José Eduardo Cardozo afirma que é equivocada interpretação de que presidente não foi investigada e enfatiza que governo não tem como interferir ou influenciar rumos da operação

Em tom enfático, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, veio a público para defender  Dilma Rousseff (PT) em relação a acusações de suposto envolvimento da presidente da República nos desvios investigados pela Operação Lava Jato , na tarde deste sábado (7).

Em seu discurso, ele afirmou que o ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF), não viu qualquer indício de participação de Dilma no escândalo e, por este motivo, não houve sequer pedido de arquivamento de investigações contra a presidente.

José Eduardo Cardozo: ele defendeu a independência das instituições que investigam operação
Agência Brasil
José Eduardo Cardozo: ele defendeu a independência das instituições que investigam operação

"Dos fatos que constaram da delação premiada, não há sequer indícios que pudessem envolver a presidente da República. Nada há a arquivar. Porque, quando você tem fatos narrados que não justificam abertura de inquérito, se diz 'arquive-se'", disse Cardozo, em coletiva de imprensa realizada em São Paulo. "Ele [ Zavascki ] não fala 'arquive-se'. Ele diz 'nada há a arquivar'. Por quê? Porque não há nada, não há fatos, não há indícios."

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Por essa razão, disse Cardozo, é incorreta a interpretação de que Dilma só não foi investigada por estar protegida pela Constituição. O texto proíbe a responsabilização do presidente da República por "atos estranhos ao exercício de suas funções".
Assim, mesmo que houvesse indícios de envolvimento de Dilma com o escândalo antes de assumir o cargo, ela não poderia ser investigada.

"Eu vi vários órgãos de imprensa dizendo:  'a presidenta só não foi investigada porque a Constituição proíbe investigações que não seja em decorrência de atos praticados no exercício de seu mandato. Não é verdade", criticou o ministro da Justiça.  "Dizer que a presidente Dilma não foi investigada por haver um dispositivo constitucional que não permitiria, isso não é verdade. É incorreto dizê-lo. Ela não foi investigada porque não havia indícios."

A suspeita sobre o envolvimento de Dilma surge de uma menção de Paulo Roberto Costa, diretor de abastecimento da Petrobras, à liberação de R$ 2 milhões à campanha da presidente em 2010, por intermédio de Antônio Palocci; e de uma afirmação, por parte e Yousseff, que Dilma e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sabiam do esquema na estatal.

O Ministério Público Federal, entretanto, entendeu que as menções não eram suficientes em si para iniciar investigação contra a presidente e o ex-presidente.

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O ministro aproveitou para criticar, sem citar o nome da publicação, a revista Veja, que às vésperas de eleição divulgou essa suspeita levantada por Yousseff.

"Aquilo que foi dito com verdade absoluta na véspera da eleição (...) agora, o Procurador-Geral da República, referendado pelo STF, diz que não 'há indícios mínimos capazes de autorizar a abertura de qualquer procedimento'".

Cardozo ainda alfinetou, indiretamente, o senador Aécio Neves (PSDB). O tucano, adversário de Dilma na eleição de 2014, foi citado pelo doleiro Alberto Yousseff, mas o Procurador-Geral da República (PG), Rodrigo Janot, pediu o arquivamento das investigações contra ele por entender que as menções eram vagas. O STF concordou com o Supremo.

Ministro nega interferências

O ministro usou a coletiva de imprensa para negar interferência do governo nas investigações e criticar juízos a partir da abertura dos inquéritos pelo STF. A maioria dos investigados é do PT ou de partidos da base aliada do governo.

"Os fatos que estão narrados têm que ser comprovados. O que existe nesse caso é uma mera abertura de inquérito. Nós não podemos prejulgar ninguém."

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