Em meio a tensão, políticos ensaiam discurso para responder à lista da Lava Jato

Por Luciana Lima , iG Brasília | - Atualizada às

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Diante do suspense sobre o levantamento do sigilo sobre o processo que apura desvios na Petrobras, parlamentares falam em 'tortura' e alegam insuficiência das provas

À espera da divulgação da lista de políticos que serão alvo de investigação por conta das suspeitas de envolvimento em desvios na Petrobras, deputados e senadores já ensaiam discursos para desqualificar as possíveis acusações a serem feitas pelo Ministério Público.

O subprocurador-geral da República Rodrigo Janot durante sabatina no Senado Federal
Agência Brasil
O subprocurador-geral da República Rodrigo Janot durante sabatina no Senado Federal

Em meio a um clima de suspense no Congresso, o discurso corrente entre os parlamentares que podem estar na lista é de que, se as provas fossem consistentes, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, não pediria mais investigação por meio de um inquérito, mas apresentaria diretamente uma acusação formal contra os políticos investigados.

Por enquanto, parlamentares alimentam a expectativa em torno do pedido de levantamento do sigilo sobre o processo relacionado à Operação Lava Jato da Polícia Federal. O pedido foi feito pelo procurador-geral e depende de uma decisão do relator do processo no Supremo Tribunal Federal, ministro Teori Zavascki. Janot pedirá mais investigação em vez de oferecer a denúncia contra os políticos que possuem foro privilegiado, por entender que, neste caso, é necessário evocar o princípio da “responsabilidade e firmeza”.

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O deputado Artur Lira (PP-AL) aponta a delação premiada como um "instrumento de tortura" para os parlamentares. "Delação premiada no Brasil virou um instrumento de tortura. Não é porque uma pessoa fooi citada que ela é culpada", disse o ex-líder do partido da Câmara que é filho do senador Benedito de Lira (PP-AL), que teria sido citado pelo ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa em depoimentos na Polícia Federal, como um dos políticos que teriam se beneficiado do esquema isntalado na estatal.

Para o deputado, a demora de Janot em oferecer a denúncia é porque ele está sendo precavido. "Ele está sendo precavido para não pecar pelo excesso", disse.

Veja alguns dos momentos da Operação Lava Jato:

Nona fase da Operação da Lava Jato começou nesta quita-feira (5) e apreendeu grandes quantidades de dinheiro, 500 relógios e documentos. Foto: Polícia FederalNona fase da Operação da Lava Jato começou nesta quita-feira (5) e apreendeu grande quantia de dinheiro, 500 relógios e documentos. Foto: Polícia FederalSuspeito de ligação com Alberto Yousseff, Adarico Negromonte é preso pela PF, em novembro.. Foto: Cassiano Rosário/Futura PressO advogado da Queiroz Galvão, José Luiz de Oliveira Neto, em entrevista em novembro. Foto: Cassiano Rosário/Futura PressRoberto Brzezinski Neto, representante do escritório que defende Renato Duque na Operação Lava Jato, em janeiro. Foto: Cassiano Rosário/Futura PressNona fase da Operação da Lava Jato começou nesta quita-feira (5) e apreendeu grande quantidade de dinheiro, 500 relógios e documentos. Foto: Polícia FederalInvestigações da Operação Lava Jato . Foto: Fotos PúblicasGraça Foster e cinco diretores renunciam ao cargo na Petrobras
. Foto: Fotos PúblicasCosta e Cerveró entram em contradição na CPMI sobre corrupção na Petrobras. Foto: Fotos PúblicasCosta e Cerveró entram em contradição na CPMI sobre corrupção na Petrobras. Foto: Fotos PúblicasCosta e Cerveró entram em contradição na CPMI sobre corrupção na Petrobras. Foto: Fotos PúblicasCosta e Cerveró entram em contradição na CPMI sobre corrupção na Petrobras. Foto: Fotos PúblicasLilian Pinheiro visita o pai, Leo Pinheiro (presidente da OAS), em carceragem da PF, em janeiro. Foto: Futura PressAmigos e familiares do lobista Fernando Baiano o visitam em carceragem da PF em Curitiba (PR), em 21 de janeiro. Foto: Futura PressProcurador Deltan Dallagnol explica como era feita esquema de propina na Petrobras, em coletiva realiazada em Curitiba (PR), no dia 11 de dezembro. Foto: Futura PressSede do Ministério Público Federal, que investiga os desvios na Petrobras. Foto: Futura PressViatura da Receita Federal deixa prédio da construtora Camargo Correia durante operação Lava Jato, em 14 de novembro. Foto: Futura PressMalotes com documentos de detidos na Operação Lava Jato apreendidos pela PF em 14 de novembro . Foto: Futura PressPresidente da construtora UTC, Ricardo Pessoa, é preso pela PF em 14 de novembro de 2014. Foto: Futura PressPolícia Federal vasculha sede da OAS, uma das envolvidas em esquemas de propinas da Lava Jato, em novembro de 2014. Foto: Futura PressFuncionário manuseia obras de artistas brasileiros apreendidas pela PF na Operação Lava Jato, em 16 de maio. Foto: Futura PressPF apreende farta quantia de reais e dólares no Rio de Janeiro, em 17 de março. Foto: Divulgação/Polícia FederalPF apreendeu grande quantidade de dinheiro em cofre na cidade de Londrina, no Paraná. Foto: Divulgação/Polícia FederalEntre os crimes investigados estão contrabando de pedras preciosas e desvios de recursos públicos. Foto: DivulgaçãoSão cumpridas também ordens de seqüestro de imóveis de alto padrão, além da apreensão de patrimônio adquirido por meio de práticas criminosas. Foto: DivulgaçãoCarro de luxo apreendido pela PF. Foto: DivulgaçãoEntre os bens apreendidos, foram encontradas obras de arte no Paraná. Foto: Divulgação/PFPosto de combustível no DF onde foram feitas apreensões. Foto: Divulgação/PFOperação Lava Jato da Polícia Federal. Foto: DivulgaçãoDoleiro Alberto Yousseff segue preso por outras acusações 21 10 2014. Foto: Jeso Carneiro/Agência Senado

Suspense
Na tarde de segunda-feira, a notícia de que os citados no inquérito seriam avisados pelo procurador antes da divulgação da decisão deixou os parlamentares ainda mais ansiosos. Muitos deputados e senadores deixaram o gabinete de plantão à espera de qualquer correspondência vinda da Procuradoria Geral da República. O aviso é uma prática adotada por Janot para que os indiciados não saibam por terceiros sobre a acusação.

Embora os possíveis suspeitos apontem a fragilidade das provas, a decisão de Janot de não oferecer denúncia é embasada na avaliação de que já existirem indícios fortes contra os acusados. No entanto. é necessário dar mais robustez às provas contra os políticos.

A Operação Lava-Jato investiga um esquema de pagamento de propina envolvendo empreiteiras, políticos, partidos e diretores da Petrobras. A parte da investigação que não envolve foro privilegiado está sendo feita pela Justiça Federal do Paraná. Já a parte envolvendo políticos, que possuem foro privilegiado, é conduzida pela PGR. Entre os investigados estariam políticos do PP, PT, PMDB, PTB, entre outros.

Argumento
Outro alento tem servido aos políticos: a possibilidade de que recursos doados para as campanhas e declarados à Justiça Eleitoral não seriam alvo do inquérito a ser pedido pelo procurador. "Nós no PT estamos mais tranquilos porque foram doações legais, declaradas. Não é dinheiro de propina", disso senador Lindbergh Farias (PT-RJ), também citado no depoimento de Paulo Roberto Costa.

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Já o presidente do PMDB, Valdir Raupp (RO), também citado em depoimentos da delação premiada, fiava-se no mesmo argumento. De acordo com peemedebistas, recursos recebidos por Raupp e declarados à Justiça Eleiroal somam R$ 1,2 milhão e foram distribuidos por cincoo diretórios do PMDB. Deste montante, R$ 300 mil alimentaram a campanha em Rondônia.

Ritmo
A demora na decisão de Janot já provocou mudanças no ritmo da Câmara. Na semana passada, os partidos ocorreria a escolha pelas comissões da casa, decisão que acabou adiada para esta semana para que os parlamentares façam as escolhas diante de um cenário político mais concreto.

O PP, por exemplo, cotado para comandar a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara por indicação de Eduardo Cunha tem 6, dos 45 parlamentares da sigla citados na investigação.

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