Segundo investigações, João Vaccari Neto pedia que propinas fossem pagas como doação de campanha ao PT; defesa nega

O Ministério Público Federal denunciou na tarde desta segunda-feira (16) o tesoureiro do PT (Partido dos Trabalhadores) João Vaccari Neto por corrupção e lavagem de dinheiro.

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Os promotores responsáveis pelas investigações da Operação Lava Jato também denunciaram outras 26 pessoas. Entre os denunciados estão Renato Duque, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Pedro Barusco Filho, que era gerente-executivo de Serviços da estatal, o ex-diretor Paulo Roberta Costa, e o doleiro Alberto Yousseff, além de executivos de empreiteitas, já investigados em outras fases da Operação Lava Jato. Todos são acusados dos crimes de lavagem de dinheiro e corrupçao. As acusações serão julgadas pelo juiz federal Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal em Curitiba.

O tesoureiro do PT, João Vaccari Neto (arquivo)
Agência Brasil
O tesoureiro do PT, João Vaccari Neto (arquivo)

Na denúncia, os procuradores apontam novos desvios de recursos em contratos com a Petrobras. Desta vez, as obras investigadas foram a Refinaria Getúlio Vargas, em Araucária, no Paraná, e na Refinaria de Paulínia, em São Paulo.

Os promotores estimam que os esquema de desvio e pagamentos de propinas feitos entre os anos de 2008 e 2010, apenas na Diretoria Abastecimento, sob o comando de Duque, chegue a R$ 4 bilhões. A procuradoria não ligou o pagamento de propina a campanha de nenhum político do Partido dos Trabalhadores. 

De acordo com a investigação, as proprinas chegavam a 3% dos contratos firmados. 

"Nós temos evidências de que João Vaccari Neto tinha consciencia de que esses pagamentos eram feitos a titulo de proprina", disse o procurador do MPF Deltan Dallagnol, durante coletiva de imprensa nesta tarde, em Curitiba (PR). 

"Essa acusação tem por base de oitivas da PF em que Eduardo Leite confirmou que Vaccari pediu que parte das proprinas fossem pagas por meio da doações ao partido", completou o procurador. 

A investigação da Lava-Jato completa um ano nesta terça-feira. Hoje, foi deflagrada a 10ª fase da operação.

Outro lado

A defesa de Vaccari Neto informou que o tesoureiro "não participou de nenhum esquema para recebimento de propina ou de recursos de origem ilegal destinados ao PT".

"Ressaltamos que causa estranheza o fato de que o senhor Vaccari não ocupava o cargo de tesoureiro do PT no período citado pelos procuradores, durante entrevista no dia de hoje, uma vez que ele assumiu essa posição apenas em fevereiro de 2010", informou o advogado Luiz Flávio Borges D'Urso, em nota.

D'Urso informou ainda que o tesoureiro repudia as referências dos delatores, que "não correspondem à verdade", diz. "Ele não recebeu ou solicitou qualquer contribuição de origem ilícita destinada ao PT, pois as doações solicitadas pelo sr. Vaccari foram realizadas por meio de depósitos bancários, com toda a transparência e com a devida prestação de contas às autoridades competentes", informou. 

A defesa disse ainda que o acusado permanece à disposição das autoridades para esclarecimentos.

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