Lava Jato: contas de "Habib" receberam R$ 10 milhões em propina a políticos

Por Wilson Lima , iG Brasília | - Atualizada às

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Investigação indica que destino foi parlamentares como Fernando Collor de Mello, Luiz Argôlo e André Vargas

Laudos da Policia Federal (PF) apontam que as contas utilizadas por um posto de gasolina de Brasília para pagamento de propina a políticos movimentaram aproximadamente R$ 10,8 milhões entre os anos de 2008 e 2014. Conforme as investigações, entre os beneficiados das contas deste posto, estariam o senador Fernando Collor (PTB-AL); o deputado federal Luiz Argôlo (SD-BA), André Vargas (sem partido-PR) e Nelson Meurer (PP-PR). Todos os parlamentares negam envolvimento com o doleiro Alberto Youssef.

O senador Fernando Collor de Mello: laudo da PF aponta que ele foi beneficiado por doleiro
Agência Senado
O senador Fernando Collor de Mello: laudo da PF aponta que ele foi beneficiado por doleiro

Conforme as investigações da Polícia Federal no âmbito da Operação Lava Jato, alguns dos parlamentares teriam recebido diretamente das contas do Posto da Torre, de propriedade de Habib Charter, tido com uma espécie de laranja do doleiro Alberto Youssef. Outros, teriam recebido dinheiro do esquema por meio de assessores ou de emissários. Ao todo, o posto gerenciou pelo menos 375 contas bancárias conforme os laudos da PF.

Um exemplo é justamente o deputado federal Nelson Meurer. Conforme laudos da Polícia Federal, foram registrados pagamentos em uma planilha informal do Posto da Torre em nome de uma pessoa chamada “Nelson”. Os investigadores apontam que seria “Nelson Meurer”. “No exame da contabilidade, informa a autoridade policial que encontrou lançamentos efetuados a título de ‘Nelson’ e ‘Nelson Meurer’ nos anos de 2008 e 2009 e que, pela rubricas utilizadas, estariam relacionados a negócios de Carlos Habib Chater com Alberto Youssef”, afirmou o juiz Sérgio Moro após posse de uma das análises periciais. Estima-se que o parlamentar tenha recebido transferências de aproximadamente R$ 50 mil das contas do Posto da Torre.

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Sobre as transferências a Meurer, o juiz Sérgio Moro aponta, em ofício encaminhado ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Teori Zavascki, responsável pelas investigações contra autoridades com foro privilegiado que que “no curso das apurações, foi colhida fortuitamente prova de possíveis crimes cometidos pelo Deputado Federal Nelson Meurer”.

O doleiro Alberto Yousseff: informações que envolvem legisladores e até ex-presidente
Jeso Carneiro/Agência Senado
O doleiro Alberto Yousseff: informações que envolvem legisladores e até ex-presidente

As investigações também apontam que Argôlo também teria recebido recursos do posto, mas de forma indireta por meio de assessores. Uma troca de mensagens entre Youssef e Argolo falam de uma transferência de aproximadamente R$ 120 mil para a conta do chefe de gabinete do parlamentar, Vanilton Bezerra. Argolo também foi beneficiado com a doação de gado por Youssef. A suspeita dos investigadores é que tanto os R$ 120 mil, quanto o gado doado ao parlamentar tenham vindo da contabilidade indireta do Posto da Torre.
O envolvimento de Collor e Vargas com o Posto da Torre está sendo apurado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Uma das linhas de investigação é que ambos foram beneficiados pelo esquema de pagamento de propina montado pelo ex-presidente do PP José Janene, morto em 2010.

Habib Chater efetuava o pagamento a políticos, em espécie ou a assessores, a pedido do ex-presidente do PP José Janene.

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Luiz Argôlo: troca de mensagens mostra que ele foi beneficiado com dinheiro e gado
Divulgação
Luiz Argôlo: troca de mensagens mostra que ele foi beneficiado com dinheiro e gado

Os investigadores tentam agora ligar o dinheiro repassado a políticos com os recursos desviados da Petrobras, por meio do esquema de fraude em licitações e contratos descobertos pela Operação Lava Jato.

“Foram colhidas provas, em cognição sumária, durante a investigação e a instrução, que Carlos Habib Chater, proprietário do Posto da Torre em Brasília, realizava pagamentos a pedido de outros operadores do mercado negro de câmbio, inclusive por Alberto Youssef”, disse Moro em recente decisão da Operação Lava Jato. “Carlos Habib Chater teria feito pagamentos a pedido de Alberto Youssef, utilizando recursos de origem criminosa do ex-deputado Federal José Janene”, analisa Moro.

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