O novo ministro da articulação política passou recados da presidente em meio ao clima de tensão por cargos do segundo escalão do governo

Diante da perspectiva de um acirramento de disputa na base aliada com a eleição da Câmara e em um clima de pressão dos partidos por cargos de segundo escalão, a presidente Dilma Rousseff mandou dois recados por meio do ministro Relações Institucionais, Pepe Vargas. De acordo com o ministro, o Planalto não vai interferir na disputa.

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Além disso, de acordo com o ministro, três critérios vão reger a escolha para a direção das estatais, agências reguladoras e órgãos executivos ligados aos ministérios: competência na gestão, não envolvimento em denúncias de corrupção e equilíbrio entre os partidos que apoiaram a reeleição da presidente.

“A eleição da Mesa Diretora é um assunto interno da Câmara dos Deputados no qual o governo não interfere por respeitar a independência dos poderes obviamente”, disse Pepe Vargas. “A eleição da Câmara é um assunto político dos partidos que compõe à Câmara e o governo não interfere neste assunto”, reforçou.

“Nós queremos que as indicações tenham competência e capacidade de gestão para as funções, o segundo critério é o histórico de probidade e o terceiro critério é equilíbrio entre os partidos da coalizão que elegeu a presidente Dilma Rousseff”, disse o ministro.

Os recados da presidente ocorrem em um momento no qual o principal partido da base, o PMDB, ameaça uma situação de independência em relação ao governo, como forma de pressionar por cargos do segundo escalão. Além disso, a candidatura de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) à Presidência da Câmara coloca em lados rivais PT e PMDB.

O clima se acirrou na última semana diante da possibilidade de Cunha ser denunciado como beneficiário do esquema de propina investigado na Petrobras pela Operação Lava Jato, da Polícia Federal. O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, deverá pedir ao Supremo Tribunal Federal (STF) investigação de Cunha.

Diante desta possibilidade, Cunha reagiu mirando no Planalto, defendendo a reabertura na Câmara da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras. Pepe Vargas, por sua vez, se manifestou contra a reabertura da CPI, considerando-a desnecessária.

“Nós entendemos que em um país que tem Ministério Público que atua, que tem Controladoria Geral da União que atua, que tem Judiciário que atua, isso é muito mais eficiente que uma CPI. Alguém aqui sustenta que estes quatro órgãos não estão sendo eficientes no combate à corrupção?”, questionou o ministro.

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