Lista do HSBC na Suíça revela empresas da Lava Jato em paraísos fiscais

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Esse é o caso de de nove integrantes da família Queiroz Galvão, que comandam as empreiteiras Galvão Engenharia e Queiroz Galvão

Fernando Rodrigues, do portal UOL
Reprodução/Twitter

Um novo capítulo do "SwissLeaks", como foi batizado o vazamento de dados bancários de clientes do HSBC envolvidos em fraudes fiscais, mostrou que milhares de fichas de correntistas da agência de “private bank” do HSBC de Genebra, na Suíça, operavam por meio de empresas em paraísos fiscais. As denúncia foi publicada nesta quinta-feira no blog de Fernando Rodrigues, do portal UOL.

Esse é o caso de de nove integrantes da família Queiroz Galvão, que comandam as empreiteiras Galvão Engenharia e Queiroz Galvão.

Amaury Ribeiro Jr. deixa o ICIJ por causa da cobertura das contas do HSBC

As empresas estão em Tortola, nas Ilhas Virgens Britânicas, na região do Caribe. São três offshores: Fipar Assets Ltd., Montitown United Ltd. e Melistar Management Inc.

A existência dessas empresas pode contribuir na investigação da Operação Lava Jato. Na apuração das acusações, a Polícia Federal e o Ministério Público podem solicitar informações a respeito de fluxo financeiro dessas empresas.

A "lista do HSBC" foi resultado de um trabalho jornalístico de filtragem realizado pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ). A apuração do "SwissLeaks" no Brasil é feita com exclusividade pelo UOL, por intermédio do jornalista Fernando Rodrigues, que é integrante do ICIJ.

Posicionamento - Queiroz Galvão

A Queiroz Galvão afirma que todo o patrimônio dos seus acionistas porventura existente no exterior sempre se submeteu aos registros cabíveis perante as autoridades competentes.

O que é o caso SwissLeaks?

É uma apuração jornalística multinacional coordenada pelo ICIJ (International Consortium of Investigative Journalists) em parceria com o jornal francês “Le Monde”.

O nome que pode ser traduzido para o português como “vazamentos suíços” é uma referência ao maior vazamento de dados bancários suíços da história, ocorrido na agência de “private bank” do HSBC em Genebra.

Como o material é muito vasto, o jornal francês “Le Monde” compartilhou as informações com o ICIJ na condição de que seria formada uma força-tarefa internacional para investigar jornalisticamente em vários países, sob vários ângulos.

O acervo de informações foi retirado do HSBC por Hervé Falciani, um ex-funcionário do banco. Falciani retirou os dados do HSBC e os entregou para as autoridades francesas em 2008.

Qual o volume de dados vazados e o total de dinheiro envolvido?

Segundo o ICIJ, o SwissLeaks envolve depósitos de mais de US$ 100 bilhões, mantidos na agência de “private bank” do HSBC de Genebra por cerca de 106 mil clientes de 203 países.

Os arquivos apontam que os correntistas brasileiros tinham cerca de US$ 7 bilhões em 2006 e 2007 no banco em Genebra. O Brasil é o 9º país com o maior valor depositado no SwissLeaks e 5º em número de clientes.

A quem compete no Brasil investigar o caso?

Receita Federal, Banco Central e o Conselho de Controle de Atividades Financeiras podem investigar o caso

O vazamento dos dados do HSBC da Suíça ficou conhecido já em 2008, quando as informações chegaram ao governo da França. Em 2010, as autoridades francesas passaram a compartilhar dados com as de outros países. 

Por que o ICIJ não publica os arquivos completos?

O ICIJ afirma ser uma “organização de jornalismo investigativo”, e, sendo assim, “publica reportagens que tenham interesse público”. O caso expõe “falhas sistêmicas significativas dentro do HSBC”. Os arquivos mostram que “alguns clientes algumas vezes foram ajudados pelos funcionários do banco a sonegar impostos e praticar evasão de divisas de seus países”. Já “outras partes dos arquivos são de natureza privada e não têm interesse público”.

Como reagiu o HSBC?

O HSBC disse que se tratava de informação furtada e que não merecia crédito. O banco demandou ao ICIJ que destruísse todas as informações e não publicasse nenhuma reportagem.

No Brasil, essa também foi a primeira reação do banco, com uma mensagem que sugeria uma ameaça de processo se algo fosse publicado pelo UOL.

Quando verificou que o ICIJ e os veículos associados em vários países seguiriam adiante, o HSBC recuou de sua posição inicial. Passou a admitir que no passado as regras do banco não eram tão rígidas a respeito de aceitar clientes suspeitos e tolerar sonegação de impostos.

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