Pacífico, protesto em SP reúne 12 mil pessoas a favor de Dilma e contra ajuste

Por Ana Flávia Oliveira e David Shalom - iG São Paulo | - Atualizada às

compartilhe

Tamanho do texto

Esforços da CUT, do MST e dos outros grupos que participaram dos atos desta sexta-feira se concentraram em São Paulo, onde cerca de 12 mil compareceram; no Rio, não passaram de 1,5 mil

Manifestantes iniciam caminhada na Avenida Paulista em direção à região central de São Paulo
Robson Fernandjes/Fotos Públicas
Manifestantes iniciam caminhada na Avenida Paulista em direção à região central de São Paulo

Integrantes da Central Única dos Trabalhadores (CUT), de movimentos sociais, como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), e estudantis, como a União Nacional dos Estudantes (Une), transformaram a principal avenida de São Paulo em uma grande festa pró-Dilma Rousseff toda pintada de vermelho, nesta sexta-feira (13).

Bandeiras de sindicatos e partidos políticos, como o PSTU, eram empunhadas no ar ao lado de faixas e balões da CUT, que foram posicionados na fachada da sede da Petrobras na capital paulista, junto aos três caminhões de som em que os organizadores faziam discursos inflamados em defesa da presidente – "pró-democracia", como exaltavam – e contra os ajustes fiscais do governo, "que prejudicam a classe trabalhadora".

Na concentração no local, militantes contaram até com banda tocando sucessos da música pop para levantar o ânimo para o protesto, que caminharia 4 km em direção à Praça da República. Não houve confronto com opositores radicais ao governo do Revoltados Online, com manifestação marcada para o mesmo local às 15h, como era esperado.

No total, os protestos convocados pela CUT foram realizados em 24 Estados do País e no Distrito Federal e reuniram mais de 30 mil pessoas, de acordo com dados da polícia. No Rio, somente 1,5 mil compareceram; número semelhante a Campo Grande, Maceió e Recife. 

Dia de Lutas
O ato na Avenida Paulista fez parte do Dia Nacional de Lutas, convocado pela CUT. Com discursos distintos entre os grupos presentes, o protesto teve como bandeiras a defesa da Petrobras, da democracia e da reforma política, e contra as medidas de ajuste fiscal anunciadas pelo governo nos últimos meses que, para as centrais sindicais, prejudicam os trabalhadores.

Parte dos manifestantes também se mostrou contrária ao impeachment e a favor da presidente Dilma. Alguns participantes arriscaram cantar "Olê, olê, olê, olá, Dilma, Dilma." Bandeiras com os dizeres "Dilma presidente" e camisetas com o rosto da chefe do Poder Executivo também podiam ser vistas entre os militantes.

Leia também:
MTST, MPL e black blocs rechaçam presença em protesto contra Dilma
Grupos anti-Dilma recebem doações para bancar organização de protestos
Famosos convocam população para protestos contra Dilma Rousseff

O clima era de grande evento, com vendedores ambulantes circulando enquanto ressoava o grito de guerra "O Povo Unido Jamais Será Vencido". Às 15h, mais de seis mil pessoas já participavam do ato, ocupando um movimentado trecho da avenida mais famosa de São Paulo. Em dado momento, todas as faixas da Paulista ficaram fechadas para que os militantes pudessem caminhar.

"Esta falácia de que o governo Dilma é corrupto não existe. Temos orgulho da nossa luta e da nossa história", gritava o cantor Ernesto Guervala, que entoou uma série de canções pop, de Jota Quest a Raul Seixas, em cima do trio elétrico da manifestação. "Este protesto é contra o fascismo nojento da direita do nosso Brasil!"

Manifestantes protestam em São Paulo a favor da Petrobras e contra ajuste fiscal
David Shalom/iG São Paulo
Manifestantes protestam em São Paulo a favor da Petrobras e contra ajuste fiscal

Segundo o presidente da Confederação dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Onofre Gonçalves, o ato desta sexta-feira foi contra o pedido de impeachment da presidente da República Dilma Rousseff, embora não seja uma ação contrária ao protesto marcado para domingo (15) no País.

“É um ato em defesa da soberania nacional e da Petrobras. Quem quiser falar contra isso, que faça o protesto no domingo”, destacou. “Se tem alguém querendo um terceiro turno, isso não está escrito na Constituição. A eleição brasileira é em dois turnos. Se alguém está esperando o terceiro, deve esperar as próximas eleições”, acrescentou.

Leia também:
Manifestações devem ser recebidas com tranquilidade, diz Dilma
Bolsonaro é o mais indicado à Presidência, diz integrante do Revoltados Online
Sem endossar impeachment, PSDB declara apoio formal aos protestos

Segundo Gonçalvez, além da defesa da Petrobras, a ação reivindica uma ampla reforma política no País, com o fim de financiamento privado de campanhas e a preservação de direitos trabalhistas: “É um ato dos trabalhadores e trabalhadoras em que nós reivindicamos, primeiro, que as Medidas Provisórias [que alteram benefícios trabalhistas e previdenciários] sejam revistas, porque mexem em direitos e não queremos que se mexa em nenhum direito dos trabalhadores. Segundo, em defesa da Petrobras, que é uma das estatais do povo brasileiro, gerando milhões de empregos, que não pode ser privatizada e fragilizada a ponto de servir aos interesses internacionais.”

"Estamos em defesa da Petrobras, dos direitos dos trabalhadores, da democracia", concordou Waldir Tadeu David, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Públicos de Saúde do Estado de São Paulo (Sindsaude), ligado à CUT. "Temos de respeitar o governo eleito democraticamente. Golpe não! E é o que a direita brasileira está fazendo. Acredito que a maioria aqui não está para defender Dilma, mas a democracia, o direito adquirido na eleição."

Os integrantes do SindSaúde-SP saíram da Secretaria Estadual de Saúde, na Avenida Doutor Arnaldo, para se juntar ao ato da CUT. A Avenida Paulista foi fechada nos dois sentidos por volta das 15h30 e a passeta, iniciada às 16h.

O secretário-geral da Central de Trabajadores de la Argentina, Hugo Yasky, também marcou presença no ato. "Trago de meu país nossa solidariedade com a classe trabalhadora, com a Petrobras e com povo brasileiro. Pelo petróleo do Brasil, da Argentina, da Bolívia e de toda a América Latina! Contra o imperialismo", exortou ele, que citou Lula; o ex-presidente da Venezuela Hugo Chávez; a presidente da Argentina, Cristina Kirchner; e o presidente da Bolívia, Evo Morales, em tom elogioso.

Presidente nacional da CUT, Wagner Freitas também discursou sobre a solidariedade da central sindical em relação aos trabalhadores da Petrobras, que passa pela maior crise de sua história em meio à investigação da Operação Lava Jato. "Este ato não será o único que vamos fazer em defesa da democracia. O Brasil vai precisar se empenhar muito para responder aos que querem acabar com a democracia no País", bradou.

No caminhão da central, gritos contra os brancos privados empurravam os movimentos. "Queremos Caixa Econômica Federal 100% pública. Itaú, Bradesco e HSBC não vão ditar as regras no nosso Brasil!"

Em passagem do ato pela Praça dos Ciclistas, cerca de dez moradores em sacadas de um edíficio vaiaram os manifestantes. Uma pessoa chegou a exibir um cartaz com os dizeres "Fora Dilma!". Os militantes responderam com gritos, mandando-os "pular das sacadas".

Ambulantes nas ruas
Enquanto o trio elétrico ressoava sucessos da música popular, dois jovens se moviam freneticamente vendendo doces a manifestantes. Integrantes do MST que pediram pra não ser identificados, eles explicaram que o motivo para a barraquinha improvisada era alimentar os presentes no ato, "pois por aqui é tudo muito caro".

Manuel Marcos, de 50 anos, vende capas de chuva durante manifestação
Ana Flávia Oliveira/iG São Paulo
Manuel Marcos, de 50 anos, vende capas de chuva durante manifestação

Mas os petiscos não saíam de graça. Produzidos pelos próprios militantes, os bolos de cenoura com chocolate eram vendidos a R$ 2,50, mesmo preço do suco de maracujá e da trufa em três sabores diferentes. O café, o mais consumido pelos colegas de protesto, custava R$1.

Enquanto isso, o vendedor Manuel Marcos, 50 anos, tentava tirar o dele. "Olha a capa de chuva, olha a capa!", gritava enquanto passava pela fina garoa que atingia a Paulista no meio da tarde. O investimento de R$ 150, segundo o ambulante, deu retorno. Cada capa era vendida a R$ 5 e ele esperava voltar para casa com R$ 500. O ambulante disse que geralmente aproveita manifestações para aumentar a renda. "Eu olhei a previsão do tempo e vim para cá", afirma.

MAIS: Veja imagens das manifestações em defesa da Petrobras: 

Apesar da chuva, manifestantes de São Paulo caminharam por cerca de quatro horas para defender a Petrobras e o governo no protesto de sexta-feira (13 de março). Foto: Paulo Pinto/Fotos PúblicasA Avenida Paulista foi tomada por manifestantes pró-governo nesta sexta-feira 13. Foto: Robson Fernandjes/Fotos Públicas  Membros de Centrais Sindicais e do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, realizam ato em frente a sede da Petrobras, na avenida Paulista, em São Paulo. Foto: Paulo Pinto/ Fotos PúblicasEntre os manifestantes de Brasília, houve quem pedisse a saída de Joaquim Levy, ministro da Fazenda. Foto: Mel Bleil Gallo / IG Brasília Membros de Centrais Sindicais e do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, realizam ato em frente a sede da Petrobras, na avenida Paulista, em São Paulo. Foto: Paulo Pinto/ Fotos Públicas Membros de Centrais Sindicais e do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, realizam ato em frente a sede da Petrobras, na avenida Paulista, em São Paulo. Foto: Paulo Pinto/ Fotos Públicas Membros de Centrais Sindicais e do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, realizam ato em frente a sede da Petrobras, na avenida Paulista, em São Paulo. Foto: Paulo Pinto/ Fotos Públicas Membros de Centrais Sindicais e do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, realizam ato em frente a sede da Petrobras, na avenida Paulista, em São Paulo. Foto: Paulo Pinto/ Fotos Públicas Membros de Centrais Sindicais e do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, realizam ato em frente a sede da Petrobras, na avenida Paulista, em São Paulo. Foto: Paulo Pinto/ Fotos Públicas Membros de Centrais Sindicais e do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, realizam ato em frente a sede da Petrobras, na avenida Paulista, em São Paulo. Foto: Paulo Pinto/ Fotos Públicas Membros de Centrais Sindicais e do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, realizam ato em frente a sede da Petrobras, na avenida Paulista, em São Paulo. Foto: Paulo Pinto/ Fotos Públicas Membros de Centrais Sindicais e do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, realizam ato em frente a sede da Petrobras, na avenida Paulista, em São Paulo. Foto: Paulo Pinto/ Fotos Públicas  Membros de Centrais Sindicais e do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, realizam ato em frente a sede da Petrobras, na avenida Paulista, em São Paulo. Foto: Paulo Pinto/ Fotos Públicas Membros de Centrais Sindicais e do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, realizam ato em frente a sede da Petrobras, na avenida Paulista, em São Paulo. Foto: Paulo Pinto/ Fotos Públicas Membros de Centrais Sindicais e do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, realizam ato em frente a sede da Petrobras, na avenida Paulista, em São Paulo. Foto:  Paulo Pinto/ Fotos Públicas  Membros de Centrais Sindicais e do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, realizam ato em frente a sede da Petrobras, na avenida Paulista, em São Paulo. Foto: Paulo Pinto/ Fotos PúblicasProfessores Apeoesp se reúnem na Avenida Paulista. Foto: Ana Flávia Oliveira/iG São PauloManifestantes se reúnem na Avenida Paulista. Foto: David Shalom/iG São PauloManifestantes se reúnem na Avenida Paulista. Foto: David Shalom/iG São PauloManifestantes se reúnem na Avenida Paulista. Foto: David Shalom/iG São PauloPessoas se protegem da chuva durante manifestação da CUT na Avenida Paulista, em São Paulo. Foto: David Shalom/iG São PauloPolicias filmam manifestação da CUT na Avenida Paulista, em São Paulo. Foto: David Shalom/iG São PauloManifestantes da CUT saem em passeata na Avenida Paulista. Foto: David Shalom/iG São PauloVeja as principais reivindicações da manifestação da CUT na Avenida Paulista, em São Paulo. Foto: David Shalom/iG São PauloShopping fecha as portas durante manifestação da CUT na Avenida Paulista, em São Paulo. Foto: David Shalom/iG São PauloManifestantes protestam em São Paulo a favor da Petrobras e contra ajuste fiscal. Foto: David Shalom/iG São PauloManifestantes protestam em São Paulo a favor da Petrobras e contra ajuste fiscal. Foto: David Shalom/iG São PauloManifestantes protestam em São Paulo a favor da Petrobras e contra ajuste fiscal. Foto: David Shalom/iG São PauloManifestantes protestam em São Paulo a favor da Petrobras e contra ajuste fiscal. Foto: David Shalom/iG São PauloManifestantes protestam em São Paulo a favor da Petrobras e contra ajuste fiscal. Foto: David Shalom/iG São PauloManifestantes protestam em São Paulo a favor da Petrobras e contra ajuste fiscal. Foto: David Shalom/iG São PauloManifestantes protestam em São Paulo a favor da Petrobras e contra ajuste fiscal. Foto: David Shalom/iG São PauloManifestantes protestam em São Paulo a favor da Petrobras e contra ajuste fiscal. Foto: David Shalom/iG São PauloManifestantes se reúnem em frente a Petrobras, na Avenida Paulista, em São Paulo. Foto: Ana Flávia Oliveira/iG São PauloManifestantes se reúnem em frente a Petrobras, na Avenida Paulista, em São Paulo. Foto: Ana Flávia Oliveira/iG São PauloManifestantes se reúnem em frente a Petrobras, na Avenida Paulista, em São Paulo. Foto: Ana Flávia Oliveira/iG São PauloManifestantes se reúnem em frente a Petrobras, na Avenida Paulista, em São Paulo. Foto: Ana Flávia Oliveira/iG São Paulo Manifestantes vão sair em passeata pelas ruas do Recife. Foto: Giselly Santos/LeiaJáImagens Manifestantes vão sair em passeata pelas ruas do Recife. Foto:  Giselly Santos/LeiaJáImagens Manifestantes vão sair em passeata pelas ruas do Recife. Foto: Giselly Santos/LeiaJáImagensNa manhã desta sexta (13), protesto de centrais sindicais em Minas Gerais fechou a BR-381 . Foto: JOÃO LEUS / O TEMPO BETIMProtesto em apoio à Petrobras ao lado da Câmara de Vereadores de Recife (PE), na manhã desta sexta-feira (13). A manifestação foi convocada por centrais sindicais. Foto: Marlon Costa/Futura PressManifestantes participam de ato em Salvador (BA), na manhã desta sexta-feira (13), do dia de manifestações em apoio à Petrobras. Foto: omildo de Jesus/Futura PressPetroleiros fazem protesto em frente à refinaria da Petrobras, Regap, em Minas Gerais. Foto: Divulgação/Sindicato dos PetroleirosEm Betim (MG), os petroleiros começaram os protestos em favor da Petrobras no início da manhã desta sexta (13). Foto: JOÃO LEUS / O TEMPO BETIM



Leia tudo sobre: protestocentrais sindicaispetrobras

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas