Policial que entregou dinheiro a mando de Youssef pede para ser absolvido

Por Agência Brasil | - Atualizada às

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Defesa de Jayme Alves de Oliveira Filho, o Careca, alega que seu cliente não tinha conhecimento do conteúdo das entregas

Agência Brasil

A defesa do policial federal Jayme Alves de Oliveira Filho, conhecido como Careca, investigado na Operação Lava Jato, afirmou à Justiça Federal que não tinha conhecimento do conteúdo dos envelopes que entregava a mando do doleiro Alberto Youssef, nesta sexta-feira (30). Com base nas alegações, o agente pediu sua absolvição sumária ao juiz Sérgio Moro. 

O doleiro Alberto Yousseff, personagem-chave nas investigações da Lava Jato, que está preso
Jeso Carneiro/Agência Senado
O doleiro Alberto Yousseff, personagem-chave nas investigações da Lava Jato, que está preso

Em resposta à ação penal aberta contra o policial, os advogados alegam que ele não fazia parte de organização criminosa. Segundo a defesa, Careca foi contratado pelo doleiro, em 2012, para prestar serviços de segurança pessoal.

Os advogados admitiram que ele entregava documentos a pedido de Youssef, mas justificam que o agente não sabia do que se tratavam. Jayme foi preso na sétima fase da operação Lava Jato, deflagrada ano passado, e já está solto. O agente é acusado de entregar propina a políticos.

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“Admite-se que, no período trabalhado, o denunciado Jayme possa eventualmente ter entregue algum valor a mando de Youssef, assim como fez com vinhos e outros documentos", admitiu a defesa. "Porém, em todas as oportunidades tratavam-se de envelopes lacrados, dos quais o denunciado sequer possuía conhecimento do conteúdo, muito menos da quantidade de valores ou ao fim a que se destinava."

As declarações da defesa diferem do depoimento prestado pelo agente à Polícia Federal. De acordo com reportagem divulgada pelo jornal "Folha de S.Paulo" no dia 8 de janeiro, o policial afirmou que foi enviado a Belo Horizonte para entregar R$ 1 milhão a pedido de Youssef. 

Veja fotos do momento em que foi deflagrada a Operação Lava Jato:

Nona fase da Operação da Lava Jato começou nesta quita-feira (5) e apreendeu grandes quantidades de dinheiro, 500 relógios e documentos. Foto: Polícia FederalNona fase da Operação da Lava Jato começou nesta quita-feira (5) e apreendeu grande quantia de dinheiro, 500 relógios e documentos. Foto: Polícia FederalSuspeito de ligação com Alberto Yousseff, Adarico Negromonte é preso pela PF, em novembro.. Foto: Cassiano Rosário/Futura PressO advogado da Queiroz Galvão, José Luiz de Oliveira Neto, em entrevista em novembro. Foto: Cassiano Rosário/Futura PressRoberto Brzezinski Neto, representante do escritório que defende Renato Duque na Operação Lava Jato, em janeiro. Foto: Cassiano Rosário/Futura PressNona fase da Operação da Lava Jato começou nesta quita-feira (5) e apreendeu grande quantidade de dinheiro, 500 relógios e documentos. Foto: Polícia FederalInvestigações da Operação Lava Jato . Foto: Fotos PúblicasGraça Foster e cinco diretores renunciam ao cargo na Petrobras
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Segundo o agente, o dinheiro foi entregue a uma pessoa que não se identificou, em 2010, em uma casa da capital mineira. Conforme o policial, o doleiro disse que o dinheiro era para o então governador de Minas Gerais Antônio Anastasia.

Em nota divulgada após a publicação da reportagem, Anastasia disse que nunca se encontrou com o policial e que não conhece Alberto Youssef.

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"Em primeiro lugar, registro que não conheço este cidadão. Nunca estive ou falei com ele. Da mesma forma, não conheço, nunca estive ou falei com o doleiro Alberto Youssef", declarou Anastasia. "Em 2010, já como governador de Minas Gerais, não tinha qualquer relação com a Petrobras, que não tinha obras no Estado, ademais do fato de eu ser governador de oposição ao governo federal."

Em petição encaminhada no último dia 13 de janeiro à Justiça Federal de Curitiba, o próprio Youssef negou que tivesse ordenado o envio de dinheiro ao senador eleito.

Por determinação do juiz Sérgio Moro, Jayme Alves foi afastado das funções de policial federal em novembro passado. Ele é réu em uma das ações penais da operação e não fez acordo de delação premiada.

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