"O cenário econômico exige um esforço de todos nós", diz ministra

Por Clarissa Oliveira e Mel Bleil Gallo - iG Brasília | - Atualizada às

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Nilma Gomes, da Igualdade Racial, nega distanciamento do governo de temas sociais, diz que ajuste fiscal não afeta todas as pastas e defende indicação de um negro ao STF

Nilma Gomes, ministra da Igualdade e Promoção Racial
RafaB/PR
Nilma Gomes, ministra da Igualdade e Promoção Racial

Em meio aos protestos que tomaram várias capitais do país, a ministra da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial, Nilma Gomes, minimiza o dilema vivido pelo governo da presidente Dilma Rousseff em equilibrar o ajuste fiscal à promessa de foco na área social. Embora admita a necessidade de um aperto nas contas neste momento, a ministra diz que os ajustes não representam o conjunto do governo e que as realizações de Dilma neste segundo mandato demandam tempo para serem avaliadas.

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"O cenário econômico que está exigindo ajuste neste momento exige um esforço de todos nós. Acho que é aí que você vê se tem uma boa equipe. Quando você está emanado, somado, confiante de que algumas medidas precisam ser tomadas, pensando no bom andamento da sociedade brasileira", afirma Nilma. “Embora sejam momentos muito duros, o objetivo nosso é criar um equilíbrio e fazer todo um mandato com responsabilidade social."

Assista a entrevista em vídeo:

Ela evita comparar o governo Dilma com o do antecessor Luiz Inácio Lula da Silva no que se refere à prioridade dada à questão racial e outras demandas relacionadas à área social, sob o argumento de que não pertenceu à gestão anterior. Mas afirma que o social segue sendo tratado como prioridade na atual administração. “Diferentemente do que algumas pessoas possam pensar, há uma preocupação deste governo com a demanda das questões sociais", emenda. "Acho que muitas vezes tem uma certa ansiedade e a gente tem que dar um pouco de tempo ao tempo", diz a ministra.

Diante da dificuldade do governo de acertar a articulação política, Nilma fala ainda sobre o avanço de grupos conservadores no Congresso. “A democracia é cheia de tensões. Há momentos em que você tem uma onda mais conservadora, há momentos em que você consegue estabelecer mais equilíbrio entre diferentes partes”, diz a ministra, que também demonstra preocupação com a emergência de grupos de extrema direita no país. “Talvez porque nós somos uma democracia jovem no Brasil é que nós assustamos tanto com movimentos quando eles vêm com força total”, relativiza.

Única ministra negra escalada pela presidente Dilma Rousseff neste segundo mandato, Nilma diz que "seria importante" que Dilma indicasse um negro para o Supremo Tribunal Federal - embora insista que esta é uma prerrogativa da presidente. Ela afirma que ainda é preciso “caminhar muito no sentido de termos nossa diversidade étnico-racial completamente representada nas diversas esferas da sociedade brasileira”, mas evita criticar a composição da equipe ministerial. “Esse diálogo para dentro do governo é também um desafio nosso”, diz a mineira, que foi a primeira mulher negra do Brasil a assumir a reitoria de uma universidade federal, em 2013, com o comando da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira.

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