"Não somos a favor do impeachment, mas isso pode mudar", avisa líder de protesto

Por David Shalom - iG São Paulo |

compartilhe

Tamanho do texto

Para Rogerio Chequer, do Vem pra Rua, manifestação pode motivar Congresso a debater saída da presidente Dilma

Uma coisa de cada vez e ainda não é o momento de pedir o impeachment de Dilma Rousseff. É essa a lógica do pensamento de Rogerio Chequer, fundador do grupo Vem pra Rua, um dos movimentos que organizam a manifestação marcada para o próximo domingo (15) em diversas cidades do País. 

"O impeachment é um processo político e penal e, para isso, precisa de uma parte jurídica consistente. E não temos tese jurídica para isso ainda", afirma ao iG o empresário de 46 anos, líder do mais moderado dos grupos organizados que saem às ruas no próximo fim de semana. "Mas isso pode mudar a qualquer momento. Basta que nos deparemos com qualquer tese que mostre constitucionalmente um motivo para se pedir a saída da presidente."

Divulgação
"Não acredito que apoio a regime militar encontre eco no Brasil de hoje", diz empresário

Fundado no ano passado, em meio ao início da disputa eleitoral que reelegeu a presidente Dilma Rousseff à presidência da República, o Vem pra Rua é um movimento que em pouco tempo ganhou amplo apoio nas redes sociais. Na quinta-feira (12), às vésperas do protesto que pretende mobilizar dezenas de milhares em coro contra a chefe do Poder Executivo nacional, a página do grupo no Facebook já somava mais de 297 mil curtidas.

Partiu do movimento a ideia de fazer um "panelaço" contra a presidente no último domingo (8), que se espalhou por bairros de diversas capitais brasileiras ao longo do primeiro pronunciamento oficial de Dilma em seu segundo mandato. Sinais de que a manifestação têm tudo para contar com uma grande mobilização, segundo Chequer.

"Foi mais uma evidência de que a população não aguenta mais ser desrespeitada pelo governo. Não sei quantas pessoas atraíremos, teria de dar um chute, mas parece que a indignação tem se tornado o tom de boa parte das pessoas em relação ao governo."

Novato
Apesar do tom de indignação que lembra o de veteranos na arte dos protestos, Chequer é um novato no segmento. Menos de dois anos atrás, quando ocorreram as manifestações que levaram milhares às ruas contra governos municipais, estaduais e federal em todo o Brasil, no que ficou conhecido como "Jornadas de Junho", o empresário não compareceu a nenhum ato.

Leia mais:
Famosos convocam população para protestos contra Dilma Rousseff

De fato, até meados do ano passado Chequer nunca havia participado de qualquer manifestação de rua em sua vida. A inserção do empresário no mundo do ativismo social veio durante as eleições de 2014, marcadas pela polarização entre apoiadores do governo do PT e opositores, representados pela figura de Aécio Neves, então candidato à presidência da República pelo PSDB. 

Veja imagens do mais recente protesto contra a presidente da República:

Militantes fazem protesto exigindo impeachment de Dilma Rousseff e fim do PT no Masp, em São Paulo, neste sábado (31). Foto: Vilmar Bannach/Futura PressMilitantes fazem protesto exigindo impeachment de Dilma Rousseff e fim do PT no Masp, em São Paulo, neste sábado (31). Foto: Vilmar Bannach/Futura PressMilitantes fazem protesto exigindo impeachment de Dilma Rousseff e fim do PT no Masp, em São Paulo, neste sábado (31). Foto: Vilmar Bannach/Futura PressMilitantes fazem protesto exigindo impeachment de Dilma Rousseff e fim do PT no Masp, em São Paulo, neste sábado (31). Foto: Vilmar Bannach/Futura Press

"Foi minha indignação com o que tem aparecido de sujeira do ano passado para cá que me levou a me engajar", diz o empresário. Chequer enumera os grupos de diferentes ideologias, alguns até em prol da volta da ditadura militar ao País, que se reunirão em torno de uma ideologia em comum, exigindo "um basta de corrupção, um basta no aparelhamento do Estado, um basta de populismo, um basta de campanhas eleitorais caríssimas e um basta do desrespeito dos políticos que após eleitos deixam de considerar o direito de quem os elegeu".  

"O fato de ninguém aguentar mais este governo é o que compartilhamos. A diferença é a forma de mudança que cada um pede, mas todos vão coexistir no mesmo espaço", afirma Chequer. "Nós, por exemplo, somos absolutamente contra qualquer tipo de intervenção militar, golpismo ou separatismo. Eu sequer acredito que coisas como essas tenham eco no Brasil de hoje. Mas o desespero, às vezes, faz com que as pessoas reclamem de coisas que não fazem sentido, como é o caso de alguns desses movimentos. Para eles, gritar por impeachment é dizer um basta, é mostrar que o País sangra os recursos dos trabalhadores brasileiros."

Leia também:
Camisetas, bonés e kit impeachment: moda para manifestantes custa até R$ 175
Manifestações devem ser recebidas com tranquilidade, diz Dilma Rousseff
Roqueiro e ativista na web, líder anti-Dilma defende privatizar saúde e educação

Para Chequer, no fim das contas, o importante é que as ruas estejam tomadas. E que, a partir disso, a insatisfação de parte da população contra a presidente pressione o Legislativo a tomar iniciativas que prejudiquem o governo.

"O que pode acontecer depois do dia 15 é o Congresso tomar consciência da magnitude do descontentamento brasileiro e isso, sim, incentivar o impeachment", prevê o empresário. "Teremos um ato pacífico, sem infiltrados e por direitos concretos. Se existem grupos pró-governo, eles não estarão nas ruas no domingo. Acredito, sim, na presença de um grande contingente de pessoas que votaram no PT e estão arrependidos. Estes devem se juntar à nossa causa e engrossar o coro contra Dilma Rousseff."

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas