Organizador de ato pró-impeachment de Dilma acusa oposição de “omissão”

Por Luciana Lima - iG Brasília |

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Os tucanos decidiram apoiar os protestos sem, no entanto, defender o impeachment. Já a organização dos protestos aponta a saída de Dilma como um sinal para mundo de que o Brasil está começando a “limpar a casa”

Um dos organizadores mais atuantes dos protestos marcados para o próximo domingo (15), o advogado e contabilista Paulo Batista reclamou da falta de compromisso dos políticos de oposição com o movimento. Para ele, a oposição está sendo mais uma vez “omissa” ao não se juntar às manifestações populares que pedem o impeachment da presidente Dilma Rousseff.

“O Brasil está onde está porque nós nunca tivemos oposição”, disse Batista, que organiza uma das páginas mais acessadas nas redes sociais, integrada ao movimento "Brasil Livre”. “Os políticos de oposição deveriam estar tomando posição mais contundente e estão se omitindo. Não sei porque estão se omitindo”, questionou Batista, que e filiado ao PRP e foi candidato a deputado estadual nas últimas eleições em São Paulo, no entanto, não se elegeu. Na campanha, Batista adotou o codinome “raio privatizador”.

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Nesta quarta-feira, após se reunir com a executiva de seu partido, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) disse que impeachment “não está na agenda do PSDB”, mas que seu partido apoia protestos contra Dilma. Após a reunião em Brasília, o partido ainda divulgou nota seguindo a linha que já vinha sendo ditada por dirigentes nacionais de não apoiar publicamente pedidos de impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Decisão do PSDB, presidido por Aécio Neves, de não apoiar o impeachment é criticada por grupo que participará de manifestação no domingo (15)
Edilson Rodrigues/Agência Senado
Decisão do PSDB, presidido por Aécio Neves, de não apoiar o impeachment é criticada por grupo que participará de manifestação no domingo (15)

Para Batista, parte da responsabilidade pelo caos deve-se à inoperância da oposição. “O nosso maior problema no cenário político é a imperícia, a imprudência e a omissão. Enquanto muito se discute culpa eu acho que o principal é discutirem as omissões. Se estamos onde estamos é porque não tivemos um governo competente e também nunca tivemos a oposição que nós deveríamos ter”, enfatizou.

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O movimento, de acordo com Batista, tem defendido o impeachment como um sinal para o mundo de que o Brasil começou a “limpar a casa”. “No nosso entendimento, o principal responsável por tudo isso que está acontecendo é o gestor. É como uma empresa. Se existe um problema administrativo, ele precisa ser penalizado, no mínimo afastado de suas atuações, até que tudo venha ser apurado e aí sim, sem a interferência dele, possamos ter resultados em mãos para que população compreenda que houve legitimidade nas ações e legalidade nas decisões”, ponderou.

“Hoje nós estamos vendo nosso país protagonizando a maior vergonha da política mundial e a impressão que a gente tem é que tudo está acabando em pizza e isso não pode continuar desta forma”, enfatizou.

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“Neste momento nós precisamos demonstrar aos investidores estrangeiros, às empresas nacionais, que existe o início de uma mudança Isso é o principal. Não é somente uma insatisfação. É também falta de crédito. Não há crédito no governo. Nós precisamos iniciar um processo para resgatar a credibilidade e a moral do país e da administração federal. O início disso é a mudança do gestor”, disse Batista ao ser questionado sobre o PMDB assumir o país em caso do impeachment de Dilma.

“Se o PMDB vai conseguir eu não sei, mas nós temos que demonstrar nossa insatisfação ao mundo dizendo que tínhamos um problema sim, mas estamos resolvendo, estamos limpando a casa”, justificou.

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