Conhecido como office-boy de Youssef, Careca movimentou R$ 17 milhões em desvios

Por Wilson Lima |

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Ministério Público e Polícia Federal apuram se Jaime Alves de Oliveira Filho supostamente entregou dinheiro a políticos. Ele confirmou ter repassado recursos à empreiteiras

As investigações relacionadas à Operação Lava Jato, que desarticulou um mega esquema criminoso na Petrobras, apontam que um dos principais emissários do doleiro Alberto Youssef era um policial federal identificado como Jayme Alves de Oliveira Filho, chamado de Careca. Jayme era uma espécie de office boy de Youssef, responsável pelo transporte de grandes volumes de dinheiro à beneficiários do esquema.

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Careca era policial federal desde julho de 1997 e antes de ser preso trabalhava na Delegacia do Aeroporto Internacional Nelson Jobim, no Rio de Janeiro. Ele foi preso na sétima fase da Operação, desencadeada em 14 novembro e afastado de suas funções na PF cinco dias depois. Conforme os investigadores, Careca teria transportado algo em torno de R$ 17 milhões a beneficiários do esquema.

Segundo as investigações, Careca era um homem de confiança de Youssef e o próprio agente confirmou que efetuava transporte de grande volume de recursos. Em seus depoimentos, Careca declarou que teria levado dinheiro cujo destinatário seria o senador eleito por Minas Gerais, Antônio Anastasia (PSDB); o deputado federal Luiz Argôlo (SDD-BA), além de afirmar que teria levado recursos a uma residência no Rio de Janeiro que supostamente seria do líder do PMDB da Câmara, o Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

A Anastasia, Careca afirmou te levado R$ 1 milhão ao ex-governador de Minas, em uma residência em 2010, nas proximidades da BR-040 que liga o Rio de Janeiro a Belo Horizonte. No caso de Argôlo, Careca disse que entregou R$ 10 mil ao parlamentar, em um hotel em São Paulo. No caso de Cunha, Careca afirmou que efetuou a entrega em uma casa que Youssef disse que seria do parlamentar. Os três negaram envolvimento com Youssef e rechaçaram todas as acusações.

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Ao ser questionado em novembro pelo delegado da PF Agnaldo Mendonça Alves, durante a fase de depoimentos, se ele atuou como “courrier para Alberto Youssef”, o agente respondeu “sim”. O agente também disse que fez transporte de valores entre os anos de 2010 e 2014 e que ele recebia entre R$ 1,5 mil e R$ 1 mil por viagem. "Ele me dava uma bolsa. Eu não sabia o conteúdo da bolsa. Às vezes eu sabia que era vinho, mas às vezes sabia que era dinheiro, mas não sabia a quantidade que estava transportando”, disse Careca, em depoimento à Polícia Federal em novembro.

Careca conheceu Alberto Youssef em Foz do Iguaçu, por volta de 2000, antes do doleiro ter sido preso por conta do escândalo do Banestado. A princípio os dois tinham apenas uma relação de amizade, tanto que Youssef chamava o agente carinhosamente como “Jaiminho”. Com o tempo, essa amizade ficou forte, conforme os depoimentos de Careca, e Youssef acabou tomando confiança pelo agente da PF. “As investigações apontam que na maioria das vezes, os recursos em posse de Careca, tido como recursos desviados de obras da Petrobras, conforme as investigações, parariam justamente no Rio de Janeiro, principalmente na sede da UTC.

Um dos detalhes apontados por Careca era que os beneficiários nunca recebiam o dinheiro em espécie. O então presidente da UTC, Ricardo Pessoa, por exemplo, por “umas duas vezes” estava presente na sede da UTC, mas Jayme sempre entregava os recursos supostamente destinados a Pessoa, a um cidadão chamado “Miranda”. “Por uma ou duas vezes o diretor Ricardo Pessoa estava presente na empresa, mas não recebeu o dinheiro. Ricardo me conhecia e sabia que eu estava lá para entregar o dinheiro de Youssef. Levava também o dinheiro para o escritório da UTC de Minas Gerais, em Belo Horizonte”, descreveu o policial federal.

Ainda na lista das pessoas que Careca entregou recursos da Petrobras, estava João Cláudio Genu, ex-assessor do PP que foi réu no julgamento do mensalão. Conforme depoimentos do policial federal, “mais de cinco vezes” ele levou recursos para Genu, “mas ele não recebia pessoalmente, ele mandava o motorista dele. Eles, o Youssef e o Genu, marcavam o local do encontro para entregar o dinheiro na rua mesmo. O carro que o motorista usava era um Azera da Hyundai, cor preta”, descreveu o ex-agente. Genu chegou a ser condenado a 5 anos de prisão pelo STF no julgamento do mensalão, mas um dos crimes, o de corrupção passiva, prescreveu. Do outro, de lavagem de dinheiro, ele foi inocentado por conta dos embargos infringentes.

Além de Genu, Ricardo Pessoa, Careca admitiu que entregou recursos para o ex-diretor de refino e abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa; para o lobista Fernando Baiano, tido como um dos operadores do PMDB no esquema para Júlio Camargo, executivo da Toyo-Setal entre outros. Careca também revelou que levou recursos a escritórios da OAS e da Camargo Corrêa.

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