Responsável pela decisão, juiz Marcos Josegrei da Siva afirma que isso é indício de tentativa de ocultação de bens após fase de investigação da Operação Lava Jato

As investigações relacionadas à Operação Lava Jato apontam que o ex-diretor da área internacional da Petrobras Nestor Cerveró, preso na madrugada desta quarta-feira, vendeu quatro imóveis a seus parentes por valores até dez vezes inferior aos estabelecidos pelo mercado imobiliário do Rio de Janeiro.

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O ex-diretor da área internacional da estatal Nestor Cerveró durante acareação no Senado
Pedro França/Agência Senado
O ex-diretor da área internacional da estatal Nestor Cerveró durante acareação no Senado


Cerveró foi preso pela Polícia Federal no Aeroporto Internacional Tom Jobim (Galeão), ao desembarcar de uma viagem para Londres. Os policiais cumpriram mandado de prisão preventiva expedido pelo juiz Marcos Josegrei da Siva, responsável pelas investigações da Lava Jato. A preventiva foi expedida por suspeitas de que Cerveró estava tentando ocultar bens e transferir grandes valores para familiares. 

Conforme as investigações da Lava Jato, uma suspeita dessa ocultação de bens foi a venda, em junho, de quatro apartamentos do ex-diretor, por valores bem inferiores aos do mercado. Dois destes imóveis estavam na rua Prudente de Morais, em Ipanema, uma das áreas mais valorizadas do Rio, cujo metro quadrado chega a R$ 23 mil. 

Pelas investigações, um dos imóveis foi vendido a parentes de Cerveró por R$ 160 mil e outro por R$ 200 mil. Cada apartamento, conforme avalição judicial de 2013, valia alto em torno de R$ 2,3 milhões segundo os autos da Lava Jato. 

“As conclusões que decorrem desses fatos são evidentes e não exigem muito esforço hermenêutico: Nestor Cerveró, ex-diretor da área internacional da Petrobras (...) vem tentando blindar seu patrimônio capaz de ser, acurto prazo, rastreado no país, transferindo-o a pessoas de sua confiança”, afirma o juiz Marcos Josegrei da Siva, plantonista, na decisão de prisão preventiva expedida contra o ex-diretor da área internacional da Petrobras. “As implicações de tais condutas são graves e não podem ser, em hipótese alguma, menosprezadas”, complementa o magistrado. 

Transferências 

Ainda como condutas que motivaram a prisão preventiva de Cerveró está a tentativa de transferência de R$ 500 mil, no dia 16 de dezembro, para a sua própria filha, fruto de um fundo de previdência privado, uma “conduta absolutamente pouco usual para qualquer investidor, mas altamente compreensível para um denunciado”, conforme o juiz Marcos Josegrei da Siva. 

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Cerveró foi denunciado no dia 17 de dezembro do ano passado e agora está na carceragem da Polícia Federal em Curitiba, onde deve prestar os primeiros depoimentos. Cerveró é apontado como beneficiário do esquema de corrupção da Petrobras e como um dos articuladores do PMDB no esquema. Estima-se que Cerveró tenha recebido R$ 156 milhões do esquema de desvios de recursos da Petrobras.

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