Acusados minimizam lista da Lava Jato e dizem desconhecer acusações

Por iG Brasília | - Atualizada às

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Eduardo Cunha diz que tomará ciência das acusações antes de se pronunciar sobre o assunto

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) informou, por meio de sua assessoria, que ainda precisa conhecer o teor das acusações que pesam contra ele no inquérito instaurado no Supremo Tribunal Federal (STF), antes de falar sobre o assunto.

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Cunha é um dos seis nomes do PMDB investigados no esquema de propina instaurado na Petrobras e investigado pela Operação Lava Jato. O sigilo sobre os processos dos suspeitos com foro privilegiado foi quebrado nesta sexta-feira pelo relator do inquérito no STF, ministro Teori Zavascki.

Além de Cunha, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), também está entre os investigados.


Entre os peemedebistas investigados estão ainda o ex-ministro de Minas e Energia, senador, Edison Lobão (PMDB-MA), que também preferiu não falar sobre a citação de seu nome antes de saber o conteúdo das acusações. Da mesma forma, o senador Romero Jucá (PMDB-RR) informou, por meio de sua assessoria, que ainda vai esperar para falar sobre o assunto.

Além deles, também são investigados o presidente do partido, senador Valdir Raupp (RO), o deputado Aníbal Gomes (CE) e a ex-governadora do Maranhão Roseana Sarney (MA).

Outro citado no inquérito é o ex-deputado federal Luiz Argolo (BA), que deixou o PP e se filiou ao Solidariedade. De acordo com o presidente do Solidariedade, Paulinho da Força (SP), a abertura de investigações contra o ex-deputado “já era esperada” e o processo será “acompanhado de perto”. Segundo o dirigente, o partido aguardará o desenrolar das investigações antes de tomar qualquer decisão quanto à permanência de Argolo no partido.

A presidente nacional do PTB, Cristiane Brasil, anunciou que não se pronunciará sobre a instauração de um inquérito contra o ex-presidente da República e senador Fernando Collor (PTB-AL). O petebista é acusado pelo doleiro Alberto Yousseff de ter recebido cerca de R$ 3 milhões no esquema de propinas da Petrobras. A decisão do STF já era esperada pela cúpula da sigla que preferiu adotar a estratégia de se distanciar do ex-presidente, na tentativa de preservar a imagem da sigla.

Já o líder do PP na Câmara, Eduardo da Fonte (PE), informou que ainda fará a leitura dos processos antes de se pronunciar oficialmente. De acordo com o deputado, os documentos foram solicitados ao STF, mas ainda não foram entregues ao parlamentar.

Também citado na lista, o líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), disse, por meio de nota, ter recebido “com surpresa e indignação” a inclusão de seu nome na lista enviada pela Procuradoria-Geral da República ao STF e que “confia no consequente arquivamento” da denúncia em razão de estar certo da insubsistência de qualquer ilação que haja contra ele.

De acordo com o petista, há quatro meses seus sigilos bancário, fiscal e telefônico foram disponibilizados à Justiça. Costa afirmou ainda que “não tem conhecimento formal, até o presente momento, de quaisquer fatos que lhe tenham sido atribuídos, salvo pelas supostas informações de criminosos vazamentos seletivos oriundos de delações prestadas à Justiça por réus confessos”. 

PP

Do PP, 32 nomes estão na lista de investigados. O partido informou, por meio de nota, que "não compactua com atos ilícitos e confia na apuração da Justiça para que a verdade prevaleça nas investigações da Operação Lava Jato".

Entre os investigados do PP, os deputados federais gaúchos Jerônimo Goergen e José Otávio Germano negaram as acusações, por meio de notas à imprensa. Germano disse não ter “absolutamente nada a ver com quaisquer ilícitos relativos a Petrobras”.

“Não há hipótese de que algo desabonatório ao meu nome ou a minha conduta possa ser encontrado nas investigações da operação Lava Jato, causando-me indignação e repúdio eventual ilação”, afirmou ainda Germano, que será representado pelo advogado José Antônio Paganella Boschi nas investigações.

Já Goergen disse que irá “enfrentar de frente essa denúncia infundada”. “Toda a nossa bancada do PP gaúcho foi colocada nesse balaio de gato. Querem misturar doações ao partido com o envolvimento individual. Estou à disposição de todos para falar sobre isso”, afirmou. O deputado divulgou nota na qual se disse surpreso com a citação de seu nome.

O deputado Vander Loubet (PT-MS) disse que é inocente e que falará sobre as acusações após conhece-las. Já o deputado Simão Sessim (PP-RJ) também se disse surpreendido pelas acusações. “Constituirei um advogado para acompanhar o processo, com a consciência tranquila, de um homem público que, ao longo dos seus mais de 40 anos de vida pública, nunca teve o seu nome envolvido com irregularidades de qualquer tipo”, disse.

PSOL

Em nota, a bancada do PSOL no Congresso Nacional disse que “os fatos criminosos que a Operação Lava Jato revela atentam contra os valores republicanos e impõem apuração plena e punição rigorosa” e defendeu, novamente, o fim do financiamento privado de campanha como instrumento de combate à corrupção. Os parlamentares voltaram a pedir o afastamento de todos os investigados que ocupam cargos estratégicos, sejam na Mesa Diretora, no Conselho de Ética ou à frente de comissões e relatorias da Casa.

“O fato de não termos qualquer parlamentar de nosso partido citado não nos conforta nem acomoda”, diz ainda o documento, ao informar que o partido ingressará com representação no Conselho de Ética contra os parlamentares “de acordo com a robustez dos indícios”.


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