Dissidência da Rede cria partido para tentar catalisar movimentos sociais

Por Vasconcelo Quadros , iG São Paulo | - Atualizada às

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Militantes querem preencher vácuo deixado pelas manifestações de 2013 para se colocar como terceira via

Dissidentes da Rede Sustentabilidade que abandonaram a ex-senadora Marina Silva no meio do segundo turno da eleição do ano passado – descontentes por ela ter apoiado o candidato do PSDB, senador Aécio Neves – deram início a uma articulação para formação de um novo partido político.

Apoio de Marina Silva à Aécio Neves criou dissidência na Rede Sustentabilidade
Reprodução
Apoio de Marina Silva à Aécio Neves criou dissidência na Rede Sustentabilidade

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As opções de nome, Avante ou Queremos, ainda são provisórias, mas a proposta está definida: os idealizadores pretendem construir um partido capaz de catalisar a indignação de movimentos sociais e das massas que organizaram as manifestações de junho de 2013. Diferente dos atuais partidos, o novo terá uma militância horizontalizada, com direção distribuída entre vários grupos.

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Ex-porta voz da Rede, o historiador Célio Turino diz que o novo partido vem sendo gestado há dois meses, terá uma fisionomia de uma esquerda que interprete os temas caros à população e está sendo inspirado em movimentos que vêm dando certo como partidos políticos em outros países. O principal é o Podemos, da Espanha, que brotou das ruas e se transformou numa sólida alternativa ao poder.

Um dos articuladores do Podemos, dirigente do 15M espanhol, Javier Toret, fez uma longa e aplaudida explanação sobre o sucesso do partido espanhol, que só foi oficializado no ano passado, durante seminário que reuniu cerca de 200 militantes em São Paulo na última sexta-feira (16).

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Em apenas um ano, elegeu cinco deputados para o Parlamento Europeu e aparece como o favorito nas eleições gerais deste ano, rompendo a polarização entre PSOE e PP. O segredo foi interpretar o sentimento das ruas e conectá-lo a um plano de comunicação que ocupou as redes sociais e, depois, os veículos de comunicação de massa, como a televisão. Bandeiras que a direita havia se apropriado, como as noções de povo, pátria, nação ou temas do dia a dia, como o desemprego, ou mesmo a corrupção, voltaram ao discurso de uma nova esquerda.

“Pretendemos nos transformar em um partido transversal e de retaguarda dos movimentos sociais, sem preocupação com o calendário institucional”, diz Célio Turino. Ele acha que os sinais de recessão econômica (demonstrado com os cortes de benefícios sociais), a perspectiva de uma crise política em 2015 (embalada pelo escândalo da Petrobras) e a semelhança, sem perspectivas de mudanças, dos programas das duas principais forças partidárias, PT e PSDB, deixam brechas para a organização de um partido de movimento.

A crise de abastecimento de água em São Paulo que, na avaliação de Turino, está à beira de um colapso, é responsabilidade tanto do governador Geraldo Alckmin quanto da presidente Dilma Rousseff e será o principal alvo do futuro partido, que promete apresentar soluções.

“Vamos nos colocar como uma ‘segunda’ via”, afirma o historiador, para quem as propostas de petistas e tucanos, apesar da polarização que já dura seis eleições presidenciais, são na verdade apenas uma. Há ainda o agravante, segundo ele, de PT e PSDB terem absorvido o que poderia ter surgido de inovador na fracassada campanha de Marina Silva.

O novo partido terá uma linha socialista. Seus principais eixos, listados num manifesto provisório, tratam de questões que ecossocialismo, cidadanismo, bem comum e viver bem.

Erundina

Avante ou Queremos vai investir também em lideranças de esquerda descontentes. Na mira estão parlamentares de PT, PSOL e PSB. No seminário de sexta-feira, a grande estrela foi a deputada federal Luiza Erundina. Embora reeleita pelo PSB, ela anunciou que vai ajudar na organização do novo partido e, num discurso inflamado, afirmou que é necessário “desocupar” o Congresso eleito no ano passado, que não tem representatividade para fazer a reforma política e representa “perda de tempo”.

Erundina avaliou que o evento foi um momento mágico que marca “o início da travessia para ciclo social revolucionário” com força para mudar o sistema atual que, “velho e carcomido, precisa ser derrubado”. Erundina disse que partidos políticos e sindicatos não fazem mais parte da luta política e que este é o momento de uma nova força se colocar no cenário.

“A hora é essa e está passando”, afirmou a deputada, exortando a militância a se mobilizar, buscando parcerias com os novos e velhos movimentos sociais, para despertar “o potencial adormecido” depois da jornada de manifestações de junho de 2013.

Em relação a seu futuro no PSB, Erundina deixa no ar. “Não vou dizer que estou saindo (do PSB) nem que não estou saindo. A verdade é que estou descontente e distanciada da direção do partido.”

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