Dilma fala de ajuste econômico e pede aos ministros: "Façam o possível"

Por iG São Paulo * | - Atualizada às

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Encontro, na Granja do Torto, reúne os 39 ministros; em discurso, presidente garante que direitos trabalhistas serão mantidos, apesar da necessidade de ajuste das contas públicas

Após o anúncio dos ministros que farão parte da equipe do governo em seu segundo mandato, a presidente da República, Dilma Rousseff, promoveu a primeira reunião com os nomeados, nesta terça-feira (27), na Granja do Torto, nos arredores de Brasília. O encontro começou no final da tarde com discurso da chefe do Poder Executivo e deve se arrastar até a noite.

Dilma com seus 39 ministros na abertura da reunião que define as diretrizes do segundo mandato
Roberto StukertPresidência da República
Dilma com seus 39 ministros na abertura da reunião que define as diretrizes do segundo mandato

Em seu discurso, Dilma fez questão de ressaltar que não haverá comprometimento do crescimento econômico e da geração de emprego em detrimento dos ajustes das contas públicas no País. Aos ministros, ela pediu: "Façam o possível". 

"As mudanças anunciadas darão ao nosso projeto mais consistência e mais velocidade, consolidarão e ampliarão um projeto vitorioso nas urnas em quatro eleições consecutivas. São medidas para transformar o Brasil", discursou a presidente.

"Queremos um país próspero, cada vez menos desigual, e fazer todo o possível para fortalecer e desenvolver o crescimento econômico, a distribuição de renda e a evolução social. Este é o nosso compromisso: fazer as mudanças necessárias para, juntos, termos
um governo ao mesmo tempo de continuidade e de mudanças."

Medidas
A presidente detalhou algumas das medidas anunciadas pela equipe econômica até o momento, como as de ajuste fiscal, que mudaram parte das regras previdenciárias, criticadas por sindicalistas.

Segundo Dilma, o Brasil sofreu na área devido à desaceleração econômica mundial, à queda expressiva de preços das commodities (como soja e minério de ferro), além da valorização do dólar, da seca histórica que atingiu parte do País e do aumento do preço da energia. Agora, explicou, cabe ao governo tentar recuperar o crescimento o mais rápido possível, com a garantia da geração de empregos e controle inflacionário.

"Vamos mostrar a cada cidadão ou cidadã que não alteramos em um só milímetro o projeto de desenvolvimentos que aplicamos desde 2003, um projeto de crescimento com distribuição de renda", ressaltou mais de uma vez no discurso, fazendo eco a tantos outros semelhantes feitos desde o início da campanha eleitoral que a reelegeu no ano passado. "Nosso povo votou em nós porque acredita na nossa capacidade, na nossa honestidade com propósitos."

Dilma ao lado do vice, Michel Temer (à direita), e do ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante
Alan Sampaio / iG Brasília
Dilma ao lado do vice, Michel Temer (à direita), e do ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante

Crises
Em tempo de crise hídrica histórica, que tem afetado a distribuição de água para consumo e de energia elétrica em diversas regiões do País – especialmente no Sudeste –, Dilma ressaltou seu compromisso com os governos estaduais e as atitudes tomadas por sua gestão para ajudar a solucioná-los.

Também avisou: o problema que atinge principalmente São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais exigirá atenção especial de seus ministros. "Lembrem que, desde o início, o governo federal apoiou, apoia e continuará apoiando com vultosos investimentos aos Estados, responsáveis pelo abastecimento de água."

A crise na Petrobras, centro de uma investigação sobre caixa dois e corrupção, também fez parte do discurso presidencial. Dilma defendeu a criação de mecanismos que evitem que os problemas voltem a acontecer. "Temos de continuar acreditando na mais brasileira das empresas. Devemos punir as pessoas e defender a empresa. Punir a corrupção não pode significar punir as empresas", alertou a presidente.

Assim como falado durante a campanha eleitoral, Dilma reforçou que deve enviar em fevereiro um projeto para tornar mais rigorosa a punição dos funcionários públicos envolvidos em corrupção. Ressaltou também seus planos de criar leis para unificar as regras de segurança pública no País. 

Veja os 39 ministros do segundo mandato de Dilma Rousseff:

Dilma posa ao lado dos 39 ministros de Estado. Foto: Roberto Stuckert Filho/Presidência da RepúblicaGilberto Occhi sai do Ministério das Cidades e vai para Integração Nacional. Foto: Bernardo Rebello/ Imprensa Caixa Economica FederalEx-prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab será novo Ministro das Cidades. Foto: Alexandra Martins/Câmara dos DeputadosAntônio Carlos Rodrigues (azul) assumirá a pasta de Transportes. Foto: DivulgaçãoNelson Barbosa assumirá Planejamento a partir de 2015. Foto: Wilson Dias/Agência BrasilManoel Dias, continua no Ministério do Trabalho. Foto: Agencia Brasil/reproduçãoEx-ministro do Lula, Juca Ferreira volta para Ministério da Cultura em novo mandato de Dilma. Foto: Agência BrasilIndicado para Controladoria Geral da União, Valdir Simão foi presidente do INSS e secretário-executivo do Turismo. Foto: DivulgaçãoThomas Traumman foi escolhido como ministro da Comunicação Social. Foto: Agência BrasilJosé Elito Siqueira responderá pelo Gabinete de Segurança Institucional. Foto: DivulgaçãoMinistra Izabela Teixeira permanece a frente do Ministério do Meio Ambiente. Foto: DivulgaçãoCarlos Gabas vai substituir Garibaldi Alves no Ministério da Previdência. Foto: DivulgaçãoHelder Barbalho é o novo ministro da Pesca. Foto: Agencia Brasil/reproduçãoPrimeira negra a chefiar universidade federal, Nilma Lino Gomes assume Secretaria de  de Política de Promoção da Igualdade Racial. Foto: Agencia Brasil/reproduçãoJaques Wagner será novo ministro da Defesa. Foto: Agência BrasilVinicius Lages continua no comando do Ministério do Turismo. Foto: Alan Sampaio / iG BrasíliaKatia Abreu é nova ministra da Agricultura. Foto: Agência BrasilEx-ministro de FHC, Deputado Eliseu Padilha substituirá Moreira Franco na Aviação Civil. Foto: DivulgaçãoSenador Eduardo Braga vira ministro de Minas e Energia. Foto: Ricardo Stuckert/PRDeputado Edinho Araújo foi nomeado novo ministro da Secretaria Nacional de Portos. Foto: Agência CâmaraCid Gomes será novo ministro da Educação. Foto: Agência BrasilDerrotado nas últimas eleições, Armando Monteiro ganhou o Ministério do Desenvolvimento, indústria e Comércio Exterior. Foto: REUTERS/Ueslei Marcelino George Hilton será novo ministro dos Esportes, no lugar de Aldo Rebelo. Foto:  Aldo Rebelo sai do Ministério dos Esportes para assumir a pasta de Ciência,Tecnologia e Inovação. Foto: Roosewelt Pinheiro/ABrAlexandre Tombini permaneceu como presidente do Banco Central. Foto: Wilson Dias/Agência BrasilJoaquim Levy assumirá Fazenda em 2015. Foto: Wilson Dias/Agência BrasilEx-chefe da SRI, Ricardo Berzoini (PT-SP), passará a comandar o Ministério das Comunicações. Foto: Allan Sampaio/iG Brasília Deputado federal Pepe Vargas (PT-RS), que comandou o MDA durante o primeiro mandato de Dilma, passará a ocupar a Secretaria de Relações Institucionais (SRI). Foto: Agência BrasilMiguel Rossetto foi confirmado na Secretaria Geral da Presidência da República. Foto: Fotos PúblicasDilma anunciou o petista Patrus Ananias (MG) para o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA). Foto: Denise MottaArthur Chioro continua no Ministério da Saúde. Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom /Arquivo Agência BrasilEmbaixador Mauro Vieira será o ministro das Relações Exteriores. Foto: Wilson Dias/Agência BrasilEleonora Menicucci foi mantida da Secretaria de Políticas para Mulheres pela presidente Dilma Rousseff. Foto: Alan Sampaio / iG BrasíliaGuilherme Afif Domingos permanece na Secretaria de Micro e Pequena Empresa. Foto: Divulgação/Assembleia de São PauloNa Esplanada desde 2011, José Eduardo Cardozo permanece no Ministério da Justiça. Foto: Agência BrasilIdeli Salvatti continua na Secretaria de Direitos Humanos. Foto: Alan Sampaio / iG BrasíliaTereza Campello permance a frente do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Foto: Alan Sampaio / iG BrasíliaDilma mantém Aloizio Mercadante como ministro chefe da Casa Civil. Foto: DivulgaçãoMarcelo Neri continua à frente da Secretaria de Assuntos Estratégicos. Foto: ReproduçãoLuís Inácio Adams fica no comando da AGU no novo governo Dilma. Foto: Alan Sampaio / iG Brasília







Batalha da comunicação
No auge do discurso, Dilma enfatizou sua determinação para que os ministros passem a desmentir opositores que acusam o governo de planejar medidas que possam colocar em risco direitos trabalhistas. Destacando a área de Segurança Pública, concessões em mobilidade urbana e ações de ajuda a estados na crise hídrica, a presidente exigiu deles que argumentem com vigor a tais críticas, mostrando dados de investimentos em diversas áreas. 

“Devemos enfrentar o desconhecimento e a desinformação”, ressaltou a presidente. "Reajam aos boatos. Travem a batalha da comunicação. Se façam entender, não podemos deixar dúvidas [...]. Os Direitos trabalhistas são intocáveis.” 

Encontro
O local escolhido para o encontro foi a Granja do Torto, uma das residências oficiais da presidência, situada às margens do Ribeirão do Torto, em Brasília. Inicialmente ela estava agendada para ocorrer no Salão Oval do Palácio da Alvorada, ao qual a imprensa tem acesso, mas acabou alterada pelo Poder Executivo.

Apesar de ter encontros semanais com os principais aliados nomeados para o segundo mandato – Pepe Vargas (Relações Institucionais), Jaques Wagner (Defesa), Ricardo Berzoini (Comunicações), Miguel Rossetto (Secretaria-Geral) e Aloizio Mercadante (Casa Civil), é a primeira vez que a presidente se reunirá com todos os 39 chefes de ministérios desde que foi reeleita. 

Em encontro com os 39 ministros de Estado, Dilma pediu apoio para as reformas
Roberto Stuckert/PR
Em encontro com os 39 ministros de Estado, Dilma pediu apoio para as reformas

As reuniões costumam ser anuais. Em seu primeiro encontro como presidente, em 2011, Dilma se reuniu com os ministros no Palácio da Alvorada e abordou a situação econômica do País e os estragos causados pelas chuvas na Região Serrana do Rio de Janeiro naquele verão. Como a situação da economia é ruim, assim como o clima em diversas regiões do País – o que tem levado à crise hídrica, com possibilidade de racionamento de água e energia em território brasileiro –, os temas não devem fugir muito disso. 

O encontro, que deve se estender até o fim da noite, serve para definir as prioridades dos próximos quatro anos de governo.

Participam dele os ministros ocupantes das seguintes pastas: Fazenda, Planejamento, Educação, Saúde, Meio Ambiente, Agricultura, Justiça, Casa Civil, Defesa, Relações Exteriores, Transportes, Cultura, Trabalho e Emprego, Previdência Social, Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Minas e Energia, Comunicações; Ciência, Tecnologia e Inovação, Esporte, Turismo, Integração Nacional, Desenvolvimento Agrário, Cidades, Pesca e Aquicultura, Secretaria-Geral da Presidência da República, Segurança Institucional; Advocacia-Geral da União, Controladoria-Geral da União, Secretaria de Relações Institucionais, Banco Central, Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Secretaria de Políticas para as Mulheres, Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Secretaria de Portos da Presidência da República, Secretaria de Aviação Civil da Presidência da República e Secretaria da Micro e Pequena Empresa.

* Com Marcel Frota, iG Brasília

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