Governador do Amazonas é suspeito de compra de votos

Por iG São Paulo |

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Eleitores teriam recebido dinheiro, favores e presentes em troca dos votos. O esquema está registrado em planilhas

O governador reeleito do Amazonas, José Melo, do PROS, é suspeito de comprar votos, segundo reportagem do programa "Fantástico", da TV Globo, exibida neste domingo (8), que cita investigação da polícia e registros da contabilidade do esquema em planilhas e recibos. 

José Melo foi reeleito com 55,54% dos votos na última eleição
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José Melo foi reeleito com 55,54% dos votos na última eleição

Em troca dos votos, os eleitores recebiam presentes, como óculos, favores e dinheiro usado para alugar salão de festas e até reforma de túmulos. Melo foi reeleito no ano passado com 55,54% dos votos derrotando o adversário Eduardo Braga (PMDB) no segundo turno.

As planilhas mostram recibos de R$ 5,3 mil pagos por Evandro Melo, do comitê do governador para pagar o aluguel do salão de festas em Manaus, onde foi realizado uma formatura da faculdade de Odontologia. Em troca do "favor", os alunos confirmaram que votaram no governador na última eleição.

Na contabilidade do esquema, ainda aparece o pagamento de R$ 450 para a reforma de um túmulo para o filho de uma eleitora, que mora na periferia da capital. Ela confirmou o recebimento do dinheiro. A reportagem cita ainda o pagamento de R$ $ 20 mil para aluguel de ônibus usados para transportar eleitores para votar - prática proibida pela legislação eleitoral.

Pagamento de R$ 1 milhão

A denúncia inclui também o pagamento de R$ 1 milhão pelo serviço de implementação de solução tecnológica de monitoramento em tempo real móvel às vesperas da abertura da Copa do Mundo. A arena de Manaus, construído especialmente para o evento, foi palco de quatro jogos partidas. 

O valor foi pago a Agência Nacional de Segurança e Defesa", presidida por Nair Queiroz Blair, que já tinha sido condenada a devolver mais de R$ 3 milhões (valores corrigidos) ao Ministério da Cultura em 2007. Naquele ano, a empresa Angrhamazonica, fundada por Nair, foi contratada pelo MinC para organizar cinco eventos no Brasil e no exterior. Foi realizado apenas o Réveillon de Brasília, no ano seguinte e pelo contrato, a empresa recebeu cerca de R$ 2,5 milhões. Ela foi interrogada por desvio de dinheiro público pela CPI das Ongs, em 2009.

À reportagem, o governador se pronunciou em nota em que afirma que "as denúncias que estão sendo apresentadas surgiram durante a campanha eleitoral" e foram "fabricadas pelo adversário Eduardo Braga" que "insiste no terceiro turno".

Também em nota à reportagem, o adversário Eduardo Braga, Ministro de Minas e Energia, do PMDB, diz que soube "das denúncias de irregularidades nas eleições do ano passado" "pelas chamadas televisivas exibidas nos últimos dias". E presume que façam parte de processos jurídicos que tramitam na Justiça Eleitoral. Diz também que considera o assunto "de interesse público".

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