"Cunha mostrou maior capacidade de articulação", diz ministro do governo

Por Marcel Frota , iG Brasília | - Atualizada às

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Pepe Vargas avaliou eleição de peemedebista à presidência da Câmara dos Deputados como "manifestação soberana da Casa"

Responsável pela articulação política entre o Palácio do Planalto e o Congresso Nacional, o ministro da Secretaria de Relações Institucionais do governo, Pepe Vargas (PT), buscou discurso diplomático para lidar com a derrota na eleição da Câmara dos deputados, neste domingo (1º).

Eduardo Cunha comemora sua eleição à presidência da Câmara dos Deputados, no domingo (1º)
Câmara dos Deputados
Eduardo Cunha comemora sua eleição à presidência da Câmara dos Deputados, no domingo (1º)

"Foi uma manifestação soberana das Casas. Eduardo Cunha (PMDB-RJ) mostrou que teve maior capacidade de articulação", avaliou o ministro após a confirmação da vitória de peemedebista, em primeiro turno, sobre os três adversários, incluindo o governista, Arlindo Chinaglia (PT-SP). "Mas o PMDB é um partido que está dentro da nossa coalizão", relevou ele.

Vargas evitou a tese de que o governo poderia ter tomado medidas em represália a aliados pelo resultado adverso, já que contava com ao menos 40 votos a mais do que o seu candidato recebeu. "Isso é a democracia", declarou o ministro ao deixar o Congresso. "O governo não tem por que retaliar. O voto é secreto e o processo deve ser respeitado. É hora de saudar o vencedor."

Já o líder do PT na Câmara, Vicentinho (PT-SP), ressaltou a necessidade de a nova Mesa Diretora, que não terá nenhum representante do partido, ter "juízo". "Lamento esse resultado, mas respeito. Que [a nova Mesa] seja independente, mas que não faça oposição sistemática", resumiu o deputado.

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Vitória tranquila
Em uma votação que se esperava acirrada, sendo esperado um segundo turno que a levaria a durar longas horas noite adentro, o resultado foi da votação para a presidência da Câmara dos Deputados foi de uma enorme tranquilidade Eduardo Cunha. O peemedebista venceu em primeiro turno, com 267 votos. Os adversários, Chinaglia (PT), Delgado (PSB) e Alencar (PSOL), respectivamente, 136, 100 e 8.

Desta forma, o partido com a maior bancada no Congresso, o PMDB, inicia a nova legislatura da mesma forma que encerrou a anterior: com a presidência do Senado Federal – Renan Calheiros foi reeleito neste domingo – e, agora, da Câmara dos Deputados (antes ocupada por Henrique Alves).

Apesar de criticar a interferência do governo na campanha ferrenha pela presidência da Casa, Cunha ressaltou em seu discurso de vitória que não haverá retaliação do PMDB contra o PT, que comanda o Palácio do Planalto. "Estaremos sempre prontos, de portas abertas para o debate. E a campanha nos mostrou que temos de discutir dois pontos fundamentais para este país: a reforma política e o pacto federativo", apontou.

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Cunha ainda prometeu atuar para que se tenha um Parlamento independente, altivo e que respeite os interesses da população brasileira. Ele criticou a submissão do Congresso em certas votações e afirmou que buscará sempre a independência da Casa, dialogando com todos os poderes sem abrir mão das pautas que considera importantes.

O ministro-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, Pepe Vargas, que amenizou derrota
Agência Brasil
O ministro-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, Pepe Vargas, que amenizou derrota

Governo enfraquecido
A vitória acachapante de Cunha é um baque ao Palácio do Planalto, que – em um ano que se inicia com crise econômica e denúncias cada vez mais profundas de corrupção na Petrobras – se mobilizou para emplacar o nome de um candidato próprio, Chinaglia, para chegar à presidência da Casa e facilitar sua governabilidade.

Apesar das expectativas de Cunha e seus aliados de receber mais de 300 votos, o que levou à derrota do governo foi o baixíssimo número de votos recebidos por Chinaglia. A campanha do petista contava ter ao menos 180 votos.

Para se levar o cargo em primeiro turno, é necessário ter a maioria simples de votos. Do total 513 deputados, os adversários de Cunha conseguiram atrair 244 – 23 a menos do que o peemedebista. Se Chinaglia tivesse obtido os mais de 40 votos com os quais sua equipe contava antes da divulgação do resultado, dificilmente a disputa seria encerrada sem um segundo turno. 

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