Citado na Operação Lava Jato, presidente da Câmara diz que Janot age com motivações políticas na apuração do caso

No dia seguinte à divulgação da lista de políticos que serão investigados por suposto envolvimento em desvios apurados pela Operação Lava Jato, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), partiu para o ataque contra o Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, a quem acusou de ter motivações políticas para a inclusão dos nomes. O legislador é um dos 49 políticos citados no documento, divulgado pelo Supremo Tribunal Federal, na noite de sexta-feira (6).

O presidente da Câmara dos Deputados, um dos nomes de peso citados na lista de Rodrigo Janot
Luis Macedo / Câmara dos Dep. 11.2.2015
O presidente da Câmara dos Deputados, um dos nomes de peso citados na lista de Rodrigo Janot

"Esta é mais uma 'alopragem' que responderei e desmontarei com relativa facilidade", escreveu Cunha em carta aberta postada em suas contas oficiais no Twitter e no Facebook. "Fui à CPI da Petrobras – que, aliás, ajudei a criar – para me colocar à disposição para esclarecer. Vou pedir ao presidente para comparecer visando a detalhar vírgula a vírgula dessa indecente petição do Sr. Janot."

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Em oito tópicos, Cunha negou uma a uma as acusações que vê como mentirosas citadas na petição da Procuradoria-Geral, rechaçando, por exemplo, a responsabilidade de o PMDB ter indicado Paulo Roberto Costa e Nestor Cerveró à Petrobras. Ressaltou que o lobista Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano, "nunca representou o partdo e muito menos a mim".

Veja imagens e funções dos políticos supostamente envolvidos em desvios:

 "Bastava uma pesquisa simples no portal da Câmara e ele [Janot] poderia provar sua relação comigo. Só que ele não tem como provar, porque nunca me representou", disse Cunha

O presidente da Câmara ainda chamou de "absurdo" criminalizar doações de campanhas ao PMDB por parte de empresas envolvidas no escândalo, pois todos os candidatos majoritário receberam dinheiro delas. "Por que então não abriram inquérito contra todos?", indagou Cunha.

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"Me causa estranheza que não tenham me pedido explicações, como, aliás, sempre foi praxe na PGR. Após ler [o relatório] não me restou qualquer dúvida de que um novo depoimento do delator, 10 dias após eu me eleger, e usar como referência a história já desmentida do policial e doações oficiais de campanha como indícios, teve motivações políticas. O PGR agiu como aparelho visando a imputação política de indícios como se todos fossem parte da mesma lama."

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