Cardozo disse ainda que não se sentiu constrangido com os panelaços ouvidos durante sua coletiva. Dilma se reuniu com ministros pela manhã para avaliar a conjuntura política

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, disse que a presidente não demonstrou fragilidade diante das manifestações ocorridas no domingo (15) que pediam o impeachment. Segundo ele, após os protestos que tomaram as ruas das principais cidades brasileiras, Dilma se mostrou “firme” na condução da equipe.

“Ela é uma mulher que tem um arraigado sentimento de democracia e ela tem uma característica. Ela é muito firme. Ela sabe conduzir sua equipe dentro das orientações dela. Posso dizer. A presidente Dilma não é uma mulher frágil. Ela é firme para enfrentar os desafios que lhe são colocados”, disse o ministro após participar da reunião da coordenação política do governo com a presidente, nesta segunda-feira (16). No Palácio do Planalto.

Cardozo reafirmou que a presidente Dilma anunciará até o fim da semana o pacote de medidas anticorriupção que está sendo preparado e que o governo está aberto ao diálogo com movimentos que o apoiam e os que são contrários.

O ministro comentou que não se sentiu constrangido com os panelaços ocorridos durante sua entrevista coletiva no domingo (15), após os protestos. Segundo ele, “quem se constrange com atos democráticos, não é democrático”. “Muitos brasileiros ouviram o que queriam dizer. As pessoas que não queriam ouvir, bateram panelas”, disse o ministro, após a reunião que avaliou a atual conjuntura política e social do país.

“Houve um tempo em que, se alguém batesse panela enquanto o ministro da Justiça falava, era enquadrado na Lei de Seguranças Nacional. Felizmente isso mudou. Antes, o ministro da Justiça dizia: nada a declarar. Hoje, eu tenho o dever de declarar. Eu estaria rasgando um passado de luta do povo brasileiro se eu me constrangesse com alguém batendo panela”, disse Cardozo.

Da reunião participaram os ministros de Minas e Energia, Eduardo Braga; da Casa Civil, Aloizio Mercadante; da Secretaria-Geral, Miguel Rossetto; da Secretaria de Aviação Civil, Eliseu Padilha; de Relações Institucionais, Pepe Vargas; de Ciência e Tecnologia, Aldo Rebelo; das Cidade, Gilberto Kassab; da Defesa, Jaques Wagner, da Secretaria de Comunicação, Thomas Traumann, além do chefe do Gabinete Pessoal da presidente, Gilles Azevedo.

Reforma política

Cardozo ainda reafirmou que como resposta às manifestação o governo insistirá na defesa da reforma política. O governo tem se agarrado na tese de que o atual sistema político é a “porta de entrada” para a corrupção, devido a necessidade de financiamento das campanhas, cada vez mais caras.

“Está claro que, cada vez mais, é necessário debatermos a realidade de nosso sistema político. Os brasileiros precisam ter um sistema político que não seja porta de entrada para a corrução”, enfatizou.

Após a reunião, o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga  disse eu o governo tem buscado “com humildade” enfrentar a crise econômica, mas que há um “esgotamento” de sua capacidade de mitigar os efeitos sobre a população.

“O governo buscou até o esgotamento de sua capacidade mitigar estes desafios e mantendo os programas sociais. Nenhum programa social do governo será  extinto”, disse o ministro que admitiu a possibilidade de “correções” nos objetivos.

Além disso, Braga disse que não há como o governo continuar fazendo política anti-cíclica, ou seja, tomando medidas que suavizam o impacto da crise para a população, mas aumentam os gastos do governo.

“É preciso ter coragem para fazer ajustes”, disse Braga.

“Nossa capacidade de subsidiar, nosso esforço anti-cíclico chegou ao limite de nossa responsabilidade. Nós chegamos ao nosso limite. O governo precisa compartilhar com todos. Não temos mais como segurar esses subsídios e alavancar empregos como fizemos em 2008”, disse Braga.

Confira imagens dos protestos de 15 de março pelo País




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