José Barusco Filho afirmou em depoimento concedido como parte de um acordo de delação premiada que o tesoureiro João Vaccari recebeu US$ 4,5 milhões do esquema; tesoureiro e partido divulgaram nota negando as acusações

O ex-gerente de Engenharia Petrobras José Barusco Filho afirmou, em depoimento concedido como parte de um acordo de delação premiada, que o PT teria recebido entre US$ 150 milhões e US$ 200 milhões em propina entre 2003 e 2013. As declarações do ex-gerente colocam novamente o tesoureiro do partido, João Vaccari Neto, no centro das investigações, ao declarar que o petista participava do esquema de pagamento de propina na estatal.  O dinheiro usado nos pagamentos, segundo o delator, teria saído de 90 contratos da estatal. 

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O depoimento de Barusco foi prestado em novembro passado, em Curitiba, e tornado público nesta quinta-feira pela Polícia Federal. “Indagado pelo Delegado de Polícia Federal sobre quanto João Vaccari Neto recebeu em nome do partido dos Trabalhadores – PT, por conta dos aproximadamente 90 (noventa) contratos firmados com a Petrobrás ao longo dos anos de 2003 a 2013, (Barusco) afirma que, considerando o valor que o declarante recebeu a título de propina, que foi de aproximadamente US$ 50 milhões, estima que foi pago o valor aproximado de US$ 150 a 200 milhões de dólares ao Partido dos Trabalhadores – PT, com a participação de João Vaccari”, diz o termo do depoimento.   

As novas informações surgem no mesmo dia em que foi deflagrada mais uma fase da Operação Lava Jato da Polícia Federal. Como parte da investigação, Vaccari foi levado para prestar depoimento sobre as acusações de envolvimento no esquema de corrupção da Petrobrás. Como revelou o Poder Online, o tesoureiro informou ao comando do PT, logo após o interrogatório, que os questionamentos dos investigadores foram “genéricos”, abordando principalmente o funcionamento da atividade financeira do partido e o relacionamento com empresas. 

Vaccari também divulgou nota nesta quinta-feira, em que afirma que “ansiava pela oportunidade de prestar esclarecimentos” à Polícia Federal, “para, de forma cabal, demonstrar as inúmeras impropriedades publicadas pela imprensa”. Vaccari “reitera, mais uma vez, que o Partido dos Trabalhadores – PT, não tem caixa dois, nem conta no exterior, que não recebe doações em dinheiro e somente recebe contribuições legais ao partido, em absoluta conformidade com a Lei, sempre prestando as respectivas contas às autoridades competentes”, diz a nota. 

Já o PT afirmou, também em nota, que “o partido recebe apenas doações legais e que são declaradas à Justiça Eleitoral”. “As novas declarações de um ex-gerente da Petrobras, divulgadas hoje, seguem a mesma linha de outras feitas em processos de ‘delação premiada’ e que têm como principal característica a tentativa de envolver o partido em acusações, mas não apresentam provas ou sequer indícios de irregularidades e, portanto, não merecem crédito. Os acusadores serão obrigados a responder na Justiça pelas mentiras proferidas contra o PT”, diz o texto.


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