Presidente e seu antecessor precisam, por sobrevivência, afinar discurso e tentar desembaraçar os fios com líderes do PMDB

Na visita que fará nesta terça-feira (10) a São Paulo, dois dias depois do panelaço que ofuscou o pronunciamento do Dia Internacional da Mulher, a presidente Dilma Rousseff  deve ter um encontro fora da agenda oficial com Luiz Inácio Lula da Silva . Os objetivos: aparar arestas com o ex-presidente e discutir alternativas à crise que consome a popularidade do governo.

Presidente Dilma Rousseff (PT) faz pronunciamento sobre a crise na noite deste domingo (08)
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Presidente Dilma Rousseff (PT) faz pronunciamento sobre a crise na noite deste domingo (08)

A adequação da agenda para reunião com Lula acontece pela necessidade de criar uma blindagem à presidente Dilma Rousseff num momento em que as oposições elevam o tom. A viagem já estava prevista e faz parte de um roteiro que inclui ainda outras três agendas em capitais: Rio Branco, na quarta-feira, Rio de Janeiro, na quinta-feira, e Belo Horizonte, na sexta.

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Distanciados desde a reforma que afastou do núcleo do poder os homens de confiança do ex-presidente, Dilma e Lula agora precisam, por sobrevivência, afinar o discurso e buscar apoio de aliados para uma crise que se vislumbra longa e turbulenta.

Na agenda sobram temas espinhosos: as tensas relações com os presidentes do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), depois da inclusão dos dois na lista de investigados na Lava Jato; uma possível reforma ministerial que melhore a presença do PMDB na Esplanada; contraponto às manifestações orquestradas por grupos hostis ao governo – e que insistem bater na tecla do impeachment; a agenda do PT e dos movimentos sociais para se antecipar a onda de manifestações que deve começar no próximo domingo.

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Além do possível recrudescimento das manifestações, o governo está preocupado com o redesenho das forças que dominam o Congresso. O PMDB, ferido com a divulgação dos pedidos de inquérito apresentados pelo procurador Geral da República, Rodrigo Janot, pode transformar-se, de principal fiador da coalização, em um grande problema para a presidente Dilma. Renan Calheiros e Eduardo Cunha se sentiram desprestigiados com a suposta falta de apoio do governo, que teria protegido petistas e deixado aliados ao relento.

Além do comando sobre as duas Casas, o partido controla a nova CPI da Petrobras, que tem potencial para agravar o desgaste do governo. O presidente da CPI, Hugo Motta (PMDB-PB), já avisou que, se necessário, pode investigar supostas relações de Lula e Dilma com os malfeitos na estatal. Um dos mais jovens congressistas da história, com 25 anos de idade, notório aliado de Eduardo Cunha, Motta tem feito um discurso de independência do governo, demonstrando, em entrevistas, que está mais preocupado com sua biografia do que defender o governo.

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