"Me senti traído", afirma Izar sobre indicação no Conselho de Ética

Por Marcel Frota - iG Brasília |

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Presidente na legislatura passada, deputado ficou contrariado com seu partido, o PSD, ao não ser indicado como titular do grupo e questionou motivação de seu líder

Presidente do Conselho de Ética da Câmara dos Deputados nos dois últimos anos, Ricardo Izar (PSD-SP) diz se sentir traído por seu partido por não ter sido indicado novamente para compor o grupo. Sem essa indicação, Izar não pode concorrer a um novo mandato a frente do Conselho de Ética. Com a divulgação da lista dos parlamentares que serão alvo de inquerito no Supremo Tribunal Federal pelo suposto envolvimento no esquema de corrupção da Petrobras, há expectativa de que o ano será movimentado no Conselho de Ética.

“Me senti traído”, disparou Izar. “Historicamente, os presidentes sempre tiveram a oportunidade de disputar a reeleição. Nunca aconteceu de um presidente não ter sido indicado como titular. Acho muito estranho, estava tudo acordado e de repente não sou indicado”, acrescentou ele, que citou como exemplo seu próprio pai, Ricardo Izar, que presidiu o Conselho na época em que surgiram as denúncias do chamado mensalão.

Ricardo Izar
Agência Câmara
Ricardo Izar

Segundo o regimento interno da Casa, a exemplo do que acontece com a própria Mesa Diretora, os presidentes não podem concorrer a reeleição dentro da mesma legislatura. Izar poderia disputar porque presidiu o Conselho de Ética na Legislatura passada. A eleição para definir o novo presidente do Conselho de Ética está marcada para a tarde desta quarta-feira, mas como há sessão do Congresso Nacional marcada para às 11h, com pautas polêmicas, existe a chance que a eleição fique mesmo para quinta-feira.

O deputado paulista diz ter sido pego de surpresa na semana passada quando retornou de uma viagem a Barcelona, na Espanha, para participar da Mobile World Congress 2015, uma feira de telecomunicações. Segundo ele, ao chegar ao país, descobriu que o líder da bancada, Rogério Rosso (PSD-DF), havia indicado Jose Carlos Araújo (PSD-BA) e Sergio Brito (PSD-BA) como titulares e que seu nome havia sido oferecido para a suplência, o que o impossibilitaria de tentar a reeleição.

“Ele (Rosso) não me explicou porque não me colocou como titular. Disse apenas que achava que eu não queria ser candidato. Perguntei se ele estava atendendo ao pedido de alguém e ele disse que não, mas acho que está. Não tem explicação para o presidente ficar de fora. Não sei se é porque estou num partido da base, não sei se é pedido de alguém ligado ao escândalo ou se realmente achou que eu não queria mais”, afirma Izar.

Decisão do líder

O líder do PSD nega que tenha atendido a algum pedido ou sofrido alguma pressão para retirar Izar do Conselho de Ética. “Não houve nada. Tanto o deputado Sergio Brito, quanto o José Carlos Araújo são membro do conselho e pediram para ser mantido. Não houve pressão. Foi uma decisão do líder”, disse Rosso, que teve o apoio direto de Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD e ministro das Cidades, para ocupar a liderança do PSD na Câmara.

Perguntado se o nome do presidente não seria uma escolha natural do partido, Rosso foi curto. “Os nomes naturais seriam daqueles que já estavam no Conselho”, disse ele, sem considerar que o três deputados do PSD já compunham o conselho. Izar chegou a retirar seu nome da suplência para tentar ser indicado como titular por outro partido. Chegou a contatar o PSDB, o PR e, na noite desta terça-feira, buscou aproximação com o PRB. Entretanto, o líder do PRB, Celso Russomanno (SP), indicou Fausto Pinato (PRB-SP) para representar a legenda no Conselho de Ética, enterrando as possibilidade de Izar.

Revanche

A esperada reedição da disputa de 2013, entre Izar e Marcos Rogério (PDT-RO) está definitivamente afastada. Eles disputaram o mesmo cargo em 2013, quando Izar saiu vitorioso por 11 a 10 votos numa candidatura que derrubou a articulação que deverai eleger Rogério com o apoio na época do então presidente da Casa, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN). A própria candidatura de Rogério passou a ser dúvida nos últimos dias. Além dele, Araújo e Brito também são pré-candidatos e o nome de Arnaldo Faria de Sá também aparece nos bastidores como nome de preferência do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Tanto Rogério quanto Izar foram considerados rigorosos por alguns colegas por causa da atuação deles nos processos contra André Vargas (ex-PT-PR) e Luiz Argôlo (SDD-BA). Os dois representados tiveram como resultado de seu processo no Conselho de Ética pedidos de cassação. O de Vargas foi aprovado no Plenário. O de Argôlo foi sobrestado e será retomado caso o baiano volte para a Câmara. Argôlo é o primeiro suplente do SDD na Bahia.

Segundo membros indicados para o Conselho, Rogério estaria disposto a não disputar o cargo. De acordo com esses parlamentares, ele teria recebido do presidente da Câmara dos Deputados a promessa de ser indicado para presidir uma comissão extraordinária de peso durante essa legislatura em troca de abrir mão da disputa. Rogério nega qualquer tipo de acerto com Cunha. “Isso é conversa”, resumiu Rogério, que admitiu ter procurado o presidente da Câmara em busca de apoio.

“Estive com ele duas vezes e pedi o apoio dele. Ele me respondeu que não poderia apoiar nenhum dos candidatos porque todos o haviam apoiado na disputa à presidência da Mesa e que por isso ficaria neutro. Eu compreendi a situação”, afirmou Rogério. Apesar disso, Cunha tem feito articulações em defesa de Faria de Sá para a presidência do Conselho.

Rogério diz que se sente incomodado com a disputa no Conselho de Ética ser realizada dpois da divulgação da lista dos parlamentares que deverão ser alvo de inquérito no STF. “Isso constrange quem vai disputar e mesmo quem for indicado ao conselho. Você já tem o conhecimento sobre quem será investigado. Isso é um preocupação”, declarou o deputado de Rondônia.

Ele diz que sua candidatura está manntida, mas admite abrir mão da disputa somente em uma possibilidade. “Só haveria uma chance de abrir mão. Se houver uma polarização radical de tal forma que essa divisão nos enfraqueça e dê a alguém ligado a quem está na berlinda a ganhar a disputa. Quem vai presidir o Conselho tem de ter independência. Não pode nem ser justiceiro e nem ser compadre”, disse ele. Rogério deverá se reunir com aliados na manhã desta quarta-feira para discutir o tema.

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