Presidente do PSDB criticou atuação do colega reeleito e afirmou que derrota não reduzirá articulação da oposição

Após a proclamação do resultado da eleição que reconduziu Renan Calheiros (PMDB-AL) à presidência do Senado, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) fez críticas ao legado do colega alagoano, que presidiu a Casa nos últimos dois anos. Aécio foi o príncipal artífice da candidatura de Luiz Henrique (PMDB-SC), adversário de Renan. Segundo o tucano de Minas Gerais, Renan fez do Senado um “puxadinho” do Palácio do Planalto.

O senador e presidente do PSDB, Aécio Neves:
George Gianni/psdb
O senador e presidente do PSDB, Aécio Neves: "Renan tem de ser menos aliado do Planalto"

“O Senado não pode ser um instrumento da vontade do Executivo”, disse Aécio, afirmando que Renan deve mais agradecimentos ao PT do que ao seu próprio partido. “Ele tem de ser mais presidente do Senado e menos aliado do Planalto. O Congresso não pode continuar a ser um puxadinho do Palácio do Planalto”, criticou o tucano. Aécio citou especificamente a atuação de Renan na votação da flexibilização da meta de superávit primário, no final do ano passado.

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“Acho que uma crítica como essa não contribui para o tamanho da responsabilidade que o Senado tem pela frente. Não podemos transformar essa disputa em algo assim”, avaliou o líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE).  “O importante é que aqui mostramos nossa unidade. O PT votou fechado e foi fundamental (para a vitória de Renan)."

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Apesar de ver sua articulação em defesa de Luiz Henrique ser derrotada com menos votos do que previa (o bloco acreditava que podia chegar a no mínimo 38 votos, mas não passou de 31), Aécio afirmou não ter saído derrotado na disputa. “Para nós, não foi um resultado ruim. Acho que do ponto de vista da oposição no Senado, essa foi nossa maior vitória”, declarou o tucano.

Ao deixar o Plenário do Senado, Renan não quis dar entrevista, alegando que já havia "falado bastante por hoje”. Ele concordou em apenas responder duas perguntas e deixou a coletiva quando questionado sobre a Operação Lava Jato, deflagrada pela Polícia Federal e que aponta para desvios de verba e pagamento de propinas em obras da Petrobras. “Disputa é sempre saudável”, disse o senador. “A prioridade será construir o consenso para que possamos avançar.”

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