Silêncio de Duque provoca crítica de parlamentares na CPI da Petrobras

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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"Existe uma hora de falar e uma hora de ficar calado", afirmou o ex-diretor da Petrobras durante a abertura da CPI

Na manhã desta quita-feira (19), Renato Duque, ex-diretor da Petrobras, decidiu ficar calado durante todo o depoimento aos integrantes da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras. Aos parlamentares, ele informou que se reservaria ao direito constitucional ao silêncio. "Existe uma hora de falar e uma hora de ficar calado", finalizou. O silêncio causou irritação.

Renato Duque preferiu não responder as perguntas dos parlamentares durante depoimento na CPI da Petrobras (19/03/2015)
Gabriela Korossy/Câmara dos Deputados
Renato Duque preferiu não responder as perguntas dos parlamentares durante depoimento na CPI da Petrobras (19/03/2015)


Apesar da decisão do ex-diretor Renato Duque, os deputados presentes na CPI insistiram em encaminhar suas perguntas.

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"Existe hora de falar e hora de ficar calado", diz Duque na CPI da Petrobras

Diante das repetidas negativas de Duque, o deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS) propôs o fim da sessão e a convocação imediata da mulher do acusado.

O presidente da CPI, deputado Hugo Motta (PMDB-PB), respondeu que o deputado tinha o direito de apresentar requerimento neste sentido, mas que o pedido não poderia ser votado em uma sessão convocada para ouvir depoimentos. Isso poderia ser feito apenas na próxima sessão deliberativa, marcada para a próxima terça-feira (24).

A decisão de Duque de permanecer em silêncio provocou outras reações dos deputados. O deputado Bruno Araújo (PSDB-PE) sugeriu uma mudança legal que permitisse a CPIs oferecer, a exemplo da Justiça, as vantagens da delação premiada a acusados que concordassem em colaborar com as investigações.

Já o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), que é promotor de Justiça, adotou outra estratégia. Ele lembrou o exemplo do processo do Mensalão e elencou as diferenças entre as penas dos operadores financeiros e dos políticos acusados. “O operador Marcos Valério foi condenado a 40 anos de prisão depois de se recusar a colaborar, ao passo que os políticos envolvidos foram condenados a penas brandas. O senhor será condenado a pelo menos 30 anos de prisão e não terá o apoio do PT”, disse. “Se eu pudesse lhe dar um conselho, eu falaria”, concluiu.

Silêncio quebrado

Duque só falou para protestar depois de uma confusão: Não me confunda com Pedro Barusco”. O ex-diretor da Petrobras disse isso durante pergunta feita pelo sub-relator da CPI, deputado Altineu Cortes (PR-RJ), que apelou para o exemplo de Barusco, que concordou em fazer uma delação premiada a respeito das irregularidades na Petrobras. “O senhor será marcado como um dos maiores corruptos do Brasil. Vai ser máscara de carnaval. O senhor está perdendo uma oportunidade. Sua esposa e seus filhos vão passar um grande constrangimento para o resto da vida”, disse o deputado, antes de chamá-lo de Barusco por engano.

Renato Duque, investigado na Operação Lava Jato, seguiu a orientação de seu advogado e não respondeu a nenhuma pergunta dos parlamentares. Foto: Agência BrasilRenato Duque, ex-diretor da Petrobras, negou aos parlamentares da CPI da Petrobras que sua mulher conheça o ex-presidente Lula ou Paulo Okamoto. Foto: Agência BrasilRenato Duque, que foi questionado por parlamentares na CPI da Petrobras nesta quinta-feira (19/03/2015), é uma das principais peças da Operação Lava Jato. Foto: Agência BrasilRenato Duque, ex-diretor da Petrobras, só falou aos parlamentares da CPI quando foi confundido com outro investigado, o ex-gerente Pedro Barusco. Foto: Agência BrasilEx-diretor da Petrobras, Renato Duque foi convocado pela CPI da Petrobras (19/03/2015). Foto: Agência BrasilParlamentares da CPI da Petrobras ficaram irritados com o silêncio de Renato Duque, ex-diretor da petroleira que é está envolvido na Operação Lava Jato. Foto: Agência BrasilIncomodado com o silêncio de Renato Duque na CPI da Petrobras, o deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS) propôs a convocação imediata da mulher do ex-diretor da petroleira. Foto: Agência Brasil



* Com Agência Câmara

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