'Organizadores' do panelaço contam como movimento foi convocado

Por BBC - Ricardo Senra |

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Mesmos grupos estão entre os principais articuladores dos protestos marcados para o próximo 15 de março a favor do impeachment de Dilma

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O panelaço que estampou capas dos principais jornais brasileiros nesta segunda-feira não foi uma reação às palavras ditas por Dilma Rousseff em seu discurso no Dia Internacional da Mulher.

Registrado em diversas cidades, o barulho foi articulado na semana anterior por pelo menos três grupos: Revoltados Online, Vem pra Rua e Movimento Brasil Livre. Por meio de montagens fotográficas com imagens de Dilma e Lula no Facebook, os grupos convidavam a população para o bate panela, independente do que a presidente dissesse em seu pronunciamento oficial.

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"Independente do que fosse dito ela tomaria o panelaço", completa Marcello Reis, líder do Revoltados Online, movimento que reivindica a autoria da mobilização digital. "É importante frisar que a iniciativa partiu da gente."

"(O panelaço) Teve comunicação prévia, sim", confirmou à BBC Brasil Kim Kataguri, porta-voz do Brasil Livre. "Depois se espalhou de maneira espontânea."

Panelaço simultâneo trouxe visibilidade aos protestos marcados para o dia 15 em pelo menos 34 cidades
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Panelaço simultâneo trouxe visibilidade aos protestos marcados para o dia 15 em pelo menos 34 cidades


Os mesmos grupos estão entre os principais articuladores dos protestos marcados para o próximo 15 de março a favor do impeachment de Dilma.

"A gente queria preparar um esquenta para as manifestações da semana", explica Reis.

O "esquenta" continua: desde o episódio, as páginas conclamam seus seguidores a enviarem fotos interagindo com a imagem da presidente em seu pronunciamento. A maior parte das imagens compartilhadas pela página mostra gestos obcenos.

"Não orientamos ninguém a fazer essa coisa do dedo", diz Reis, do Revoltados Online. "Compartilhei a imagem de um médico amigo meu fazendo o gesto e as pessoas começaram a repetir."

Resultados

Em seu primeiro pronunciamento em rede nacional desde o início do segundo mandato, Dilma Rousseff pediu paciência aos brasileiros e atribuiu os problemas enfrentados pelo país ao que definiu como crise internacional.

"Estamos na segunda etapa do combate à mais grave crise internacional desde a grande depressão em 1929", disse a presidente.

Em sua fala, Dilma afirmou que "não havia como prever que a crise internacional duraria tanto". Durante o discurso de 15 minutos, destacou "a coincidência de estarmos enfrentando a maior seca da nossa história, no Sudeste e no Nordeste" e fez breve menção às investigações da operação Lava Jato.

"A mão da Justiça vem se fortalecendo", disse. "É isso, por exemplo, que vem acontecendo na apuração ampla, livre e rigorosa nos episódios lamentáveis contra a Petrobras."

Em meio a críticas ao discurso ─ classificado por muitos como "desconectado da realidade" ─, o panelaço simultâneo trouxe visibilidade aos protestos marcados para o dia 15 em pelo menos 34 cidades ─ de Natal, no Rio Grande do Norte, a Blumenau, em Santa Catarina.

Nas últimas 24 horas, segundo a ferramenta Topsy, o termo "panelaço" apareceu 44 mil vezes no Twitter. A palavra impeachment, por sua vez, foi compartilhada 14 mil vezes no mesmo período.

As hashtags mais associadas a "panelaço" foram #foracardozo (referência ao ministro da Justiça José Eduardo Cardozo), #vaiadilma e #foradilma.

Além do Brasil ─ que concentrou 89% das menções ─, o panelaço foi compartilhado nos Estados Unidos, em países europeus e na Austrália. 66% das publicações foram compartilhadas por homens.

Veja os políticos que estão na lista da Operação Lava Jato:

Antes de aparecer na lista de Janot, Renan Calheiros disse que não conhecia Youssef ou envolvidos na Lava Jato. Foto: Câmara dos Deputados/Gustavo LimaO ex-presidente e senador pelo PTB de Alagoas, Fernando Collor, é acusado de ter recebido dinheiro de Yousseff. Foto: ReproduçãoPresidente da Câmara, Eduardo Cunha está entre os que serão investigados na Lava Jato. Foto: Gustavo Lima / Câmara dos DeputadosSenador pelo PMDB do Maranhão e ex-ministro das Minas e Energia de Dilma, Edison Lobão é investigado em inquérito que envolve a ex-governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB). Foto: CÉLIO AZEVEDO/AGÊNCIA SENADO - 15.5.2007Senadora pelo PT do Paraná ex-ministra da Casa Civil de Dilma, Gleisi Hoffman foi citada em delação premiada da Lava Jato. Foto: FacebookAlvo de inqúerito, Antônio Anastasia é senador pelo PSDB de Minas Gerais,  ex-governador do Estado e foi coordenador de campanha de Aécio à Presidência. Foto: daniel de cerqueira - 7.11.2014Senador pelo PP do Piauí, Ciro Nogueira teve dois inquéritos arquivados, mas é alvo de um terceiro, que envolve outras 36 pessoas. Foto: Agência BrasilLindberg Farias, senador pelo PT do RJ, é suspeito de ter pedido dinheiro a Paulo Roberto Costa. Foto: Futura PressEx-governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB) é citada também no inquérito contra o senador Edison Lobão (PMDB-MA). Foto: BETO BARATA/AGência ESTADO - 4.1.2011Deputado pelo PP da Paraíba, Aguinaldo Ribeiro fio ministro das Cidades durante o governo Dilma. Foto: DivulgaçãoVilson Covatti foi deputado federal pelo PP do Rio Grande do Sul até janeiro de 2015. Foto: Facebook/ReproduçãoDeputado federal pelo PT de São Paulo e ex-líder do governo Lula, Cândido Vaccarezza teria recebido R$ 400 mil em propina. Foto: Agência BrasilAlvo de inquérito, Humberto Costa é senador pelo PT de Pernambuco e foi ministro da Saúde durante o governo Lula. Foto: DivulgaçãoSenador pelo PMDB de Roraima, Romero Jucá foi líder dos governos FHC e Lula. Foto: Agência SenadoSenador pelo PMDB de Rondônia, Valdir Raupp foi governador de Rondônia e líder do partido. Foto: DivulgaçãoEx-ministro da Casa Civil de Dilma Rousseff, Antônio Palocci terá suas condutas investigadas pela Polícia Federal no Paraná, para onde o STF mandou o inquérito. Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil - 2.1.11Tesoureiro do PT, João Vaccari Neto é alvo do processo que envolve 37 pessoas. Foto: Agência BrasilDeputado federal pelo PP de Mato Grosso, Pedro Henry foi condenado no processo do mensalão. Foto: Agência BrasilDeputado federal pelo PMDB do Ceará, Aníbal Gomes é investigado no inquérito que envolve 37 pessoas. Foto: Divulgação/Governo Municipal de AcaraúDeputado federal pelo PP do Rio de Janeiro, Simão Sessim ocupa o cargo desde a década de 1970. Foto: Agência CâmaraEx-deputado federal pelo PP de Pernambuco, teve seu mandato cassado na esteira do escândalo do mensalão. Foto: Agência BrasilDeputado federal pelo Solidariedade da Bahia, Luiz Argôlo chegou a ter sua cassação aprovada pelo Conselho de Ética da Câmara. Foto: Agência CâmaraDeputado federal pelo PP do Paraná, Nelson Meurer é presidente do partido no Estado. Foto: Agência CâmaraDeputado pelo PP do Acre, Gladson Cameli é investigado no inquérito que envolve 37 pessoas. Foto: Agência CâmaraDeputado federal pelo PP de Goiás, Roberto Balestra é investigado no maior inquérito, que envolve 37 pessoas. Foto: DivulgaçãoDeputado federal pelo PP de Goiás, Sandes Júnior, é alvo do maior inquérito da Operação, com 37 investigados. Foto: DivulgaçãoDeputado federal pelo PT do Mato Grosso, Vander Loubet é investigado em inquérito que inclui o deputado Cândido Vaccarezaa (PT-SP). Foto: DivulgaçãoSenador pelo PP do Piauí, Ciro Nogueira teve dois inquéritos arquivados, mas é alvo de um terceiro, que envolve outras 36 pessoas. Foto: DivulgaçãoDeputada federal pelo PP de São Paulo, Aline Corrêa consta da lista de 37 investigados de um dos inquéritos da Lava Jato. Foto: Agência CâmaraSenador pelo PP de Alagoas, Benedito de Lira iniciou sua carreira política no extinto Arena, que apoiava a ditadura militar. Foto: DivulgaçãoDeputado federal pelo PT de São Paulo, José Mentor foi líder estudantil contrário à ditadura militar. Foto: DivulgaçãoDeputado federal pelo PP do Rio Grande do Sul, José Otávio Germano é alvo de dois pedidos de instauração de inquérito. Foto: DivulgaçãoDeputado federal pelo PP do Ceará, José Linhares Ponte foi padre e usa a experiência de sacerdócio nas campanhas eleitorais. Foto: ReproduçãoDeputado federal pelo PP de Pernambuco até janeiro  de 2015, Roberto Teixeira é investigado no inquérito que envolve 37 pessoas. Foto: DivulgaçãoDeputado federal pelo PP de Santa Catarina até janeiro de 2015, João Alberto Pizzolatti Junior é alvo do inquérito que envolve outras 36 pessoas. Foto: Facebook/ReproduçãoDeputado federal pelo PP da Bahia até janeiro de 2015, Mário Negromonte foi ministro das Cidades durante o governo Dilma. Foto: WikimediaDeputado pelo PP do Maranhão, Waldir Maranhão é investigado no inquérito que envolve outras 36 pessoas. Foto: Facebook/ReproduçãoVice-governador da Bahia, comandada por Rui Costa (PT), João Leão foi deputado federal pelo PP do Estado. Foto: ReproduçãoDeputado federal pelo PP de Rondônia até janeiro de 2015, Carlos Magno Ramos foi secretário da Casa Civil do ex-governador  e hoje senador Ivo Cassol (PP). Foto: DivulgaçãoDeputado federal pelo PP da Bahia, Roberto Britto é investigado no inquérito que envolve outras 37 pessoas. Foto: Facebook/ReproduçãoDeputado federal pelo PP do Rio Grande do Sul, Renato Molling é investigado no inquérito que envolve 37 pessoas. Foto: Facebook/ReproduçãoDeputado federal pelo PP do Rio Grande do Sul, Luis Carlos Heinze é investigado no inquérito que envolve 37 pessoas. Foto: Facebook/ReproduçãoDeputado federal pelo PP do Tocantins, Lázaro Botelho é investigado no inquerito que envolve 37 pessoas. Foto: Facebook/ReproduçãoDeputado federal pelo PP de São Paulo, José Olímpio se apresenta como missionário da Igreja Mundial do Poder de Deus. Foto: Facebook/ReproduçãoDeputado federal pelo PP do Rio Grande do Sul, Afonso Hamm é investigado no inquérito que envolve outras 37 pessoas. Foto: Facebook/ReproduçãoDeputado federal pelo PP, Jerônimo Goergen foi vice-líder da bancada do PP na Câmara dos Deputados. Foto: Facebook/ReproduçãoDeputado federal pelo PP do Paraná, Dilceu Sperafico é investigado no inquérito que envolve outras 37 pessoas. Foto: Twitter/ReproduçãoDeputado federal pelo PP de Alagoas, Arthur Lira é filho de Benedito de Lira, também investigado na Lava Jato. Foto: Twitter/ReproduçãoDeputado pelo PP de Minas Gerais, Luiz Fernando Faria é investigado no inquérito que envolve 37 pessoas. Foto: ReproduçãoDeputado federal pelo PP de Pernambuco, Eduardo da Fonte foi segundo vice-presidente da Câmara e líder do PP na Casa. Foto: Divulgação


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