Principal aliado da presidente no primeiro mandato sinaliza que pretende conduzir com independência o Congresso, colocando a instituição "acima da condição partidária"

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), divulgou nota na qual recusou o convite feito pela presidente Dilma Rousseff para um jantar com toda a cúpula do PMDB, a ser realizado na noite desta segunda-feira (2), no Palácio do Alvorada.

Calheiros é cumprimentado após ter vitória confirmada como presidente do Senado, em 01/02
PMDB/Divulgação
Calheiros é cumprimentado após ter vitória confirmada como presidente do Senado, em 01/02

No texto, Renan disse que, como presidente do Congresso, "deve colocar a instituição acima da condição partidária" e considera o encontro um "aprimoramento da democracia".

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Além de Renan, foram convidados para o jantar o vice-presidente da República, Michel Temer, o presidente da Câmara, o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), os seis ministros do partido, além dos líderes do peemedebistas na Câmara e no Senado.

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A recusa de Renan surpreendeu o meio político, principalmente porque ele representou o principal canal de diálogo da presidente no Congresso ao longo do primeiro mandato de Dilma, enquanto o PMDB da Câmara se comportou de forma mais rebelde em relação ao Planalto.

O jantar de Dilma é o primeiro encontro com o governo com o principal partido aliado desde que a presidente decidiu aceitar as exigências dos peemedebistas de integrarem o núcleo de decisão do governo.

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É também o primeiro encontro com os peemedebistas após a eleição de Eduardo Cunha à Presidência da Câmara, eleição que provocou um desgaste entre o governo, o PT e maior partido aliado, o PMDB.

Aconselhada por Lula, a própria presidente, emitiu sinais de reaproximação com o partido nas últimas semanas.

Leia abaixo a íntegra da nota de Renan Calheiros:
Decidi abster-me do jantar entre o PMDB, a Presidente da República e ministros, em que se discutirá a coalizão. O Presidente do Congresso Nacional deve colocar a instituição acima da condição partidária. Considero o encontro como aprimoramento da democracia.

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