Ex-diretor da Petrobras admite ter recebido US$ 1,5 milhão por negócio nos EUA

Por Wilson Lima , iG Brasília | - Atualizada às

compartilhe

Tamanho do texto

Em depoimento à PF, Paulo Roberto Costa disse que recebeu montante para facilitar compra de refinaria em Pasadena

O ex-diretor de Refino e Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa admitiu, em depoimento à Polícia Federal (PF), que recebeu US$ 1,5 milhão – R$ 3,8 milhões – para facilitar a aprovação da compra da Refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos.

O ex-diretor de abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa durante acareação com Cerveró
Jefferson Rudy/Agência Senado
O ex-diretor de abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa durante acareação com Cerveró

Costa admitiu que a negociação ocorreu junto a Fernando Baiano, tido no esquema como o operador do PMDB. Nas informações prestadas à PF, o ex-diretor disse que “Fernando Baiano o procurou para pedir que não criasse problemas na reunião de Diretoria para aprovar a compra da refinaria de Pasadena”. Isso porque, segundo Costa, Baiano o alertou de que o processo de compra da refinaria já estava “bastante avançado”.

Leia mais:
Graça Foster diz que compra de Pasadena pela Petrobras 'não foi bom negócio'

Costa também afirmou que provavelmente os valores foram disponibilizados pela Astra Petróleo (Astra Oil), empresa que vendeu a refinaria para a Petrobras. O ex-diretor de refino e abastecimento acredita que a propina foi depositada em uma conta no Vilartes Bank, no Principado de Liechteinstein, entre a Aústria e a Alemanha.

Essa foi a primeira vez que em algum depoimento admite-se que houve pagamento de propina para a liberação do negócio. Em 2006, a Petrobras pagou US$ 360 milhões por metade da refinaria. No entanto, o valor é considerado muito superior ao pago pela Astra Oil um ano antes. Na época, a petrolífera belga gastou U$$ 42 milhões no negócio.
Um relatório da Controladoria Geral da União (CGU) aponta que a Petrobras teve um prejuízo de R$ 1,8 bilhões com a compra de Pasadena. Por conta disso, o órgão determinou a instauração de processos contra 22 ex-diretores da Petrobras.

Leia também:
Cerveró reafirma em acareação que Pasadena foi bom negócio para Petrobras
Petrobras pagou US$ 659,4 milhões a mais por Pasadena, diz CGU
'Dilma não foi a responsável', diz Cerveró sobre compra da refinaria de Pasadena

No seu depoimento, Costa disse que Fernando Baiano pressionava a então diretoria de abastecimento a não colocar barreiras no negócio mesmo sabendo que poderia não ser um bom negócio já que a refinaria norte-americana era especialista em processar óleo leve e não óleo pesado, que era o principal produto de exportação da Petrobras no período. Somente a adequação de Pasadena para o processamento do petróleo da Petrobras demandaria investimentos da ordem de um a dois bilhões de dólares. “Além disso, Pasadena era uma refinaria muito velha”, disse Costa sobre o negócio.

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas