Secretário de Haddad, Suplicy não descarta concorrer para Prefeitura em 2016

Por Vasconcelo Quadros - iG São Paulo | - Atualizada às

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O ex-senador e atual secretário de Direitos Humanos em São Paulo processa coronel Telhada e faz suspense sobre sucessão

Quem apostou que a derrota para o PSDB, no ano passado, colocaria o veterano petista Eduardo Suplicy no ostracismo errou feio.

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O senador Eduardo Suplicy, que não conseguiu se reeleger, concede entrevista ao iG em sua casa em São Paulo (arquivo)
Reprodução/TV iG
O senador Eduardo Suplicy, que não conseguiu se reeleger, concede entrevista ao iG em sua casa em São Paulo (arquivo)


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Depois de 37 anos atuando em todas as esferas do legislativo (vereador, deputado estadual, federal e senador), Suplicy assumiu a Secretaria de Direitos Humanos da Prefeitura de São Paulo se sentindo em casa. E voos mais altos, como concorrer com o chefe atual, Fernando Haddad, nas prévias para a eleição municipal de 2016, não estão descartados.

Pouca gente tem dúvidas de que Suplicy será candidato no ano que vem. Resta saber se optará por disputar uma vaga de vereador ou a de prefeito. Ele deixa uma fresta bem aparente: "A disputa de 2016 está aberta", afirmou.

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Quem conhece o ex-senador aposta que, quando chegar a hora apropriada, ele – que já disputou uma prévia petista até com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva – comunicará a Haddad que é, mais uma vez, candidato a prefeito. Caso a hipótese prospere, talvez seja a oportunidade de um ajuste de contas com a ex-mulher, a senadora Marta Suplicy, que, dentro ou fora do PT, já avisou que estará no páreo. 

Ao dar posse ao ex-senador no início de fevereiro, o prefeito Fernando Haddad disse que é "infeliz o chefe que tem medo de uma estrela maior", ressaltando as qualidades e a experiência de Suplicy, economista, administrador, pregador incansável da distribuição de renda e de ética na política.

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Com as minorias

Aos 73 anos, 24 deles ininterruptos como senador da República, Suplicy fez de seu gabinete, em Brasília, uma trincheira contra as violações e ofensas aos direitos humanos, dedicando ao tema os mesmos espaços de outras questões que marcaram seu mandato parlamentar – economia, ética na política ou a proposta de instituição de uma renda básica para a população, temas para os quais dirigentes de seu próprio partido torcem o nariz.

O trabalho atual, então, tem sintonia com o que já fazia no Senado. “Em uma metrópole como São Paulo, com 12 milhões de habitantes, violações o ofensas aos direitos humanos ocorrem a todo instante”, diz ao iG. Sua mesa é repleta de planilhas mostrando ações de amparo a imigrantes haitianos e bolivianos, travestis, crianças, adolescentes e moradores de rua, sobre os quais pretende comandar um inédito censo qualitativo, para diagnosticar o problema e contar em detalhes a história de cada personagem.

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A novidade é que entre os pesquisadores estarão dez pessoas de cada minoria que vive nas ruas. Durante meses, elas serão remuneradas com R$ 600 para trabalhar no levantamento. Será, segundo ele, o mais completo censo já realizado sobre os povos de rua na capital, um marco, segundo o senador, para definir políticas públicas com respeito a cidadania e a dignidade humana. Três semanas depois de assumir, já informado de toda a 

demanda da pasta, formada por 12 coordenadorias voltadas para educação, cidadania, defesa das minorias e, entre outras, direito a memória e a verdade, promete esclarecer questões que há mais de duas décadas dormem sem solução em órgãos públicos.

Telhada na Justiça

Suplicy acompanhou Zilah Abramo, viúva de Perseu Abramo, em zona eleitoral na capital paulista. Perseu foi um dos fundadores do PT. Foto: Bruno Winckler/iGSuplicy acompanhou Zilah Abramo, viúva de Perseu Abramo, em zona eleitoral na capital paulista. Perseu foi um dos fundadores do PT. Foto: Bruno Winckler/iGSuplicy acompanhou Zilah Abramo, viúva de Perseu Abramo, em zona eleitoral na capital paulista. Perseu foi um dos fundadores do PT. Foto: Bruno Winckler/iGSuplicy acompanhou Zilah Abramo, viúva de Perseu Abramo, em zona eleitoral na capital paulista. Perseu foi um dos fundadores do PT. Foto: Bruno Winckler/iGSuplicy acompanhou Zilah Abramo, viúva de Perseu Abramo, em zona eleitoral na capital paulista. Perseu foi um dos fundadores do PT. Foto: Bruno Winckler/iGSuplicy acompanhou Zilah Abramo, viúva de Perseu Abramo, em zona eleitoral na capital paulista. Perseu foi um dos fundadores do PT. Foto: Bruno Winckler/iGSuplicy acompanhou Zilah Abramo, viúva de Perseu Abramo, em zona eleitoral na capital paulista. Perseu foi um dos fundadores do PT. Foto: Bruno Winckler/iGSuplicy acompanhou Zilah Abramo, viúva de Perseu Abramo, em zona eleitoral na capital paulista. Perseu foi um dos fundadores do PT. Foto: Bruno Winckler/iGSuplicy acompanhou Zilah Abramo, viúva de Perseu Abramo, em zona eleitoral na capital paulista. Perseu foi um dos fundadores do PT. Foto: Bruno Winckler/iGSuplicy acompanhou Zilah Abramo, viúva de Perseu Abramo, em zona eleitoral na capital paulista. Perseu foi um dos fundadores do PT. Foto: Bruno Winckler/iGSuplicy acompanhou Zilah Abramo, viúva de Perseu Abramo, em zona eleitoral na capital paulista. Perseu foi um dos fundadores do PT. Foto: Bruno Winckler/iG

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Uma delas é o caso das 1049 ossadas retiradas, em 1992, de uma vala clandestina do Cemitério Dom Bosco, em Perus. “Até março de 2016 teremos uma conclusão”, garante o novo secretário. Os peritos já identificaram entre as ossadas os restos de três presos políticos desaparecidos, mas acham que exames mais detalhados podem apontar outros nomes integrantes das organizações de esquerda que foram à luta armada. 

Suplicy diz que é necessário um trabalho minucioso já que 25% de 161 caixas analisadas têm ossos de pessoas diferentes.

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O novo secretário se diz preparado para encarar os dilemas que afetam a cidade, mesmo que tenha de revolver a história para esclarecer crimes do regime militar. A pedreira que sabe existir no caminho não o assusta. As corporações policiais, com raríssimas exceções, odeiam o secretário e o acusam de proteger bandidos. Ele responde apenas que sua preocupação é proteger os direitos do cidadão e combater os excessos e abusos, uma rotina no ambiente violento gerado pelo conflito entre policiais e bandidos.

Com representantes da Polícia Militar há um conflito anunciado com um dos mais autênticos representantes da linha dura: o coronel Paulo Telhada, vereador e deputado estadual eleito no ano passado pelo PSDB, ex-comandante da temida Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), contra quem o ex-senador abriu uma ação na Justiça por calúnia e danos morais/eleitorais.

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O episódio pode estar relacionado à derrota para José Serra na disputa pela única vaga ao Senado em 2014. Para favorecer o correligionário tucano, a cinco dias do pleito, o militar declarou, em um programa do Portal Terra, ao vivo, que uma das jovens que acusam 13 policiais por estupro, ocorrido durante reintegração de posse em São José dos Campos em 2012 – o famoso caso Pinheirinho – o procurou para dizer que havia sido orientada por Suplicy a fazer uma denúncia falsa.

O factoide foi recheado de declarações ridicularizando a atuação do senador no Congresso e insinuações de que ele defende bandidos. Suplicy tentou, sem sucesso, anular a eleição. Disse que não desistirá da ação contra Telhada que, segundo ele, mentiu e cometeu um ato grave para favorecer Serra que, já acomodado no Senado, ficou em silêncio sobre o assunto.

A guerra com o ex-comandante da Rota não tirará do novo secretário a disposição de diálogo para encaminhar, seja com os órgãos policiais ou com os manifestantes das tribos mais radicais nos protestos, os black blocs, as questões dos direitos humanos. Suplicy diz que vai dialogar com todos os segmentos e, quando necessário, procurará a PM.

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