Governo se divide entre perfis político e jornalístico para Comunicação

Por Clarissa Oliveira e Luciana Lima , iG Brasília | - Atualizada às

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Após semanas de negociações, Planalto optou por manter interinamente o secretário-executivo da pasta, Roberto Messias, na vaga deixada por Thomas Traumann

O governo está divido em relação ao perfil que deve ser dado à Secretaria de Comunicação Social, cujo ministro Thomas Traumann teve a demissão confirmada na tarde desta quarta-feira. No entorno da presidente Dilma Rousseff, duas linhas se alternam quando o assunto é o modelo que deve ser seguido na pasta, diante do agravamento da crise de imagem que atinge a administração federal: uma ala defende que seja retomado o perfil político no comando da secretaria; outra avalia que o melhor é manter a linha jornalística na gestão da comunicação.

Thomas Traumann teve sua demissão da Secretaria confirmada na tarde desta quinta-feira
Antonio Cruz/Agência Brasil
Thomas Traumann teve sua demissão da Secretaria confirmada na tarde desta quinta-feira

Traumann teve sua saída da Secom confirmada hoje, por meio de uma nota oficial emitida pelo Planalto. Sua demissão já era tida como certa e chegou a ser cogitada na virada para o segundo mandato de Dilma. No entanto, a dificuldade de encontrar um substituto que atendesse ao perfil pretendido pelo governo e a simpatia da própria presidente em relação ao auxiliar acabaram dando sobrevida a Traumann no cargo.

Até esta tarde, esperava-se que Dilma nomeasse ainda nesta semana o novo ministro da Secom, junto com outras trocas esperadas no primeiro escalão, como a escolha do novo ministro da Educação, em substituição a Cid Gomes, e a acomodação do peemedebista Henrique Eduardo Alves (RN) na Esplanada. O governo, entretanto, anunciou hoje que manterá interinamente o secretário-executivo Beto Messias no comando da secretaria, até que seja encontrado um substituto para Traumann.

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Nas últimas semanas, o governo conduziu várias sondagens para preencher o comando da Secom. Setores do governo, incluindo vários ministros, defenderam internamente a busca de um perfil semelhante ao de Franklin Martins, que conduziu a Comunicação Social no governo Lula e participou da equipe de campanha de Dilma.

Após várias conversas, um nome hoje tido como forte é o do atual diretor-geral da Empresa Brasileira de Comunicação (EBC), Américo Martins. Antes de assumir o cargo a convite do presidente da estatal, Nelson Breve, Martins foi superintendente de Jornalismo e Esportes da RedeTV, diretor da BBC Brasil e editor executivo das Américas na BBC de Londres.

Nos últimos dias, entretanto, setores do governo e do PT intensificaram as pressões para que Dilma opte por um político para a vaga. Como informou nesta tarde o Poder Online, os defensores desse modelo têm se empenhado em apontar como referência os tempos em que a secretaria era comandada por Luiz Gushiken. (http://poderonline.ig.com.br/ index.php/2015/03/25/alas-do- pt-e-do-governo-insistem-em- escolha-de-um-politico-para-a- secom/)

Caso Dilma siga este caminho, um nome citado é o do deputado Alessandro Molon (PT-RJ). A presidente tem boa relação com o petista e costuma elogiar sua atuação na relatoria do Marco Civil da internet. O nome de Molon também já apareceu entre os cotados da Secom, na época em que Dilma entrou em seu segundo mandato.

Roberto Messias (ao fundo) ao lado de Carlos Minc: ele assumiu interinamente cargo na Secom
Agência Brasil
Roberto Messias (ao fundo) ao lado de Carlos Minc: ele assumiu interinamente cargo na Secom

No entanto, essa escolha conflita diretamente com a ala majoritária do PT, liderada pela corrente Construindo um Novo Brasil. Isso porque o deputado pertence a uma corrente menor dentro do partido – a Mensagem ao Partido – que já é representada na Esplanada pelo ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. Além disso, dois outros ministros pertencem a correntes que atuam em conjunto com a Mensagem: Miguel Rossetto (Secretaria-Geral da Presidência) e Pepe Vargas (Relações Institucionais).

Nas últimas semanas, outros nomes chegaram a rodar nas conversas internas. Um deles, que mesclaria um perfil jornalístico e político, é o escritor Emiliano José, ex-deputado federal, ligado ao PT da Bahia. Entre os políticos, petistas chegaram a citar o ex-tesoureiro da campanha de Dilma Edinho Silva, mas as conversas nesse sentido avançaram pouco.

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Com um orçamento de R$ 800 milhões, a Secom é responsável pela interlocução do Palácio do Planalto com a imprensa, além de gerenciar toda verba destinada a publicidade do governo. Outra atribuição da Secom é gerenciar a divulgação de todas as informações nas redes sociais e veículos do próprio governo. Além das contas de Dilma e do Palácio do Planalto no Twitter, Facebook, Instagram e Vine, o governo mantem o site oficial e o Blog do Planalto, cujos conteúdos são produzidos pela Secom.

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A linha que será dada à pasta depende também de um fator: o destino das verbas de publicidade do governo, hoje administradas pela pasta. Setores do PT preferem ver esses recursos sob comando do Ministério das Comunicações, hoje liderado pelo petista Ricardo Berzoini. Há algumas semanas, em uma reunião com líderes petistas em São Paulo, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a mencionar a possibilidade de remanejar as verbas.

Na nota em que oficializou hoje a saída de Thomas Traumann, o Planalto afirmou que a demissão se deu a pedido e foi aceita pela presidente. Nos últimos dias, as especulações em torno do comando da Secom aumentaram com o vazamento de um documento interno da pasta, revelado pelo jornal O Estado de S. Paulo, no qual são listadas críticas à política de comunicação do governo. Jornalista, Traumann ocupou o cargo de porta-­voz em 2012 e, a partir de 2013, assumiu o ministério.

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