Partidos do bloco SDD, PSB, PV e PPS aguardam definição da senadora sobre convite para trocar de legenda enquanto estimulam a articulação para atrair mais quadros petistas

A polêmica aberta pela possível saída da ex-ministra Marta Suplicy contribuiu para acirrar as dissidências internas e atiçar outros insatisfeitos com o PT. As queixas da ex-prefeita de São Paulo, ilustradas no último fim de semana em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, viraram bandeira para petistas que também avaliam a possibilidade de deixar o partido ou que pleiteiam um espaço na disputa interna. Para colegas de legenda, a mensagem é muito clara, Marta está de saída.

Para colegas, a ex-ministra da Cultura está claramente de saída do Partido dos Trabalhadores
Agência Brasil
Para colegas, a ex-ministra da Cultura está claramente de saída do Partido dos Trabalhadores

De acordo com petistas que trataram do tema com a senadora, resta saber o destino e a data do desligamento. O movimento conta com o reforço do deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP). Sem mandato a partir da próxima legislatura e protagonista de disputas internas com bancada petista no Congresso, ele também iniciou conversas com partidos interessados em atrair a ex-prefeita. Na lista, estão SDD, PSB, PV e PPS, que se uniram em um bloco na Câmara.  

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O plano, afirmam líderes do bloco, é cacifar Vaccarezza como uma espécie de articulador, que atuaria como ponte com setores do PT interessados em uma troca de legenda. A ideia é buscar quadros com dificuldade de se cacifar dentro do partido, mas que tenham identificação antiga com a sigla da presidente Dilma Rousseff. O alvo principal são deputados estaduais e federais eleitos por São Paulo que não conseguiram se reeleger em outubro passado. 

A missão de Vaccarezza não deverá ser das mais simples, já que muitos petistas afirmam que Marta é hoje uma figuar isolada dentro do partido. Nos últimos anos, A ex-ministra rompeu com alguns de seus aliados e afastou-se de outros. Mesmo seus mais fieis parceiros dos tempos de prefeitura hoje estão bem ajeitados a outros grupos do PT. Rui Falcão, por exemplo, inseriu-se na ala majoritária petista e assumiu a presidência nacional do partido. A família Tatto, que concentra vários aliados históricos da ex-prefeita, hoje está perfeitamente integrada na gestão do prefeito paulistano Fernando Haddad.

Na entrevista que concedeu no fim de semana, Marta afirmou que “ou o PT muda ou acaba”. Fez críticas diretas a Dilma Rousseff, deu detalhes de conversas que manteve com o ex-presidete Luiz Inácio Lula da Silva e não poupou colegas como o ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, e Rui Falcão. Disse que Mercadante é “inimigo” e que Falcão “traiu o partido e o projeto do PT”. Marta também explicitou sua insatisfação a respeito do espaço que tem hoje na legenda. “Se for analisar friamente, é um partido (PT) no qual estou há muito tempo alijada e cerceada, impossibilitada de disputar e exercer cargos para os quais estou habilitada”, declarou.

As afirmações foram recebidas pelo comando petista como um sinal de que Marta decidiu tratar com seriedade as ameaças de deixar o partido. Até então, colegas de legenda minimizavam o risco de ela trocar de legenda para disputar a prefeitura paulistana, alegando que seu plano se credenciar como alternativa do próprio PT para o caso de Haddad chegar desgastado à disputa de 2016.

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Destino

Se quiser se viabilizar do ponto de vista legal para a disputa da prefeitura, Marta tem até outubro para definir sua situação. A ex-ministra declarou que tem convite de todas as principais legendas, menos do DEM e do PSDB, mas que ainda não se decidiu sobre a saída.

A possibilidade de ela migrar para o Solidariedade ou para o PSB, por exemplo, ainda é vista com desconfiança pelos atuais colegas de partido. A tese é que o alinhamento desses partidos com o governador Geraldo Alckmin (PSDB) criaria uma contradição forte demais no discurso da ex-ministra, custando-lhe parte dos votos que detém no eleitorado paulistano. No bloco que dialoga com a petista, entretanto, o discurso é que Marta pode aproveitar o “cansaço” da classe média paulistana com o PT e mesmo se aproximar do tucanato paulista, esboçando um movimento semelhante ao realizado pela ex-senadora Marina Silva (PSB-AC). Marina deixou o PT, disputou a Presidência em 2010, pelo PV, terminou no PSB na eleição passada e apoiou Aécio Neves (PSDB-MG) no segundo turno da corrida presidencial.

O fato de o Solidariedade ter nascido do PDT e ter base no movimento sindical vem sendo usado como argumento para tentar atrair a petista. Presidente de honra da Força Sindical, O deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força, vem colocando na mesa a capacidade de mobilização entre as 1.635 entidades sindicais que estão atualmente sob o guarda-chuva da central. 

Há, entretanto, conversas em andamento também com o PSB. Setores da legenda alegam que Marta, do ponto de vista ideológico, se sentiria mais "confortável" ali, dado o alinhamento que existia com o PT nacional até a eleição passada. 

Marta chegou a dialogar com o PMDB, mas a articulação foi rapidamente desmontada. O PT, capitaneado pelo ex-presidente Lula, tratou de amarrar a perspectiva de uma aliança com os peemedebistas, com a promessa de entregar a vice de Haddad a Gabriel Chalita.

A negociação, antecipada pelo Poder Online , foi selada com a indicação de Chalita para compor o secretariado de Haddad.

Caso a saída de Marta de fato se concretize, as dissidências de outros quadros petistas não necessariamente terão como destino o mesmo partido que ela venha a escolher. Parte dessa revoada poderia ser abrigada no PPS, diz um articulador do bloco.

Ainda assim, alguns quadros do PPS têm demonstrado pouca empolgação com a possível aproximação de Marta. Esse grupo mais refratário, embora admita que o partido precisa se renovar, diz essa renovação não seria atingida com a ex-prefeita paulistana. Marta completa 70 anos no próximo dia 18 de março. 

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