Apoio de partidos sem garantia de votos deixa disputa pela Câmara aberta

Por Marcel Frota , iG Brasília |

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Embora os dois principais concorrentes tenham obtido reforço de siglas médias a um dia da eleição, Eduardo Cunha e Arlindo Chinaglia mantêm articulações de olho em traições e em busca de indecisos

O ritmo frenético dos candidatos a presidente da Câmara dos Deputados no último dia antes da votação é o melhor indicativo de quão indefinida está a disputa. Os dois principais candidatos, o líder do PMDB, Eduardo Cunha (RJ), e o petista Arlindo Chinaglia (SP) mantiveram compromissos o dia todo. Se dividiram entre almoços, cafés, encontros, anúncios de apoio e jantares. Se Cunha obteve apoio do PP, Chinaglia recebeu a mesma sinalização do PR. Correndo por fora, Júlio Delgado (PSB-MG) busca viabilizar seu nome enquanto passa a ser cortejado sobre seu posicionamento num cada vez mais provável segundo turno na disputa.

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Se Cunha conquistou o PP, juntando o partido ao leque que já era composto por PMDB, PTB, SDD, DEM, PRB e PSC, seus apoios não são suficientes para assegurar os 257 votos necessários para encerrar a disputa no primeiro turno. Da mesma foram, Chinaglia foi agraciado com o apoio do PR, que se juntou ao conjunto de apoios ao petista composto por PT, PSD, PROS, PCdoB e PDT. Acontece que ambos têm em comum apoios que não garantem a totalidade dos votos dessas bancadas. E ambos sabem disso, os apoios dados pelos partidos não garantem a integralidade dos votos das bancadas. Daí a quantidade de compromissos e agendas fim de semana adentro.

De acordo com levantamento feito pelo iG entre deputados, existem correntes dissidentes em diversos desses partidos, como PP, PDT, PSD, PROS, PR, PRB, PTB e até entre PT e PMDB, embora esses dois partidos neguem isso de forma enérgica. Daí ambos os lados apostarem nas traições como arma para vitória. Mesmo os partidos que anunciaram seus apoios neste sábado, lidam com opiniões divergentes. A bancada do PP, por exemplo, que anunciou apoio a Cunha, teve só 28 dos 38 deputados da nova legislatura presentes ao ato. Já o PR tem entre suas fileiras nomes refratários ao PT. O comando da campanha de Chinaglia sabe disso e não conta com a totalidade dos votos do PR. Por isso é tão difícil quantificar a essa altura uma previsão dos votos de cada concorrente.

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Não são somente os dois favoritos na disputa que lidam com esse problema. Delgado teve de fazer um esforço de articulção nesta reta final da campanha para tentar reverter um inicio de debandada de apoiadores tucanos que pretendiam votar em Cunha para derrotar o PT. O presidente nacional do partido, senador Aécio Neves (MG), foi obrigado a entrar com energia no circuito para evitar que isso aconteça. Com voto secreto, poucos apostam que a atuação de Aécio de fato tenha sido suficiente para acabar com o movimento. Além dos votos de seu partido, Delgado tem o apoio do PSDB, PPS e PV.

Último dia
Faltando menos de um dia para a eleição da Câmara, marcada para às 18h deste domingo, Cunha e Chinaglia participaram de uma maratona de agendas que não terminou nem à noite. Cunha promoveu um jantar numa chácara no Lago Sul, bairro nobre da Capital Federal. Chinaglia fez evento semelhante no clube da Associação dos Servidores da Câmara dos Deputados. Os dois lados têm investido essas últimas horas sobretudo em partidos que não estão agrupados em blocos para tentar garantir os votos dos retardatários. O esforço dos dois adversários também se dá no campo visual. Diversos setores de Brasília estão decorados com material gráfico de Cunha e Chinaglia.

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A presidência da Câmara dos Deputados é de importância fundamental para o Planalto. Seu presidente tem o controle da pauta. Não apenas do que é votado, mas quando será votado. O Planalto tem uma série de medidas na área econômica que pretende votar para colocar em prática o ajuste fiscal planejado por sua equipe econômica, o que torna esse aspecto do cargo ainda mais sensível para os planos do Executivo. O presidente da Casa também tem o controle sobre votações relacionadas a cassação de mandatos e pedidos de impeachments, além da instalção de CPI. Por tudo isso o Planalto botou em campo na última semana um grupo de ministros para tentar convencer deputados a embarcar na candidatura de Chinaglia.

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