Os primeiros 57 requerimentos protocolados na CPI foram apresentados pelo líder do PSDB, deputado Carlos Sampaio (SP), autor do pedido de criação da comissão investigativa

Agência Brasil

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras recebeu, nesta segunda-feira (2), primeiro dia de sua atuação, 245 requerimentos de convocações de pessoas para prestarem depoimentos, de requisição de documentos, de criação de sub-relatórios, de compartilhamento de informações, entre outros. Os requerimentos estão sendo apresentados, em sua maioria, por deputados de partidos de oposição. No entanto, há também muitos de legisladores da base governista.

Só o deputado Afonso Florence (PT-BA) apresentou 41 requerimentos para serem votados na CPI. Entre eles, de convocações do presidente da estatal, Aldenir Bendine; do ex-presidente José Sérgio Gabrielli; do ex-diretor Renato Duque; do ex-gerente da petrolífera Pedro Barusco. Também existe um requerimento solicitando documentos sobre investigações e de acompanhamento de construções de refinarias.

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Os primeiros 57 requerimentos protocolados na CPI foram apresentados pelo líder do PSDB, deputado Carlos Sampaio (SP), autor do pedido de criação da comissão. Nos requerimentos, Sampaio pediu a criação de três subrelatorias, o compartilhamento de informações, de depoimentos e de dados de investigações, a convocação de ex-dirigentes da Petrobras, como Pedro Barusco, Renato Duque e outros; do ex-ministro José Dirceu; do tesoureiro do PT, João Vaccari; de dirigentes de empreiteiras; bem como quebras de sigilos bancários, telefônicos e fiscais.

Carlos Sampaio informou que chegou cedo à CPI para ser o primeiro a protocolar os requerimentos, porque assim eles serão os primeiros a serem votados pela comissão. Segundo ele, o Regimento Interno da Câmara estabelece que os primeiros documentos apresentados são os primeiros a serem votados. "Eles serão votados antes mesmo dos requerimentos do relator e dos demais partidos”, ressaltou ele.

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Segundo o líder tucano, o segundo requerimento apresentado pede o compartilhamento das provas já produzidas pelo Juiz Sérgio Moro, pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Petrobras, pelo Ministério Público e outras instituições. Sampaio informou que o compartilhamento ajudará muito a CPI por evitar, por exemplo, o tempo gasto na quebra de um determinado sigilo bancário que já tenha sido feito.

De acordo com Carlos Sampaio, o PSDB nunca se colocou contrariamente à ampliação da CPI, desde que haja conexão dos fatos. ”O PSDB não tem receio de nenhuma investigação por uma razão muito simples: corrupção não tem coloração partidária. Se tiver alguém do PSDB envolvido, vai ter de responder e ser punido exemplarmente”, disse. “O que nós não podemos fazer é retroagir para tirar o foco do esquema criminoso que foi instalado no governo do PT."

A CPI funcionará na próxima quinta-feira (5) pela manhã, quando começará a deliberar sobre os procedimentos a serem adotados, roteiro de trabalhos e apreciação de requerimentos. A comissão foi criada para investigar a prática de atos ilícitos e irregulares no âmbito da Petrobras entre os anos de 2005 e 2015, relacionados a superfaturamento e gestão temerária na construção de refinarias no Brasil; à constituição de empresas subsidiárias e sociedades de propósito específico pela Petrobras, com o fim de praticar atos ilícitos; ao superfaturamento e gestão temerária na construção e afretamento de navios de transporte, navios-plataforma e navios-sonda; a irregularidades na operação da companhia Sete Brasil e à venda de ativos da Petrobras na África.

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