveira/iG São PauloProtestantes escolheu o metrô como meio de locomoção. Foto: Bárbara Libório/iG São PauloProtestantes pedem a saída da presidente Dilma Rousseff. Foto: David Shalom/iG São PauloManifestação em São Paulo neste domingo (15). Foto: David Shalom/iG São Paulomanifestação. Foto: David Shalom/iG São PauloManifestantes contra o governo Dilma se reúnem em frente ao Masp, em São Paulo. Foto: Ricardo ChisteManifestantes contra o governo Dilma se reúnem em frente ao Masp, em São Paulo. Foto: Ricardo ChistePolícia faz cordão de isolamento durante protestos na Avenida Paulista, em São Paulo. Foto: Ricardo ChisteManifestante ergue cartaz, durante protestos contra o governo Dilma, na Avenida Paulista, em São Paulo. Foto: Robson Fernandjes/ Fotos PúblicasManifestantes contra o governo Dilma se reúnem em frente ao Masp, em São Paulo. Foto: Ricardo ChisteManifestação contra o governo Dilma enche a Avenida Paulista, em São Paulo. Foto: Robson Fernandjes/ Fotos PúblicasManifestação contra o governo Dilma enche a Avenida Paulista, em São Paulo. Foto: Robson Fernandjes/ Fotos PúblicasMarcelo Madureira, ex-Casseta & Planeta, participa do protesto anti-Dilma, em Copacabana, Rio de Janeiro. Foto: Marcello Sá Barretto / AgNewsManifestantes pedem o impeachment da presidente Dilma Rousseff, em Copacabana, Rio de Janeiro
. Foto: Tasso Marcelo/ Fotos PúblicasMarcelo Madureira, ex-Casseta & Planeta, participa do protesto anti-Dilma, em Copacabana, Rio de Janeiro. Foto: Marcello Sá Barretto / AgNewsManifestantes pedem o impeachment da presidente Dilma Rousseff, em Copacabana, Rio de Janeiro
. Foto: Tasso Marcelo/ Fotos PúblicasManifestante ergue cartaz, durante protesto contra o governo Dilma, em Copacabana, Rio de Janeiro. Foto: Marcello Sá Barretto / AgNewsManifestante levou faixa com suástica desenhada em protesto no Rio de Janeiro. Foto: Reprodução/Globo NewsAtivista José Júnior postou imagem da orla da Maceió (AL). Foto: Reprodução/Facebook José JúniorFamosos vão para as ruas em manifestações pelo Brasil. Foto: Reprodução/InstagramFamosos vão para as ruas em manifestações pelo Brasil. Foto: Reprodução/InstagramFamosos vão para as ruas em manifestações pelo Brasil. Foto: Reprodução/InstagramFamosos vão para as ruas em manifestações pelo Brasil. Foto: Reprodução/InstagramFamosos vão para as ruas em manifestações pelo Brasil. Foto: Reprodução/InstagramFamosos vão para as ruas em manifestações pelo Brasil. Foto: Reprodução/InstagramFamosos vão para as ruas em manifestações pelo Brasil. Foto: Reprodução/InstagramFamosos vão para as ruas em manifestações pelo Brasil. Foto: Reprodução/InstagramManifestação contra o governo Dilma e corrupção na Petrobras, enche a praça da liberdade, em Belo Horizonte. Foto: Marcelo Sant Anna/Fotos PúblicasManifestação contra o governo Dilma e corrupção na Petrobras, enche a praça da liberdade, em Belo Horizonte. Foto: Marcelo Sant Anna/Fotos PúblicasManifestação contra o governo Dilma e corrupção na Petrobras, enche a praça da liberdade, em Belo Horizonte. Foto: Marcelo Sant Anna/Fotos PúblicasManifestação contra o governo Dilma e corrupção na Petrobras, enche a praça da liberdade, em Belo Horizonte. Foto: Marcelo Sant Anna/Fotos PúblicasManifestação contra o governo Dilma e corrupção na Petrobras, enche a praça da liberdade, em Belo Horizonte. Foto: Marcelo Sant Anna/Fotos PúblicasManifestação contra o governo Dilma e corrupção na Petrobras, enche a praça da liberdade, em Belo Horizonte. Foto: Marcelo Sant Anna/Fotos PúblicasManifestação contra o governo Dilma e corrupção na Petrobras, enche a praça da liberdade, em Belo Horizonte. Foto: Marcelo Sant Anna/Fotos PúblicasManifestação contra o governo Dilma e corrupção na Petrobras, enche a praça da liberdade, em Belo Horizonte. Foto: Marcelo Sant Anna/Fotos PúblicasManifestação contra o governo Dilma e corrupção na Petrobras, enche a praça da liberdade, em Belo Horizonte. Foto: Marcelo Sant Anna/Fotos PúblicasManifestações nas ruas do Recife pedem impeachment da presidente Dilma Rousseff. Foto: Rodrigo Lôbo / Fotos PúblicasManifestações nas ruas do Recife pedem impeachment da presidente Dilma Rousseff. Foto: Rodrigo Lôbo / Fotos PúblicasManifestações nas ruas do Recife pedem impeachment da presidente Dilma Rousseff. Foto: Rodrigo Lôbo / Fotos PúblicasManifestações nas ruas do Recife pedem impeachment da presidente Dilma Rousseff. Foto: Rodrigo Lôbo / Fotos PúblicasNo Recife, a manifestação do dia 15 não registrou incidentes. Foto:  Rodrigo Lôbo/ Fotos PúblicasManifestante engrossa pauta da manifestação no Rio de Janeiro. Foto: Reprodução FacebookEm Salvador, manifestantes pediram o impeachment da presidente Dilma. Foto: João Alvarez/ Fotos PúblicasManifestantes pedem a saída da presidente Dilma no posto 5, em Copacabana, no Rio de Janeiro. Foto: Nina Ramos/iG Rio de JaneiroManifestantes pedem a saída da presidente Dilma no posto 5, em Copacabana, no Rio de Janeiro. Foto: Nina Ramos/iG Rio de JaneiroBelém (PA) também registrou manifestações em protesto contra a presidente Dilma. Foto: Igor Mota/Futura PressRio de Janeiro também se mobilizou nesta manhã de domingo (15) para protestar contra o governo e cobrar o impeachment de Dilma Rousseff. Foto: Nina Ramos/iG RioEm Salvador, a concentração do protesto aconteceu no Farol da Barra. Foto: iG BahiaRio de Janeiro também se mobilizou nesta manhã de domingo (15) para protestar contra o governo e cobrar o impeachment de Dilma Rousseff. Foto: Nina Ramos/iG RioRio de Janeiro também se mobilizou nesta manhã de domingo (15) para protestar contra o governo e cobrar o impeachment de Dilma Rousseff. Foto: Nina Ramos/iG RioNo Rio, assim como em outras cidades onde ocorreu o protesto deste domingo (15), o amarelo predominou nas roupas dos manifestantes. Foto: Nina Ramos/iG RioManifestantes começam a se concentrar em Brasília neste domingo (15) para pedir afastamento da presidente Dilma. Foto: CHARLES SHOLL/FUTURA PRESSManifestantes se concentram em Brasília a espera do protesto em defesa do afastamento da presidente Dilma Rousseff do cargo. Foto: CHARLES SHOLL/FUTURA PRESS


Para Santos, do MBL, a presença de grupos sem o foco unânime de tirar a presidente do poder pode acabar levando ao esvaziamento das manifestações, como teria ocorrido quase dois anos atrás. Na ocasião, após alguns atos em prol da tarifa zero no transporte público, a população aderiu com empolgação às ruas, mas com reivindicações e ideologias tão distantes que em poucos protestos as chamadas "Jornadas de Junho" chegaram ao fim. Chequer, no entanto, rechaça a postura dos colegas de rua.

"Não vejo qualquer sentido nisso. Nosso posicionamento é o mesmo de antes do dia 15: não somos a favor do impeachment, mas isso pode mudar a qualquer momento. Já tínhamos essa postura antes e isso não esvaziou as ruas. Pelo contrário, levamos centenas de milhares de pessoas a elas", rebate Chequer. "Além disso, não vejo nada que pudesse indicar que estaríamos tentando nos apropriar do movimento em geral. Não é o nosso objetivo diminuir a importância de nenhum grupo ou de suas causas. E, não, não temos nenhuma conexão com o PSDB, nem ideológica e nem financeira."

Rogerio Chequer no protesto do último dia 15 de março: a mais festejada figura dos atos
Ana Flávia Oliveira/iG São Paulo
Rogerio Chequer no protesto do último dia 15 de março: a mais festejada figura dos atos

Os grupos pró-impeachment discordam. "Ninguém sai de casa contra um inimigo genérico, contra a corrupção, pela esperança, pela probidade, pela ética. É um protesto contra a Dilma, com foco, cara e objetivo. E, quando o Vem Pra Rua age como tem agido, eles e os militares acabam competindo para ver quem nos atrapalha mais", ataca Santos, do MBL. 

"Eu não posso afirmar que o Chequer tenha relação com o PSDB, mas o grupo dele fez campanha em prol do Aécio [Neves à presidência], os mesmos artistas que apoiaram o Aécio [Neves à presidência] aparecem nos vídeos deles, o [senador tucano] José Serra discursou no caminhão deles [em dezembro]. É aquela coisa do cavalo: relincha, tem crina, anda de quatro, mas eu não posso falar que é um cavalo."

Cordialidade ameaçada
Também houve um afastamento entre os grupos de alguns meses para cá. Se, de acordo com os líderes do MBL, antes havia um relacionamento próximo para debates, inclusive de discussões devido a discordâncias políticas – o Revoltados Online, por exemplo, chegou a postar nas redes sociais após as eleições que "a única saída para o Brasil é a intervenção militar", e voltou atrás, hoje rechaçando a proposta –, atualmente a proximidade entre os pró-impeachment e os grupos discordantes a eles é quase nula. 

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No meio desse caldeirão ideológico, a questão militar passou a ser ridicularizada. Após ver um cartaz no caminhão do movimento SOS Forças Armadas nos protestos do dia 15 com a frase "impeachment é para otário", Marcello Reis passou a classificar "quem pede intervenção de abestado". O líder do Revoltados também adotou um apelido que tem sido disseminado nas redes sociais a respeito de Rogerio Chequer, a quem passou a chamar, de forma bem-humorada, de "Talão de Chequer". 

"Só não estamos batendo em ninguém porque nosso lema é 'juntos somos mais fortes'", ameniza Reis, do Revoltados. "Mas não venha usurpar ou tirar os nossos méritos, frutos de anos de luta contra este governo. O cidadão está vindo para a rua porque está revoltado, quer mudança, quer impeachment, e vemos alguns grupos pegando o carro andando e querendo mudar o rumo da proza."

Marcello Reis, do Revoltados Online: ele voltou atrás e não quer mais a intervenção militar
Bárbara Libório/iG São Paulo
Marcello Reis, do Revoltados Online: ele voltou atrás e não quer mais a intervenção militar

O MBL tem postura semelhante. No protesto do dia 15, o grupo por diversas vezes gritou contra o Vem Pra Rua em seus discursos, bradando que o movimento segue "a mesma cartilha de uma oposição frouxa, que não funciona para este País". Também incentivou vaias entre seus seguidores em direção aos caminhões do SOS Forças Armadas ao longo de toda a tarde.

Mas, por ora, o grupo de Chequer é bem-vindo nos atos dos pró-impeachment. Como define Renan Santos, é um movimento "que não afronta a sociedade, com reais valores democráticos e composto por pessoas sérias, apesar de confundir e atrapalhar nosso foco". "Se começassem a tomar posições diferentes das do PSDB até sentiríamos mais confiança em trabalhar com eles", diz a liderança do MBL. Em relação aos pró-militares, no entanto, a coisa muda bastante de figura. 

"Nós os repudiamos. Tanto que, se necessário, entraremos com uma liminar na Justiça exigindo que eles sejam impedidos de protestar conosco. É uma opção e, se houver meios de cumpri-la, a levaremos adiante", afirma Santos, do MBL. "Existem vários outros dias no ano para que eles exponham suas groselhas. Mas que fiquem longe da gente, pois não somam em nada e só atrapalham." 

O iG pediu entrevistas a Renato Tamaio e a Aparecido Duca de Almeida, lideranças do SOS Forças Armadas, para comentar as críticas dos outros movimentos à sua ideologia, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem.

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