Passada a reforma na Esplanada, partidos da base engrossam o coro de pedidos pelo controle das estatais e de órgãos executivos ligados aos ministério

Com o fim da reforma ministerial, a disputa por cargos do segundo escalão do governo fez Dilma Rousseff inaugurar 2015 tendo que conter revoltas na base aliada. Nos últimos dias, os principais auxiliares da presidente foram encarregados de administrar as demandas dos partidos aliados, que engrossam o coro de pedidos pelo controle das estatais e de órgãos executivos ligados aos ministério.

O PMDB do Senado, sempre fiel à presidente no primeiro mandato, ameaça seguir o viés adotado pelo partido na Câmara, com uma posição de independência. A cúpula do PROS lançou nota não reconhecendo o ministro da Educação, Cid Gomes, como indicação do partido. Já o PP, que ganhou o Ministério da Integração Nacional, com o ministro Gilberto Occhi, se dedica a mandar recados ao Planalto mirando o comando do Departamento Nacional de Obras Contras as Secas (Dnocs), hoje nas mãos do PMDB, e da Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf).

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A mudança de comportamento do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) é o maior exemplo da pressão. Renan inaugurou 2015 com uma posição bem diferente da que desempenhava em relação ao governo no final do ano passado. De aliado incondicional, Renan apareceu em meio a ameaças ao governo de levar o PMDB do Senado, principal partido da base, para uma situação de independência em relação ao Planalto.

Os sinais de Renan foram captados por ministros articuladores de Dilma como pressão explícita pela indicação de cargos do segundo escalão, alvo de disputas atuais, após a definição de todos os titulares das pastas. Um dos interlocutores de Dilma, nos bastidores, tem dito que “todo mundo que está chorando está de olho no segundo escalão”.

Nesse rol de chorões, Renan teria considerado que perdeu influência no governo e que poderá perder ainda mais, caso Dilma, em uma segunda etapa da reforma ministerial, dê a pasta do Turismo ao atual presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), derrotado na disputa em seu Estado. O atual ministro do Turismo, Vinicius Lages, é aliado político de Renan. No entanto, só permaneceu a frente da pasta devido a apreensão do governo em relação ao envolvimento de Alves nas denúncias da Operação Lava Jato, da Polícia Federal, que investiga o esquema de pagamento de propina na Petrobras.

Transpetro

O foco principal de Renan é manter sua influência na diretoria da Transpetro, subsidiária da Petrobras. A presidência da empresa foi ocupada por Sérgio Machado, indicado por Renan para o cargo até novembro do ano passado, quando Machado se licenciou, após ter seu nome envolvido nas investigações sobre o esquema de propina na estatal. Nesta semana, o conselho de administração da Transpetro voltou a aprovar mais uma prorrogação da licença não-remunerada do presidente da empresa.

No Planalto, interlocutores de Dilma garantem que ela não pediu opinião do senador para decidir quem ocupará o cargo o que estaria provocando suas ameaças. Atualmente, a presidência da Transpetro é exercida por Claudio Ribeiro Teixeira Campos, diretor de Gás Natural da subsidiária.

Há uma avaliação no Planalto de que o senador alagoano foi contemplado, não só com a pasta do Turismo, mas também com a colocação de Helder Barbalho, um aliado de Renan, na pasta da Pesca e Aquicultura, além da parte que coube ao PSDB do Senado no novo ministério que inclui o Ministério da Aquicultura, com Kátia Abreu, e Minas e Energia, com Eduardo Braga.

Porteira fechada

A revolta de Renan não é a única. Partidos aliados já comtemplados com ministérios pediam para levar as pastas de “porteira fechada”, condição que Dilma já vetou. O PMDB também mira em órgãos como a Infraero, Embratur, Eletrobras e Furnas, além do comando de agências reguladoras como a Aneel e Anatel.

O PP, que ganhou o Ministério da Integração Nacional, com o ministro Gilberto Occhi, também tem reclamado e mirado a diretoria do Departamento Nacional de Obras Contras as Secas (Dnocs), hoje nas mãos do PMDB. Outro pleito do PP é o comando da Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf).

Já o PR, que emplacou o ex-senador Antônio Carlos Rodrigues (SP) no Ministério dos Transportes, quer recuperar ainda o comando do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). No entanto, de acordo com fontes do Planalto, Dilma deverá colocar no cargo o ex-ministro Paulo Sérgio Passos, considerado um nome “coringa” da presidente e que conta com sua inteira confiança.

Resposta

Diante da pressão, Dilma mandou recados por meio do ministro das Relações Institucionais, Pepe Vargas. Ele declarou a pedido da presidente os critérios que serão levados em conta na hora de escolher a direção das estatais, agências reguladoras e órgãos executivos ligados aos ministérios: competência na gestão, não envolvimento em denúncias de corrupção e equilíbrio entre os partidos que apoiaram a reeleição da presidente.

“Nós queremos que as indicações tenham competência e capacidade de gestão para as funções, o segundo critério é o histórico de probidade e o terceiro critério é equilíbrio entre os partidos da coalizão que elegeu a presidente Dilma Rousseff”, disse o ministro.


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