Lobão: "Governo é uma porcaria. E se não fosse, eu seria oposição mesmo assim"

Por Thiago Ney - iG São Paulo |

compartilhe

Tamanho do texto

Músico, que promete para 2015 seu 1º disco de estúdio em 10 anos, diz que artista não pode ser chapa-branca

Lobão não lança disco de estúdio desde 2005, mas passou boa parte da última década na mídia. A incontinência verbal substituiu as canções, graças aos momentos como editor de revista ("OutraCoisa"), escritor ("50 Anos a Mil" e "Manifesto do Nada na Terra do Nunca"), apresentador de TV ("MTV Debate", "A Liga") e, sobretudo, ativista político contra os governos Lula-Dilma Rousseff.

A mutação garantiu-lhe a condição de baluarte do antipetismo – direita para alguns, conservadorismo para outros, anárquico para Lobão, o autodeclarado músico-pensador capaz de destilar veneno para Dilma, Lula, PT, Tropicália, rap e Herbert Vianna, com ar de inteligente sem freio na língua. Especialmente a partir do acirramento do processo eleitoral, no ano passado, seus bate-papos antipetistas em vídeo, com gente como Olavo de Carvalho, circulam rapidamente pela rede e dividem opiniões.

Agora, aos 57 anos, Lobão se equilibra entre a gravação solitária de um disco novo (prometido para o segundo semestre) e novos ataques ao PT – que têm uma plateia cativa. "O governo é uma porcaria. E se não fosse porcaria, eu deveria ser oposição mesmo assim", disse, aparentando mais calma do que em seus virulentos vídeos, em entrevista ao iG, em sua casa/estúdio, no bairro do Sumaré, em São Paulo.

O músico Lobão em entrevista ao iG
Felipe Santiago/iG

Leia mais: 

Famosos convocam população para protestos contra Dilma Rousseff

Manifestações devem ser recebidas com 'absoluta tranquilidade', diz Dilma

OAB apoia manifestações e pede que criminosos sejam punidos

Lobão diz que o novo disco ocupa praticamente todo seu tempo - descontados os minutos em que ataca, em redes sociais e no YouTube, o governo federal e pessoas que se posicionam a favor do PT. Para o cantor, artista não pode ser chapa-branca.

"Não posso concordar com essa doutrinação fascitoide de esquerda", afirma. "A Regina Casé é a cara da nossa esquerda. Fica dizendo que o Brasil é diferente, que nós somos diferentes - não, nós somos piores, somos muito piores. E enquanto não reconhecermos isso, não sairemos dessa merda".

Se até 2002 chegou a vestir camiseta petista e apoiar Lula publicamente, inclusive fazendo show gratuito para o PT, Lobão diz agora que estará na manifestação contra a presidente Dilma Rousseff na avenida Paulista, em São Paulo, neste domingo (15). Mas não subirá em carro de som, porque não quer ficar ligado a grupos que apoiam um golpe militar.

Assista à entrevista ao iG:


Leia tudo sobre: lobãodilma rousseffmanifestações

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas